SESC Avenida Paulista pauta acessibilidade para além do espaço físico

Por Sol Almeida e Maria Soares, da Agência Jovem de Notícias São Paulo

Quando se pensa em acessibilidade, falamos não só de mobilidade mas também de interação, sociabilidade, acesso à cultura e ao esporte. No terceiro dia de inauguração do SESC Avenida Paulista, que tem como tema “Corpo, tecnologia e arte”, buscamos entender como a questão da acessibilidade se mostrou presente.

A unidade encontra-se em meio a avenida mais famosa da cidade, famosa inclusive por ser espaço alternativo de lazer aos domingos e feriados. Sendo assim, fomos conferir como as pautas de acessibilidade estavam na programação.

No feriado do dia do trabalhador, ouvimos dois  profissionais dos esportes paralímpicos brasileiros, Alex Souza, esgrima em cadeira de rodas e Dirceu José Pinto, bicampeão paralímpico de bocha adaptada. Uma questão importante que foi norteadora para entender acessibilidade e esporte, foi saber sobre a visibilidade das modalidades de esportes paraolímpicos na mídia.

O atleta Dirceu pontua a importância da mídia em dar espaço para as novas modalidades e incentivar outras pessoas com deficiência a procurar no esporte uma possibilidade de viver. “O trabalho da mídia é importantíssimo e contribui tanto em apresentar as novas modalidades quanto em incentivar pessoas com deficiência a saírem de casa… Assim como em 2016 que foi histórico no Rio de Janeiro, mesmo com algumas pessoas não entendendo, tivemos no Rio uma das melhores Paralimpíadas, demos um show”.

Alex Souza reforça a importância das paralimpíadas do Rio como um expoente das modalidades, de modo que fizeram aumentar os investimentos e mídias sobre os atletas brasileiros. No entanto, aponta que não houve continuidade nesses investimentos, tanto do governo quanto da iniciativa privada. “Nós tivemos um ‘boom’ durante as olimpíadas do Rio, eles fizeram um investimento muito grande, só que a gente não viu a continuidade disso, nós achamos que isso ia ter uma continuidade… Não é segredo pra ninguém que o país está passando por uma crise e a primeira coisa que se corta é cultura e esporte”.

Fomos a campo no SESC perguntar ao público sobre acessibilidade e visibilidade dos esportes e atletas paralímpicos. De todos os entrevistados, nenhum soube citar o nome de um atleta, mas falaram sobre as categorias adaptadas para atletas com alguma deficiência. No entanto, muitos enxergam o SESC como um espaço convidativo e acessível para diversos públicos. Para alguns, inclusive, o SESC é referência em acessibilidade em suas unidades.

Ligia Zamaro, assistente para acessibilidade da rede SESC, nos contou que as unidades sempre trabalham pensando em acessibilidade, com o desafio de contemplar a diversidade de público, incluindo pessoas com deficiências físicas. Ela pontua que há espaços e trabalhos que são acessíveis fisicamente e que proporcionam experiências que ampliam o acesso cultural dos visitantes. “A gente tem um trabalho que é voltado para que todos os espaços sejam acessíveis fisicamente, e também as experiências“, conta.

Sobre tecnologia, ela aponta:  “No caso da acessibilidade é muito fundamental  contar com a tecnologia como smartphones, tablets, aplicativos […] como uma maneira de diminuir as distâncias. A tecnologia também nesse aspecto da deficiência é uma ponte para que as pessoas tenham mais horizontes para explorar”.

No fim da nossa cobertura conhecemos a Escola de LIBRAS, uma atividade realizada por Catarine Alencar, atriz, engenheira e representante do coletivo Corposinalizante. Ela promove uma intervenção itinerante com um carrinho cheio de objetos comuns do cotidiano e convida o público a conhecer palavras na língua de sinais. Catarine nos contou que a maior dificuldade dela é a comunicação, ainda que conseguindo se comunicar com alguns gestos, há pouquíssimas pessoas que conhecem a língua brasileira de sinais.

No fim da programação ficou latente o quanto a acessibilidade ainda é tratada como uma pauta pontual. Entendemos que isso inclusive se relaciona com quanto sabemos sobre atletas e modalidades paralímpicas, por exemplo. Que interessante seria se a preocupação com a acessibilidade não fosse em ações específicas, mas que fosse integrada inclusive em espaços de educação, servindo como ponte para relações sociais do dia a dia.

Este texto é resultado da cobertura educomunicativa da inauguração do SESC Avenida Paulista, realizada por adolescentes e jovens do projeto Agência Jovem de Notícias e da Viração Educomunicação, em parceria com o Sesc São Paulo. A ação conta com a participação de doze adolescentes de toda a cidade,  com o apoio de profissionais da Viração.

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