Brechós: Para quem quer vestir bem pagando pouco

Por: Jefferson Rozeno /Foto: divulgação

Durante muito tempo os brechós foram associados à pobreza, cafonice e outras características pejorativas afinal, comprar e vestir roupas usadas é algo incomum, certo? Errado!.

Hoje, os brechós se mostram como uma alternativa viável para se vestir bem gastando pouco. Além de beneficiar a economia investindo no comércio de pequenas lojas, a prática descentraliza o poder das mãos de grandes monopólios da moda e vestuário.

Muito diferente do que eram há alguns anos atrás,  os brechós passaram por uma transformação tecnológica: as peças podem ser encontradas facilmente na internet através dos brechós virtuais, que hoje estão em plataformas digitais como redes sociais e sites de venda uma inovação que tem expandido e ressignificado a ação de adquirir peças usadas.

Se engana quem acha que os canais alternativos de compra são destinados apenas a pessoas com pouco poder aquisitivo. Existem também muitos brechós de luxo que oferecem peças exclusivas de marcas famosas Brasil afora, mas que continuam sendo uma oportunidade para quem não pode pagar muito em uma peça especial.

Phernanda Coelha, jornalista e blogueira de moda, 25 anos, é frequentadora assídua de brechós físicos e virtuais. “Minha relação com o brechó é um pouco engraçada, porque olho para eles como um baú de tesouros. Além de me vestir bem, ainda pago pouco.”

Já Ane Jones, jovem de 18 anos, vê nos brechós uma forma de ganhar dinheiro. A jovem carioca criou, aos 17 anos, o “Brechó da Jones” e escolheu o Instagram, rede social de fotos, como plataforma. A ideia era desapegar de algumas peças e de quebra faturar uma grana extra. “Quando eu criei o brechó tinha 17 anos, estudava e não tinha tempo de trabalhar, então utilizei roupas pouco usadas para reverter isso em algo útil para as pessoas e ainda garantir uma grana pra uso pessoal, como ir ao cinema e sair”, conta.

Embora o empreendimento seja motivo de alegria, a jovem viveu momentos tristes e revoltantes. Nas últimas semanas, bombou nas redes sociais a foto de seu namorado usando um dos vestidos do brechó. A “intervenção” aconteceu depois da jovem receber mensagens de assédio em uma plataforma que trabalha exclusivamente com vendas e trocas. O assédio sofrido por Ane não é exclusivo, no Brasil, o número de menções sobre assédio cresceram 324% nos últimos anos. De acordo com o Instituto Avon, atribui-se esta relação a crimes de assédio virtual, assim como o sofrido por Ane.

“No começo, a gente preferiu ignorar os comentários, mas aí surgiu essa brincadeira e decidimos postar a foto do meu namorado como modelo dos vestidos  e acabou tendo muita repercussão, várias pessoas me procuraram para conversar e apoiar. Ele topou, pois usar vestido não afeta a masculinidade dele.” Ane persistiu e vê nessa perspectiva uma chance de continuar resistindo e fazendo seu trabalho.

Além das questões econômicas, os brechós possibilitam resoluções ecológicas, pois com a rotatividade das peças, o descarte será menor e haverá redução de danos no meio ambiente. Seja vendendo peças usadas ou comprando barato, todos saem ganhando!

Nos últimos anos os brechós têm servido de fonte de inspiração para quem quer se vestir bem e se expressar fugindo dos padrões de gênero e rompendo as ditaduras da moda.

A versatilidade é tão grande que existem brechós especializados em roupas afro, queer e até não binárias (sem gênero específico). Ou seja, tem brechó pra todo mundo!