Ato público abre ano de atividades em memória aos 20 anos do massacre no Carandiru

 Evento marcará início de atividades em memória dos 20 anos do massacre que fez 111 mortos; Dráuzio Varela e Eduardo Suplicy confirmam presença

Neste domingo, 2 de outubro, a partir das 15h, um Ato Público no Parque da Juventude, na Zona Norte de São Paulo, convocado por mais de 40 instituições e movimentos sociais dará início às atividades de memória do Massacre do Carandiru. O médico Dráuzio Varela e o senador Eduardo Suplicy já confirmaram presença, ao lado de outros importantes representantes da sociedade civil.

Durante um ano inteiro, até o aniversário de 20 anos do Massacre, ocorrido em 2 de outubro de 1992 (neste domingo são exatos 19 anos), serão realizadas atividades destinadas a relembrar o episódio e promover a responsabilização do Poder Público e também para trazer ao debate público o tema da segurança pública e da cidadania.

O local do Ato é o ponto em que ocorreu o massacre. Passadas quase duas décadas dessa página da História, os tijolos da Casa de Detenção foram deitados ao chão e, no seu lugar, está hoje o Parque da Juventude.

A construção do parque no lugar da unidade de aprisionamento da juventude, como lembram os representantes das dezenas de movimentos, não veio acompanhada de qualquer mudança na política criminal do Estado: após todos esses anos, ninguém foi responsabilizado pelos 111 assassinatos.

E ainda hoje igualmente o Estado persegue jovens na periferia, em regra pobres e negros, jogando-os na vala imunda e cada vez mais superlotada do sistema carcerário. De 1992 para cá, a população prisional cresceu mais de 400% contra pouco mais de 27% de crescimento da população brasileira.

 

 Relembre o massacre

2 de outubro de 1992: uma pequena desavença entre presidiários do pavilhão 9 da Casa de Detenção do Carandiru se transforma em uma rebelião desprovida de viés reivindicativo ou de fuga. Apesar disso, o Governo estadual da época determinou a invasão da Casa de Detenção por centenas de policiais militares que exterminaram a sangue frio 111 pessoas desarmadas e desesperadas. Foi a maior chacina da história do sistema penitenciário brasileiro.

 

Convocam o Ato e organizam as atividades:

Acat-Brasil, Amparar, Associação Juízes para a Democracia (AJD), Associação Nacional de Defensores Públicos Federais (Anadef), Associação Paulista De Defensores Públicos (Apadep), Centro Acadêmico XI De Agosto, Centro oela Justiça E Direito Internacional (Cejil), Círculo Palmarino, Coletivo 2 de Outubro, Coletivo Cine Bijou – Cinema E Memória, Coletivo Periatividade, Coletivo Vídeo Popular, Comissão De Justiça e Paz, Comissão Teotônio Vilela, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Cooperifa, Defensoria Pública Da União Em São Paulo, Espírito de Zumbi, Estudo, Comida e Cidadania (Ecc), Fórum de Hip-Hop, Geledés, Gepex – Segurança Pública, Justiça Criminal e Direitos Humanos da Unifesp/BS, Grupo Cultural Maracatu Boigy, Grupo Tortura Nunca Mais/SP, Identidade – Grupo De Luta Pela Diversidade Sexual, Instituto Práxis De Direitos Humanos (IPDH), Instituto Terra, Trabalho E Cidadania (ITTC), Instituto Umojá, Justiça Global, Luta Popular, Mães de Maio, Marginaliaria, Movimento Nacional da População de Rua, Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Movimento Negro Unificado, NSN, Núcleo da Situação Carcerária da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Núcleo de Preservação da Memória Política, Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Os Crespos, Pânico Brutal, Pastoral Carcerária, Pastoral Da Juventude, QI Alforria, Quilombaque Perus, Rede Extremo Sul, Sarau da Ademar, Sarau da Brasa, Sarau Elo da Corrente, Sarau dos Mesquiteiros, Sarau Vila Fundão, Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo, Tribunal Popular, Uneafro-Brasil e Versão Popular.


Programação

Ato Público “Carandiru 20 anos: nunca mais?”

Domingo, 2 de outubro, 15h

Parque da Juventude, São Paulo-SP

15h – Ato Inter-religioso

Padre Valdir (Pastoral Carcerária) convida todas as crenças

16h15 – Discursos (intercalados com intervenções poéticas)

Davi (sobrevivente), Dexter, Procurador Antônio Visconti, Eduardo Suplicy, Alípio Freire, Renato Simões, Dráuzio Varela, Sr. Valdemar, Débora Maria (Mães de Maio)

17h45 – Atividades Culturais

Teatro do Oprimido, Shows com Grupos de RAP, Intervenções Poéticas com Saraus da Periferia de São Paulo

Mais informações:

Rodolfo Valente, Pastoral Carcerária: rodolfo@carceraria.org.br 3151-4272 | 81145970

Paulo César, Instituto Práxis: paulo@ipdh.org 88522408

Débora Maria, Mães de Maio: maesdemaio@gmail.com (13) 8124-9643 | (13) 8804-7968

Rafael Godói, Coletivo 02 de Outubro: godoirafa@gmail.com 9546 0181