Movimentos em defesa do meio ambiente usam ocupação de território como estratégia

| Por Amanda da Cruz Costa, da World YMCA para a Agência Jovem de Notícias |

 

Um dos principais objetivos da 23ª Conferência das Mudanças Climáticas (COP23) é promover um espaço de debate sustentável entre governantes, organizações intergovernamentais, agências das Organização das Nações Unidas e sociedade civil.

A organização YMCA Camp Climate atraiu jovens de diversos países com o intuito de estimular a troca, desenvolver o espírito de liderança e formar delegados que possam impactar suas respectivas comunidades. Como parte da agenda, na última quarta-feira (8) a organização levou seus jovens delegados para a ocupação no Bosque Hambac.

Desde abril de 2012 o bosque está ocupado por ativistas contrários à exploração de minas de carvão da Renania, conhecida como Bosque Hambach. A principal objeção do grupo se baseia na poluição atmosférica (emissão de gás carbônico) e na destruição e contaminação causada pelo minério, tendo como consequência o realojamento obrigatório dos povos residentes na região.

O movimento Bosque Hambacher se caracteriza pela postura crítica ao capitalismo e defesa do desenvolvimento sustentável. “Se não fizermos algo, ninguém fará. Nossa atitude não se restringe em viver na floresta, mas em conter a emissão do principal causador das mudanças climáticas”, afirmou o membro do movimento Richard Nowtz*, em referência a emissão de CO2. Por meio da ocupação da floresta e da construção de casas nas árvores, o grupo criou uma rede internacional de ativistas em defesa de suas causas, atraindo atenção global para a urgente agenda.

Ocupação no Bosque Hambach

Os jovens da YMCA tiveram a oportunidade de conhecer o movimento pessoalmente e trocar conhecimentos e experiências com o grupo. Para os ativistas, a COP 23 atraiu atenção para o movimento Hambach, mas a postura adotada pela Alemanha para diminuir as emissões de gases de efeito estufa deve ser mais radical.

“Esse evento é apenas um instrumento para a Alemanha ser admirada em virtude do seu desenvolvimento em prol da energia sustentável, como a eólica e a solar. Contudo, isso não é o suficiente, ainda há muito o que fazer”, disse Richard.

A delegação da YMCA estudou de perto a realidade vivenciada pelos ativistas, como o frio intenso, a dieta vegana e o dia-a-dia na ocupação. “A experiência contribuiu para o desenvolvimento e capacitação dos jovens, sendo fundamental no processo de formação dos nossos futuros líderes”, declarou Mathilde Emile, líder voluntária do YMCA Camp Climate.

*Nome fictício