HIV/aids: prevenir, testar e tratar numa linha tênue de causa e consequência

Diego_Brasília

Diego Callisto, de Brasília (DF)*

Nessa terça-feira (19), aconteceu em Brasília, no Departamento de DST, Aids  e Hepatites Virais,  a reunião do GT (Grupo de Trabalho) consultivo de Comunicação sobre o Dia Mundial de Luta contra a Aids 2014 e para o Carnaval 2015. Participaram representantes da sociedade civil, comunicadores, governo e gestores.

O objetivo foi pensar e elucidar ideias e estratégias pertinentes ao cenário de enfrentamento da aids atual e, também, contemplar parâmetros e objetivos mais amplos, como a meta regional para a América Latina estipulada pelo  Programa Conjunto das Nações Unidas Sobre HIV/Aids (Unaids) , pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Grupo de Cooperação Técnica Horizontal e Sociedade civil.

O diretor do Departamento,  Fábio Mesquita, ressaltou, na abertura da reunião,  a importância de nos consultar para a construção da campanha e, sobretudo, de poder escutar as pessoas que são ou trabalham com as chamadas populações-chave, isto é, comunidades com risco acrescido e maior prevalência em relação ao HIV.

Fábio disse ainda que a epidemia no Brasil é concentrada e é preciso trabalhar junto das populações mais afetadas para criar estratégias que acessem esse público, principalmente os jovens. Destacou que a nova geração não viveu as ondas da epidemia nas décadas de 1980 e 90 e, por isso, está banalizando a aids  e os insumos de prevenção, encarando a doença como tratável e sem consequências decisivas e importantes em suas vidas.

Outro aspecto importante da reunião foi com relação aos objetivos da nova campanha, a ser lançada no próximo 1º de dezembro, que envolvem a testagem e a adesão precoce ao tratamento. Ou seja, o mesmo protocolo lançado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids do ano passado, que recomenda  o uso dos antirretrovirais no ato do diagnóstico, independentemente da contagem de CD4 e da carga viral. Também adota a ampliação da testagem, por meio do programa Viva Melhor Sabendo, dirigido às populações-chave.

Além disso, a nova campanha tem como objetivo reduzir a mortalidade e a morbidade e prevenir a transmissão do HIV, levando em conta que a finalidade do tratamento é deixar a carga viral suprimida. Segundo estudos, em pessoas com carga viral indetectável, a transmissão do HIV, por meio de relações sexuais, cai em até 96%.

Ainda com relação à nova campanha, ela vem também alinhavada à meta regional para a América Latina, a meta 90/90/90, que tem por finalidade alcançar um total de 90% das pessoas testadas, 90% das pessoas tratadas e 90% das pessoas com carga viral suprimida – daí o tratamento ser reforçado como uma ferramenta também de prevenção do HIV.

Como foco da campanha que será divulgada  o próximo 1º de dezembro , definiu-se a população jovem, de 15 a 24 anos, que contempla também as populações-chave ,  como pessoas trans,  jovens gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), trabalhadores sexuais, carcerários e usuários de drogas injetáveis.

Porém, outras ações, mecanismos e estratégias serão desenvolvidos para acessar diferentes públicos na próxima campanha, tanto do ponto de vista do aspecto geral da população, em todas as faixas etárias, quanto estratégias lincadas à campanha do Dia Mundial.

A nova campanha terá de contemplar,  também, outros cenários como o dos profissionais da saúde, da falta de manejo adequado nos serviços e da incidência da aids na terceira idade, que culmina diretamente no aumento do número de óbitos pela doença. Além disso, foi consenso que as ações de prevenção e de visibilidade em relação à aids devem ser trabalhadas não só nesses dois calendários, mas durante o ano todo, encadeadas à linha de abordagem da campanha do Dia Mundial.

O GT foi muito plural e rico de opiniões e informações, permitindo às pessoas envolvidas na construção da campanha ter um parâmetro do ponto de vista das questões envolvendo camisinha e seu discurso, cardápio de prevenção e profilaxias disponíveis, questões ligadas a comportamento, gestão de risco, educação sexual e, principalmente, como e onde explorar as tecnologias de informação e comunicação (TICs).

*Membro da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo e Convivendo com HIV/Aids, do Pacto Global para o pós-2015 e do Fórum Consultivo de Juventude do UNAIDS