A montage blend of African American faces close up, both men and women with different shades and colors in skin tone. Melanin beauty.

Sofrimento: uma leitura da desigualdade

Ser preto, homossexual, gorda ou mulher, não é a causa de um sofrimento. Quando escuto nos meus atendimentos ou até mesmo em espaços públicos pessoas dizendo que sofrem por suas condições, me dá um interesse gigante de transformar essas falas em perguntas:

Por que ser gordo ou gorda te faz sofrer? Homossexual? Preto ou preta? 

Reconhecer nossas condições é fundamental, mas reafirmo não são nossas condições por si só que nos fazem sofrer, mas sim as fantasias que estão no pacto do laço social que nos faz sofrer. 

Quando tratamos o corpo preto de forma dialética, retomamos também um imaginário sobre o corpo branco, ou se tratamos o corpo gordo, retomamos também narrativas e imaginários do que é ser magro; essas fronteiras apresentam a materialidade do sofrimento psíquico, uma vez que essas fronteiras revelam hierarquias no meio social, ou seja, as relações, as identidades, narrativas e fantasias sustentam relações de poder entre os sujeitos. 

Esses marcadores apontam como a violência se impõe sobre a cultura e o que é mantido e aceito em uma dada sociedade, ou seja, o sofrimento tem uma dimensão sociopolítica. Como se livrar dessas armadilhas sociais?

  1. O silenciamento é uma forma de manter o poder sobre o outro, o que não é dito não tem trabalho subjetivo e nem social, no sentido de gerar desconstruções, reflexões e mudanças de pactos social, por isso fale sobre seus sofrimentos. 
  2. Na atualidade, muito por fatores e ideologias meritocráticas e positivistas temos por hábito nos culpabilizar e tomar o sofrimento apenas na sua dimensão individual, mas em uma sociedade tão desigual como o Brasil precisamos compreender que existe uma dimensão nanopolítica e macropolítica que concede direitos a vida pública, ao poder algumas classes e outras para ter os mesmos direitos precisam romper com inúmeras dificuldades.
  3. A cultura do embranquecimento e também a falsa democracia no âmbito de consumo, velam as reais diferenças sociais e econômicas entre os sujeitos, ser crítico e pensar sobre nossa realidade é um grande capital de poder e apropriação da nossa história, mas vale ressaltar que o reconhecimento não determinista, no sentido de fixar “o que somos ao que devemos ser”, mas pensar a partir do que somos o que podemos e desejamos ser?
RyanJLane | Getty Images

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