Sem investimento, não há democratização da cultura!

Sob o aspecto cultural, terminada a segunda guerra mundial em 1945, o período pós-guerra na França foi marcado pelo objetivo principal de militantes e pesquisadores em reunir esforços para estabelecer um processo de democratização da cultura. A chamada “política de oferta”, surgida neste contexto, preocupava-se em garantir o acesso a obras fundamentais da história da humanidade e da França para o público em geral.

Foi o que contou o professor doutor em economia francês Olivier Donnat, durante sua participação no Encontro Internacional Públicos da Cultura, organizado pelo Sesc São Paulo. Depois de realizadas uma série de pesquisas sobre o público da cultura e a freqüência no acesso à cultura na França, a partir do ano de 1963, chegou-se à conclusão que para democratizar a cultura seria indispensável investir em cultura.

Nos anos 80, sob o contexto da legitimação e incorporação de novos modos de expressão cultural e com a entrada da esquerda no governo, o investimento estatal em cultura dobra de tamanho na França. É nesse momento que o apoio financeiro à pesquisa em cultura e à indústria cultural – notadamente o cinema francês – entra em cena.

Com o fim da década de 80 e a difusão mundial do neoliberalismo, começa um novo ciclo na França; o império do “Estado modesto” significa o início dos cortes orçamentários, da crise institucional e descentralização da gestão de cultura e da crise da intelectualidade que sustentou teoricamente os esforços na democratização da cultura e no enfrentamento da desigualdade de oportunidades como caminho único para o acesso geral à cultura.

Ao fim de sua fala, Olivier ressaltou a centralidade do vínculo entre acesso à cultura e escolaridade como resultado inequívoco das pesquisas na área cultural e a necessidade do investimento para desenvolver pesquisas. O professor enfatizou ainda que é fundamental tomar as cifras econômicas, amplamente divulgadas e reproduzidas no mundo contemporâneo, como convenções sociais. “As cifras são construções sociais”, disse.

tuliobucchioni

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