Especialista diz que sociedade civil deve estar mais presente nos espaços oficiais da ONU

Coordenador de processos internacionais da Vitae Civilis, Aron Belinky conta que, apesar dos diferentes interesses dos movimentos sociais, é preciso buscar campos em comum entre eles para dialogar com as Nações Unidas

Por Rafael Stemberg, da Agência Jovem de Notícias, em São Paulo (SP) / Foto: Gutierrez de Jesus

Para o geógrafo e coordenador de processos internacionais da organização ambientalista Vitae Civilis, Aron Belinky, existe uma dificuldade de se estabelecer um diálogo entre movimentos sociais que atuam de formas diferentes no campo político. E, sem isso, fica difícil se posicionar como sociedade civil dentro do sistema oficial da ONU. “A gente perde muito no movimento quando nos preocupamos mais em identificar os inimigos do que em construir os campos de cooperação”, disse na tarde da última quinta-feira, 29, durante coletiva em São Paulo (SP).

O especialista citou o que aconteceu na Rio+20, quando os organizadores de um evento paralelo, a Cúpula dos Povos, conseguiram transitar e discutir tanto com membros da ONU quanto com os diferentes coletivos sociais que estiveram no Rio de Janeiro em junho.

Apesar dos contrapontos entre as organizações, Belinky diz que isso não impede de encontrar um ponto de consenso entre eles. “É preciso estabelecer um diálogo com esse pedaço da sociedade civil que está acompanhando mais de perto o processo oficial da ONU. É meio conversar com os diferentes, porque muitos desses movimentos estão dentro dos conformes, jogando com as regras do sistema atual”, diz.

“Obviamente que a gente tem interesses diferentes, mas temos de ser capazes de estabelecer diálogos porque temos pontos em comum”, conta o especialista, que acompanhou presencialmente todas as reuniões preparatórias do processo oficial da Rio+20. O encontro da ONU reuniu representantes de 193 países para discutir e elaborar um documento com metas sobre sustentabilidade.

A fala ocorreu em entrevista coletiva da oficina de Jornalismo Ambiental realizada pela Fundação Friedrich Ebert Stiftung em São Paulo. A capacitação, voltada a comunicadores, aborda questões de sustentabilidade com o objetivo de aprimorar o trabalho de jornalistas que cobrem meio ambiente.