Fórum Social Temático tem início com contrastes nas cores e nas ideias

Por: Jhonathan Pino

Movimentos destoantes e uma palavra em comum fazem parte da marcha de abertura do Fórum

Diversidade foi a marca do primeiro dia do Fórum Social Temático (FST), que teve início nesta terça-feira, 24, com uma marcha pelo centro da cidade de Porto Alegre que reuniu 20 mil pessoas. Ambientalistas, partidários políticos, redes de discussão, africanistas e a união de movimentos contra a marcha fizeram parte de uma tarde, que até em seu clima, mostrou-se diverso: variando entre o sol intenso com muito calor e fortes pancadas de chuva que dispersaram, mas não calaram, os clamores da sociedade civil ali organizada.

Milena Souza veio de Brasília para integrar a Rede Estudantil de Classistas Combatíveis (RECC). O grupo aproveitou a oportunidade para
manifestar a luta de classes dos movimentos estudantis e operários. O vermelho e preto de sua bandeira era precedido pelo colorido da bandeira da ONG Somos, uma entidade gaúcha que prega a cultura de respeito às sexualidades, através da educação da sociedade e afirmação de direitos. “Manifestamos a liberdade sexual, independente de partido político e opção sexual. Temos aqui gays, travestis e héteros que querem que nossos direitos sejam conquistados”, disse Diego Severo um dos integrantes da ONG na marcha.


Também buscando o reconhecimento de seus valores, estavaum dos fundadores do Movimento Nacional pela Representação para o Povo Negro e para os Indígenas, Editon Dias. Criado em 2008, o movimento quer a real inclusão desses povos na história da nação brasileira. “Queremos que o Estado brasileiro inclua os povos afro-brasileiros nos regimentos da nação, pois nós estamos à margem dos direitos existentes”, explica Editon.

Sem quaisquer bandeiras que identifiquem um movimento único, um grupo reunia vários segmentos pouco homogêneos, como os comitês populares da Copa e os grupos autônomos que combatiam as diversas formas de opressão de todo o sistema capitalista. “Repudiamos o massacre de Pinheirinhos, os crimes cometidos pelo Estado Brasileiro, a Comissão da Mentira, que busca revelar a verdade da época da ditadura e a Usina de Belo Monte.”, ressalta Rodrigo Brisa ao revelar que o movimento na verdade é contra a
marcha.