Apoio à ditadura: mídia que defendeu militares não se desculpa

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Da Redação | Imagens: Blog do Saraiva e Intervozes, respectivamente

Reportagem publicada no site Carta Maior, de autoria de Caio Hornstein, afirma que os principais grupos de comunicação do país apoiaram o golpe militar de 1964, com exceção ao jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, e a TV Excelsior, que, como consequência, receberam severa perseguição do regime.

“Passados cinquenta anos do episódio histórico que deu início a uma ditadura que durou mais de 21 anos, os veículos de mídia que apoiaram o golpe têm se visto na obrigação de dar explicações que relativizem sua participação no evento. Valendo-se de desavergonhado contorcionismo retórico, os editoriais dos jornalões têm, em linhas gerais, justificado a opção pelo golpismo como fruto de um período conturbado em que extremismos de todos os lados não teriam permitido um posicionamento moderado”, diz trecho da matéria.

O autor reforça o entendimento de que os meios de comunicação apenas justificam o fato de terem apoiado um regime que hoje é reconhecido como violador de direitos, mas não assumem a responsabilidade pelo amplo apoio dado aos militares. Para o Caio Hornstein, os meios de comunicação procuram passar a imagem de que passaram a defender o retorno à democracia, num falso ato de heroísmo.

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O autor da matéria entrevista a historiadora Beatriz Kushnir, autora do livro Cães de Guarda – jornalistas e censores, do AI 5-à constituição de 1988, que aborda a evidente colaboração que existia entre imprensa e regime militar, desconstruindo “o mito de que houve oposição ferrenha entre a censura do regime militar e os grandes grupos de comunicação”.

A historiadora faz referência ao jornalista Jânio de Freitas para demonstrar o quanto os meios de comunicação foram cúmplices – e não combatentes – da ditadura. Freitas afirmou, na ocasião dos 30 anos do AI-5, Ato Institucional do período do regime militar que “oficializa” a ditadura, dando plenos poderes ao presidente da república e encerrando as atividades do poder legislativo, entre outras questões: “a imprensa, embora uma ou outra discordância eventual, mais do que aceitou o regime: foi uma arma essencial da ditadura. (…) Os arquivos guardam coisas hoje inacreditáveis, pelo teor e pela autoria, já que se tornar herói da antiditadura tem dependido só de se passar por tal”.

O texto pode ser conferido na íntegra clicando aqui.