Sem aulas: O que pensam adolescentes de escolas públicas periféricas que pararam?

Estudar em casa virou realidade para muitos/as adolescentes e jovens diante da pandemia – mas não para todos/as. 

A vontade de estudar, o receio de esquecer os conteúdos da escola, o reconhecimento da desigualdade entre quem pôde continuar estudando e quem não, a necessidade de enfrentar ainda mais desafios neste momento, a falta de acesso às tecnologias e o receio de não conseguir se preparar para o vestibular. Tudo isso faz parte do que pensa e vive boa parte de adolescentes e jovens que vivem em favelas e periferias que responderam à enquete do U-Report Brasil

Ao todo, 735 adolescentes e jovens responderam à enquete pelo chatbot da plataforma em redes sociais como o Facebook Messenger e o WhatsApp. As respostas vieram de todas as regiões do país e os estados mais ativos foram São Paulo, Maranhão e Bahia.

Entre a galera que respondeu, 54% está matriculada em uma escola, sendo 81,41% em escolas públicas. Destas, 80,12% afirmaram que a escola onde estudam está desenvolvendo atividades; 19,88% afirmaram que não. Destas, 80,95% afirmam que gostariam de participar de atividades escolares remotas.

Eu não tenho nada para fazer em casa, então fazer tarefas da escola iria me tirar do tédio por um momento. Mas se forem passar muitas atividades, eu prefiro que não tenha.

Menina, adolescente de 14 anos, negra, de Piauí.

Entre os motivos pelos quais as crianças e adolescentes gostariam que as escolas estivessem desenvolvendo atividades, se destacam: o receio de esquecer os conteúdos e sentirem-se perdidos/as quando voltarem a estudar, o acúmulo de matérias atrasadas, o tédio por não ter o que fazer em casa, o gosto pelos estudos e escola, a vontade de concluir o ano letivo e o receio por sentir que “ficará para trás” em comparação a alunos/as de outras escolas que estão desenvolvendo atividades. A este último motivo, se soma a preocupação com o preparo para o ENEM e outros vestibulares; alguns/algumas adolescentes chegaram a citar que sentem falta de contar com o apoio de professores para esclarecerem como estão se saindo nos estudos.

Faria com que nós, estudantes, estivéssemos conectados com o colégio, mesmo à distância. As atividades fariam a gente ficar por dentro dos assuntos que serão tratados no colégio quando as aulas voltarem.

Menina, adolescente de 14 anos, negra, da Bahia.

Entre os principais motivos que 19,05% dos/das adolescentes que preferem não ter atividades à distância citam, estão: não gostar da ideia de estudar em casa, a necessidade de enfrentar ainda mais problemas que surgiram diante do contexto da pandemia, a falta de foco que teriam para conseguir estudar diante de tudo o que está acontecendo e, com destaque, a falta de acesso à tecnologia, própria e de outros/as colegas, além do receio de haver avaliações que reprovem alunos/as durante este período.

Eu tenho celular, mas tem várias pessoas estudiosas na minha escola que não tem condições. Então, pra eu ter conhecimento e elas não, sendo que estudam comigo, prefiro ficar com elas

Menina, 13 anos, amarela, de Sergipe.

U-Oquê?

O U-Report é um projeto do escritório de inovação global do Unicef implementado pela Viração Educomunicação no Brasil. Funciona como uma ferramenta de participação social no meio digital, que tem como objetivo mobilizar e envolver a juventude em discussões sobre seus próprios direitos.

Basicamente, o projeto atua por meio de um chatbot social (um robô) que troca ideia com adolescentes e jovens.  Os conteúdos são distribuídos na forma de enquetes, infocentros, materiais educativos, desafios temáticos, transmissões ao vivo, entre outros, e chegam aos jovens por meio de aplicativos que fazem parte do cotidiano.

Você pode fazer parte do U-Report através do Facebook ou do WhatsApp.

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