Jéssica Campos_Crédito Leo Aguiar

SLAM BR On-Line – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada

SLAM BR de 2021 convida todos os campeões e campeãs das edições anteriores e convidados especiais

Participantes representaram o Brasil na Coupe Du Monde de Slam na França; evento também tem aula com o escritor Marcelino Freire, quatro oficinas, um debate sobre slam queer (slam cuir), entre outras atrações

Competições acirradas, com poetas recitando seus textos originais e autorais de maneira rimada e compassada, em performances julgadas por membros da plateia. Assim acontecem as disputas de SLAM (campeonato de poesia falada, em que a palavra é o personagem principal e a escuta é um dos maiores objetivos). Este ano haverá uma edição especial: o SLAM BR On-Line – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, de 4 a 7 de março de 2021, de maneira totalmente virtual.

Jéssica Campos_Crédito Leo Aguiar

Apresentado pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, o SLAM BR acontece todo final de ano e reúne os campeões e campeãs estaduais em uma grande competição nacional. Em 2021 será realizada uma edição da qual participam os campeões e campeãs das seis edições do SLAM BR, além de campeões do SLAM SP e ZAP! Slam. Todos eles foram representantes do Brasil na Coupe Du Monde de Slam (Copa do Mundo de Slam), que acontece anualmente na França.

As apresentações serão exibidas nas páginas do YouTube (youtube.com/nucleobartolomeu) e do Facebook do SLAM BR (https://www.facebook.com/POETRYSLAMBRASIL). Estão programadas outras atrações, também transmitidas via online, como mesa de debate, exibição de filme, oficinas e uma masterclass com o escritor Marcelino Freire.

“Como se trata de campeões e campeãs, pode-se esperar performances com um nível muito alto, pois os participantes têm muita experiência no slam, estilos muito próprios e personalidades fortes. Muitos deles, para além do slam, são cantores, rappers, atrizes e atores”, antecipa diz Roberta Estrela D’Alva, diretora, idealizadora e apresentadora do projeto.

O slam chegou ao Brasil pelas mãos de Roberta e foi encampado pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. Reúne poetas da cena nacional dos Poetry Slams, batalhas de poesia falada surgidas na década de 1980 nos EUA celebradas em milhares de l comunidades ao redor mundo e que hoje se estabeleceram como uma das mais democráticas formas de expressão popular, conquistando cada vez mais adeptos e espectadores.

Espalhando poesia

Assim como nos saraus mais tradicionais, a ideia do formato poetry slam é democratizar a poesia. Como temas, as batalhas trazem coisas do cotidiano, como a homofobia, o racismo, o machismo, preconceito, a violência, entre outros temas.

As chaves da competição acontecem nos dias 5 e 6 de março, sexta-feira e sábado, às 19h, e serão transmitidas via Zoom. A grande final acontece no dia 7 de março às 19h. O público vai poder interagir via chat, e os comentários vão pro ar durante a exibição.

SLAM BR Especial Online com a participação dos campeões e campeãs das edições do festival SLAM BR 2014 a 2020: João Paiva (MG), Lucas Afonso (SP), Luz Ribeiro (SP), Bel Puã (Recife), Pieta Poeta (MG), Kimani(SP) e Jessica Campos (SP), mais os ganhadores do Slam SP e do ZAP! que representaram o Brasil na França : Emerson Alcalde, Lews Barbosa e Fabio Boca, respectivamente. As batalhas acontecem durante três dias – sexta e sábado acontecem as semifinais e, no domingo, seis artistas se enfrentam na final.

Ações formativas

Além das apresentações, o SLAM BR vai oferecer três atividades abertas ao público e gratuitas (e terão acessibilidade em libras), transmitidas nas redes do Núcleo Bartholomeu.

Na quinta, dia 4 de março, às 20h, haverá uma abertura com a participação especial de lideranças do slam no Brasil. Às 21h o escritor pernambucano Marcelino Freire falará um pouco de sua trajetória, dando dicas de escrita, a exemplo de como enxugar um texto, trabalhar a linguagem, dar vida a um personagem, desenvolver uma ideia, organizar um livro, não importando o gênero literário.

No sábado, 6 de março, às 16h30, o poeta trans Tom Grito faz a curadoria e media uma conversa com representantes sobre os caminhos do slam dentro da comunidade LGBTQIA+, inclusive com discussões sobre o “abrasileiramento” do termo “Queer”, que vem sendo utilizado no slam como “cuír”.

Antes da final, no domingo, 7 de março, às 16h30, será exibido o filme Slam: Voz de Levante, que retrata diversas cenas dos poetry slams pelo mundo Chicago, NY, Paris, Rio e São Paulo. A exibição será seguida por um debate com as diretoras Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D’Alva.

Estão programadas também quatro oficinas com os participantes: na quinta, Slam e Performance, com Roberta Estrela D’Alva; na sexta, Slam e escrita, com Claudia Schapira; no sábado, Slam e expressão corporal, com Luaa Gabanini; e no domingo, Contextos sociais e políticos do poetry slam, com Eugênio Lima.

Mais sobre o SLAM BR

Em seu sentido estrito, o Poetry Slam ou Slam, pode ser definido como um “jogo”, ou ainda “esporte da poesia falada”. Mas para além disso, ele é reconhecidamente um movimento social, cultural e artístico que tem sido utilizado como plataforma para criar espaços onde a manifestação da livre expressão poética, do livre pensamento e a coexistência da diversidade são experienciados como prática de cidadania.

Em seus mais de 35 anos de existência, os poetrys slams se converteram em ágoras onde questões da atualidade são debatidas, inclusive com referências socioculturais e políticas. A auspiciosa junção de política, arte, entretenimento e jogo, somados à sua vocação comunitária, fazem com que os slams sejam celebrados em comunidades com realidades completamente distintas no mundo todo.

O SLAM BR acontece desde 2014 e reúne poetas da cena nacional dos Poetry Slams, batalhas de poesia falada surgidas na década de 1980 nos EUA e que hoje se estabeleceram como uma das mais democráticas formas de expressão popular em todo o mundo.

Por muito tempo, a poesia era somente produzida e apreciada em meios acadêmicos. Era. Assim como nos saraus mais tradicionais, a idéia do formato poetry slam, é democratizar a poesia e devolvê-la novamente às pessoas tendo como ponto de partida um jogo cênico onde, como em todo jogo, a torcida, a emoção e o senso de participação façam parte do encontro.

PROGRAMAÇÃO

04 de março de 2021, quinta-feira

das 14h às 16h: Oficina I – Slam e Performance, com Roberta Estrela D’Alva

Essa oficina trará aos/às participantes noções básicas sobre o poetry slam tendo a performance poética como foco, em seus aspectos narrativos e teatrais, trazendo-os à prática por meio de exercícios de percepção exploram a relação do texto escrito com a fala e à postura cênica do corpo.

das 20h às 22h: Noite de abertura + Masterclass com o escritor Marcelino Freire

Live de abertura onde os/as poetas serão “recebidos”, e será feita a apresentação da programação. Na sequência o escritor Marcelino Freire faz sua masterclass, uma performance que mistura aula e show, onde a partir de seu último livro “Bagageiro” traz de maneira bem humorada dicas para a nova geração de poetas.

05 de março de 2021, sexta-feira

das 14h às 16h: Oficina II – Slam e escrita, com Claudia Schapira
As etapas da criação do texto, partindo de sua relação com o depoimento pessoal e as histórias de vida de quem escreve. A partir de exercícios narrativos, noções de dramaturgia e “poemas de ação cênica” para colaborar na construção da palavra com foco na performance poética que se dá em um slam.

das 19h às 21h: Eliminatória 1 [chave com 5 poetas] – Slam BR Especial On-line

Chave 1 – com cinco poetas vencedores de anos ímpares: Fabio Boca, Emersom Alcalde, Lucas Afonso, Bell Puã, Kimani.

06 de março de 2021, sábado

das 14h às 16h: Oficina III – Slam e expressão corporal, com Luaa Gabanini
Serão trazidas algumas noções básicas de expressão corporal a partir de exercícios cênicos, em busca de ampliar o repertório dos/das participantes. A composição de narrativas corporais que se dão dentro da performance poética em um slam será o foco desta oficina.

das 16h30 às 18h30 – Debate 1 – Slam Cuir, com Tom grito (RJ) + 3 poetas convidades (Kuma França, Kika Sena e Abigail Campos Leal)
Tom Grito conduz a mediação de um papo transcentrado sobre os atravessamentos da teoria cuír (abrasileiramento do termo “queer”) sobre corpas trans de poetas da cena do slam. Quais as urgências desta população? O espaço do slam é seguro para corpas em transição? Como a poesia afeta e cuida? Participam desta mesa Kika Sena, Kuma França que são poetas que transicionaram nos espaços do slam e Abigail Campos Leal que é uma das fundadoras do único slam transcentrado do Brasil, o slam Marginália (SP).

das 19h às 21h: Eliminatória 2 [chave com 5 poetas] – Slam BR Especial On-line

Chave 2 – com cinco poetas vencedores de anos pares: Lews Barbosa, João Paiva, Luz Ribeiro, Piê, Jéssica Campos.

07 de março de 2021, domingo

das 14h às 16h: Oficina IV – Contextos sociais e políticos do poetry slam, com Eugênio Lima
Serão analisadas as implicações dos poetry slams em seus aspectos político-poéticos no Brasil, desde seu surgimento em 2008, seu estabelecimento nos espaços públicos até sua progressão pelas periferias do Brasil, e os grupos sociais que fizeram desses espaços locais de resistência e existência.

das 16h30 às 18h30 – Exibição do filme Slam: Voz de Levante + Debate com as diretoras
Exibição do filme Slam: Voz de Levante (2017, 81min) com direção e roteiro de Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D’Alva. Sinopse: Em Chicago, NY, Paris, Rio e São Paulo, a mesma cena com diferentes faces: os poetry slams, batalhas poéticas performáticas, se firmam como encontros que instigam a criatividade e o convívio entre diferentes e surgem diante da onda política conservadora mundial como ágoras do livre pensamento e expressão. No Brasil, a poeta Luz Ribeiro vence o campeonato nacional e vai para a Copa do Mundo de Poetry Slam em Paris, representando a nova vertente negra e feminista que tem se firmado pela virulência de seu verbo politizado.

às 19h: Final [chave com 6 poetes] – Slam BR Especial On-line

SERVIÇO

SLAM BR 2021

De 04 a 07 de março de 2021

Transmissão, via Zoom, no youtube.com/nucleobartolomeu e no https://www.facebook.com/POETRYSLAMBRASIL

On-line | Gratuito | Todas as atividades acessíveis em LIBRAS.
Informações para a imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques | Carol Zeferino | Daniele Valério
marcia@canalaberto.com.br | carol@canalaberto.com.br | daniele@canalaberto.com.br
Fones: 11 2914 0770
Celulares: 11 99126 0425 – Márcia | 11 99425 1328 – Carol | 11 98435 6614 – Daniele 

Poetes competidores

Kimani, nome escolhido pela poeta e cantora Cinthya da Silva Santos, para os campeonatos de SLAM – batalhas de poesia falada – significa ‘menina dócil’, mas, foi com versos ágeis e fortes que ela garantiu a mais cobiçada vaga neste esporte no Brasil: SLAM BR 2019 e a chance de representar o país na Copa do Mundo de Poesia Falada na França (La coupe du monde de slam) em 2020. Nascida em 1993 no Grajaú – periferia da capital paulista – começou a escrever e fazer poesias aos 7 anos, mas só esteve no primeiro slam em 2017, na zona norte da cidade.

Jéssica Campos, 21 anos, slammer, começou a escrever a 4 anos atrás, publicou seu primeiro livro “Transcrevendo a Marginalidade” em fevereiro de 2020. Faz faculdade de Ciências Sociais, pois acredita que entender a sociedade é o ponto de partida. Militante desde 2016, mora no Capão Redondo, Extremo Sul, é uma das organizadoras do Sarau Do Capão, que vem com a intenção de incentivar os trampos periféricos e escutar a voz da quebrada. É também Educadora do Cursinho Popular Carolina de Jesus, pois acredita em uma educação pública, libertadora e de qualidade.

Lucas Afonso é MC, Arte-Educador, autor do livro A Última Folha do Caderno, Campeão do Slam Brasil 2015 e representante do Brasil na Copa do Mundo de 2016, na França.

João Paiva, MC da cultura Hip Hop, poeta marginal da cidade de Belo Horizonte, professor da rede pública do estado de Minas Gerais, campeão do SLAM BR em 2014, do International Slam da Flupp em 2015. Lançou seu primeiro disco em 2018, chamado “A Balada do Guerrilheiro” e o segundo em 2021, chamado “Olaria parte baixa”.

Emerson Alcalde é slammer, escritor, ativista social e co-fundador do Slam da Guilhermina, o segundo slam do Brasil e primeiro a ser feito na rua. E slammaster dos eventos: Madalena Slam Jazz, Torneio dos Slams – Encontro Estéticas das Periferias, Slam Nacional em Dupla FPA, Slam Interescolar SP. Autor dos livros: (A) MASSA (2011), O Vendedor de Travesseiros (2015) e Diário Bolivariano (2019) e Gênesis (2020). Organizou e participou de diversas antologias marginais-periféricas entre elas a Coleção Slam pela editora Autonomia Literária. Já se apresentou na Venezuela, Argentina, Caribe, Canadá, México e França. Vice-campeão da Copa do Mundo de Slam de Paris. É patrono da AEL (academia estudantil de letras) da EMEF Dr. José Augusto Cesar Salgado.

Pieta Poeta é professor, escritor, músico de Belo Horizonte.

Fabio Boca énascido na zona oeste de São Paulo, começou seus versos através do Rap em 2001, e a partir de então foi conhecendo e entendendo a poesia em seu caminho. Em 2011 conheceu o ZAP! Slam o que o levou a representar o Brasil em Paris, em 2012. Cartazista de profissão, une a caligrafia e a poesia como linguagem artística, mas como cria de sarau, a oralidade se faz sempre presente em sua poesia.

Luz Ribeiro, em tempos de redes sociais, prefere pousar em redes de balanços e afetos, Integra o grupo de pesquisa e teatro “coletivo legítima defesa”. escreve desde que fora alfabetizada e nem por isso se acha poeta, sonha com o dia que será poesia. campeã do “slam flup nacional” (2015), campeã do “slam br” (2016) e semi finalista da “coupe du monde de slam de poésie” (FRA – 2017). Protagonizou um dos capítulos da série “bravos” na tv brasil. autora dos livros: “eterno contínuo” (2013) , “espanca estanca” (2017) e “novembro [pequeno manual de como fazer suturas]. 33 anos, raiou no verão de são paulo, gosta de escrever com letrinha minúscula, nasceu antes de aquário pra presa não ficar. luz é: mar-mãe de ben e filha-mar de odoya.

Lews Barbosa é um Rapper e poeta paulistano que está no cenário artístico desde os anos 90. Hoje desenvolve um projeto independente que contempla música, literatura, oralidade e comunicação visual conectando todos esses elementos artísticos.

Bell Puã é poeta, cantora, compositora e atriz pernambucana, além de mestre em História pela UFPE. Foi vencedora do Campeonato Nacional de Poesia Falada – SLAM BR 2017, representante do Brasil na Poetry Slam World Cup 2018, em Paris, e convidada da FLIP 2018. Vencedora do Prêmio Malê de Literatura (2019), é autora dos livros “É que dei o perdido na razão” (Castanha Mecânica, 2018) e “Lutar é crime” (Letramento, 2019), sendo esse último finalista do Prêmio Jabuti 2020.

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