Conferência de Política para Mulheres começa em Brasília com discursos de resistência ao golpe

Maria Camila Florêncio, enviada especial da AJN a Brasília (DF)

“No meu país eu boto fé, porque ele é governado por mulher”, “fica, querida!”, “golpistas, machistas, não passarão!”, “não vai golpe, vai ter luta” e “fica, querida!” foram alguns dos gritos de luta que ecoaram no auditório do Centro de Convenções Ulisses Guimarães na tarde desta terça-feira, dia 10, onde ocorreu a cerimônia de abertura da 4ª Conferência Nacional de Política para as mulheres.

Durante a abertura, as convidadas da mesa quase não conseguiam finalizar frases dos seus discursos, sem que alguma mulher da plateia puxasse algum coro. O clima era de festa para sociedade civil, mas pareceu de despedida na fala da Secretária da Secretaria de Política para as Mulheres Eleonora Menecucci, que disse estar orgulhosa de participar desse momento histórico da “última”, corrigindo imediatamente para “quarta” Conferência.

As grandes agendas de políticas públicas para as mulheres como a de igualdade no trabalho e legalização do aborto foram citadas. Mas o assunto da pauta era mesmo a defesa da democracia.

A presidenta Dilma afirmou que a história vai dizer que houve preconceito contra a mulher neste processo golpista de impeachment e que isso aconteceu por ser a primeira mulher eleita pelo voto popular no Brasil. Mas, ressaltou que sua capacidade de resistir também decorre do fato de ser mulher. “”Não estou cansada de lutar, estou cansada desses ileais e traidores”. “Eu tenho plena consciência que eu tenho que honrar as mulheres do meu país”, diz ela. “Nossa força não está em sermos ferozes, nossa força não está em sermos raivosas. Nossa força está em sermos lutadoras, guerreiras”, completa.

Após sua fala, a abertura foi encerrada e Dilma seguiu no cortejo de mulheres que estavam na cerimônia. A Conferência segue com a aprovação do regulamento interno, em que constam os procedimentos e regras para debate e votação das propostas nos próximos três dias. Hoje, quarta (11) o processo de impedimento vai ser votado pelo Senado.

Por hora, uma sensação muito estranha permanece: a de planejar um futuro que tem grandes chances de não ser concretizado. A única certeza é de que haverá resistência.