Educação volta a aparecer nas discussões sobre clima

Luiza Winckler*, da Agência Jovem de Notícias

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Discutindo temas complexos e técnicos como adaptação, mitigação, mecanismos de financiamento, REED+, a COP 20 avança e está perto do final da sua primeira semana. Lugar de destaque também vem tendo o tema da educação. E por educação aqui em Lima se entende o chamado Artigo 6 da Convenção sobre o Clima que fala sobre educação, treinamento e conscientização pública acerca das mudanças climáticas.

Muitos países e organizações já trabalham com educação e conscentização em torno do tema das mudanças climáticas, mas é reconhecido aqui que um esforço maior dever ser feito para alcançarmos bons resultados.

Um programa de trabalho acerca da educação foi adotado em 2002, quando os países se comprometeram criar e implementar planos nacionais de educação sobre as mudanças climáticas. Devido à sua importância, o tema ganhou destaque e lugar de aprofundamento nos encontros promovidos pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) todos os anos em Bonn, na Alemanha. É nesse espaço onde mais se discute sobre educação e são realizados workshops e consultas para melhorar seu desenvolvimento.

Em 2014, o Secretariado da UNFCCC preparou um relatório sobre as boas práticas de participação das partes interessadas na aplicação do Artigo 6. Foi acordado nesse processo que cada país teria um ponto focal para tratar desse tema. Apesar disso, muitos países ainda não o fizeram ou não levaram muito a sério a implementação do ponto focal e dos planos nacionais de educação.

Sendo assim esse é um dos grandes desafios, tanto dos governos quanto da sociedade civil, de levar mudanças climáticas para todos os espaços de educação: escolas, movimentos de jovens, ong etc. Sem esquecer que é necessário educar crianças, adolescentes, jovens e também adultos, de forma interdisciplinar, baseada numa vivência de realidade e holística, que não trate apenas de ciência mas também do nosso relacionamento com o meio em que vivemos e os seres vivos que nele estão.

A boa notícia é que o tema voltou a aparecer aqui na COP de Lima durante as discussões para se chegar a um texto-base que servirá para as negociações até o final desta COP e para o acordo de 2015 em Paris.

Tecnicamente, feita uma submissão (apresentação de ideia para o texto) e algumas colocações estão sendo feitas pelos países, mas o texto em geral foi bem recebido pelas partes, inclusive pelo G77 e China (bloco do qual o Brasil faz parte), que nos leva a acreditar que esse tema estará no texto final que sairá de Lima e no acordo de 2015.

Para melhorar nossas expectativas sobre educação nos resultados dessa COP, um momento importante aconteceu quando a Polônia, país que fez a submissão sobre educação, chamou a juventude para contribuir com seu texto e colocar suas ideias. Os jovens que estão contribuindo fazem parte do grupo de trabalho em educação da Youngo, a circunscrição de jovens junto à ONU nas negociações sobre o clima.

*Integrante da delegação brasileira na COP20