Para ministra, Parada LGBT precisa transformar seus dois milhões de participantes em votos no Congresso

coletiva

Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos, falou da dificuldade de ter projetos, como o que criminaliza a homolesbotransfobia, aprovados em Brasília

Por Maria Carolina Branco e Larissa Leão Gondin, adolescentes comunicadoras da Agência Jovem de Notícias, em São Paulo (SP)

Educomunicador: Rafael Silva

SÃO PAULO – A coletiva de imprensa da 18ª Parada LGBT de São Paulo foi realizada na manhã deste domingo, 04, com a presença de autoridades públicas e de organizares do evento, que apontaram a necessidade de efetivar políticas públicas que garantam a criminalização da homolesbotransfobia, tema deste ano. Entre os presentes estavam o prefeito da cidade Fernando Haddad (PT), o governador  Geraldo Alckmin (PSDB) e a ministra da Secretaria de Direitos Humanos Ideli Salvatti.

Entre os assuntos discutidos na mesa, foi destacada  a necessidade da criação de uma lei que puna quem comete crime contra o individuo, agravado pela sua orientação sexual. Foi possível observar nos discursos a luta de reafirmação de valores, que traziam mensagens de cidadania e direitos humanos.

“Não há diferença, somos todos iguais. Chega desta visão retrógada da sociedade” disse Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. A veracidade desta fala é perceptível comparada aos índices de que o Brasil é o país que lidera o número de mortes de travestis e transexuais no mundo. Entre janeiro de 2008 e abril de 2013, foram registradas 486 mortes, quatro vezes a mais que no México, segundo colocado no relatório da ONG Transgender Europe.

A ministra Ideli falou das dificuldades de fazer um projeto de lei, como a que criminaliza a homolesbotransfobia, passar no Congresso. Ela diz que há briga de poder, exercido principalmente por homens, ricos, brancos e heteros. “A Parada coloca dois milhões de pessoas nas ruas. É preciso transformar isso em votos no Congresso”, afirmou.

O governador Geraldo Alckmin lembrou que São Paulo é a terra da diversidade e que o Estado tem aprovado, desde 2001, uma lei com punições administrativas contra quem cometer crime homofóbico. Ele aproveitou para anunciar o novo Museu da Diversidade, que será instalado em um antigo casarão da Avenida Paulista.

Para Haddad, “hoje é um dia cívico, de luta, reflexão e mobilização. Um dia que não é apenas festa, e sim uma grande manifestação em prol dos direitos civis”. Ao final, todas e todos desejaram uma boa Parada e que seus participantes, ao término, continuem engajados ao longo do ano, já que, infelizmente, o preconceito ainda está com muita força na sociedade e é tarefa de todos continuar no avanço e luta para o fim desta doença social.