Seminário convida a refletir sobre a necessidade de construção de usinas hidrelétricas

Drica Maria e Adriano José Pimentel do Nascimento, jovens comunicadores de Boa Vista (RR)

No último 1º de março, acadêmicos e professores do Departamento de Administração da Universidade Federal de Roraima (UFRR) realizaram o seminário “Prós, Contras e Alternativas da Implantação de Hidrelétricas em Roraima – Um debate para a Sociedade”, em Boa Vista (RR). O encontro fará parte de um ciclo de discussões que abordará diferentes temáticas.

A mesa do debate foi composta por Ciro Campos de Sousa (assessor técnico do Instituto Sócio Ambiental – ISA), Antônio Pereira Carramilo Neto (engenheiro de manutenção elétrica da Eletrobrás), Fernando Machiavelli Pacheco (procurador da República do Ministério Público Federal – MPF) e pelo professor Luís Cláudio de Jesus Silva (UFRR). Como mediador responsável pelo debate, Marcos José Salgado Vidal (PRONAT/UFRR).

A implantação de fontes alternativas de energia no Estado acarretaria a necessidade de um estudo de viabilidade profunda, e é algo que foi constatado pelo seminário, que não foi realizado até momento.

A primeira fala foi feita pelo assessor técnico do ISA, Ciro Campos de Sousa, que atentou-se tanto para os impactos socioambientais que seriam provocados, que trouxe perguntas relacionadas, entre elas: Qual vai ser a taxa de emprego e desemprego gerado antes e após a construção da provável Usina? Quanto a taxa de aumento da criminalidade, do trânsito local, do valor dos imóveis, e da violência sexual aumentaria?. E uma que deve ser analisada como benefício populacional (localmente): vai haver aumento no custo padrão de vida?. As questões levantadas por ele estavam relacionadas também a assuntos ambientais, como o alagamento ocasionado pelas barragens. As praias, a variedade de peixes e outros animais que deixariam de existir, sem falar que afetaria na pesca local e o potencial turístico, evasão do Rio Branco, aumento de mosquitos, entre outros.

É levantada por Ciro Campos se queremos uma produzir a quantidade necessária para o uso dos habitantes de Roraima ou se queremos ser um produtor de energia para comercialização. Apresentada por ele, a energia eólica seria um exemplo que deveria ser analisada antes de qualquer medida. Terminando sua apresentação perguntando por que construir uma usina hidrelétrica se termos energia suficiente estabelecida pelo linhão de Guri (Venezuela) e outro provável linhão futuramente pelo Tucuruí. Mas se construirmos, de quanta energia nos precisamos, já que é extremamente importante conhecer nossa demanda para se ter uma boa ideia da estrutura que vai ser tomada, e não construir simplesmente porque temos um potencial em questão.

Carramilo Neto, engenheiro de manutenção elétrica da Eletrobrás, deu continuidade à apresentação de algumas informações relacionadas principalmente a fatos históricos da empresa Eletrobrás e CEER, destacando questões estruturais. Enfatizou também a importância da implantação de uma usina hidrelétrica em Roraima, tanto por sua condição viabilidade, como uma necessidade que vai ser visível daqui a alguns anos.

A terceira exposição foi apresentada pelo professor Luís Cláudio, com o tema de explanação “Hidrelétrica do Rio Cotingo – Uma análise das interpretações estatais”. Ficou claro que já existia um plano de pesquisa de viabilidade e implantação de uma usina no Estado, que se prosseguia desde os anos de 1971, porém acabou em estagnação. A mobilização de intervenções políticas, mostrada em sua apresentação, não gerou nada mais do que gastos e estudos que não levaram a lugar nenhum.

O seminário foi finalizado com a fala do procurador Fernando Machiavelli, que iniciou dizendo que “a implantação de uma usina hidrelétrica, sem dúvida implicará em impactos socioambientais profundos…”. No decorrer de sua apresentação não se esquece de falar novamente dos impactos que serão gerados, destacando a falta de moradia, de educação e saúde. Voltando também aos níveis de criminalidade e principalmente as taxas de desemprego logo após a conclusão da construção da usina. Fala rapidamente de algumas leis, de proteção aos sítios arqueológicos, indígenas e do patrimônio históricas.

Por meio deste seminário ficou comprovado que existem diversas questões que nos levam contra e pros da implantação de Hidrelétrica em Roraima. Sem dúvida as informações apresentadas são importantes para esclarecimento do assunto colocado em debate.

Ficou constato que os impactos socioambientais serão eminentemente visíveis, e que solicitarão medidas de minimização, e possivelmente estará relacionada com o ponto de escolha da construção da usina, e este determinará consequentemente a estrutura a ser construída.

Historicamente já existiam projetos que mostravam a potencialidade do Estado em gerar energia a partir das usinas hidrelétricas, mas o importante agora é saber estabelecer a demanda futuramente de energia, como uma forma de diminuir ao máximo os impactos gerados pela construção das barragens.

Os custos e benefícios deverão ser analisados, levando em conta a demanda e o consumo de energia necessária, e isto possivelmente afetará o crescimento econômico e desenvolvimento local.

 

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