(Português/italiano) Sair da Conferência do Clima não significa abandoná-la

Por Evelyn Araripe, da Delegação Jovem do Brasil na COP19*

Ontem, 21 de novembro, a COP19 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Varsóvia, Polônia) presenciou um marco histórico: liderados por algumas das maiores ONGs ambientalistas do mundo, centenas de participantes da Conferência marcharam juntos em retirada do evento para não voltar mais. O motivo do chamado walk out: deixar claro para os negociadores dos 193 países, que tentam chegar a um acordo global de redução das emissões de gases de efeito estufa na terra, do quanto a sociedade estava insatisfeita com os resultados (ou a falta deles) durante as negociações.

Hoje, 22, se encerra a Conferência depois de duas semanas de rodadas de negociações. Foram 11 cansativos dias para falar de metas de redução, responsabilidades históricas na poluição do planeta, como prevenir, como remediar, como lidar com as perdas e danos dos desastres climáticos, e como pagar tudo isso. Para nenhum desses assuntos foi apontado, sequer, uma tentativa inicial de solução. Somado a isso, países como Japão, Austrália, Canadá e a própria anfitriã Polônia, assumiram com prazer o papel de vilãs das negociações, voltando atrás com compromissos, se recusando a cooperar  e, no caso da Polônia, levando descaradamente as indústrias mais poluentes para patrocinar o evento.

Não tinha como não ficar indignado. Não havia mais palavras para expressas a frustração e descrença nesse modelo de discutir o futuro que não avança e faz com que o tempo corra sem grandes soluções para nós, nossos filhos e netos.  Por isso, sem dizer uma palavra, a sociedade marchou, marchou para fora desse circo organizado para mostrar também que as soluções estão vindo de nós, e não dos engravatados que discutem o clima em uma calefação que esconde o inverno rigoroso da Polônia. Mas, sair da Conferência não significou parar de agir (como muitos pensam). Desde o walk out de ontem, a sociedade civil se reúne por horas e horas no Convergence Space (Espaço de Convergência), um enorme casarão antigo no centro da cidade, cedido pelos movimentos de esquerda da Polônia, para servir de ponto de encontro e trocas entre a juventude e a sociedade civil. Tem sido gratificante ver pessoas de todo o mundo, de diferentes culturas e diferentes idiomas discutindo juntas soluções para os próximos dois anos, quanto se espera chegar a um acordo definitivo, na COP21, em Paris (passando, em 2014, pela COP20, em Lima).

Com o lema #volveremos (em espanhol, para falar o idioma do próximo país sede da Conferência), pessoas em todo o mundo começaram a dar o recado aos negociadores: nós não desistimos, estamos aqui, do lado de fora, nos preparando e nos fortalecendo para a próxima rodada de negociações.

Tudo indica que nessa sexta, 22, os negociadores vão virar a noite para que amanhã apresentem um documento tímido para ser arrastado para a COP20. No meio desse jogo eu me pergunto quem são esses negociadores? O que pensam? O que sentem? Será que tanta falta de vontade é um reflexo da falta de otimismo e crença de que a situação do planeta pode melhorar?

Não tenho resposta, mas deixo de reflexão o vídeo abaixo.

*A Delegacão Jovem do Brasil na COP19 é composta pelas organizações:ViraçãoEducomunicaçãoEngajamundoAliançaMundial das ACMs e Federação Luterana Mundial

Versione Italiana

Abbandonare la Conferenza sul clima non significa lasciarla

Evelyn Araripe dall’Agenzia di Stampa Giovanile

Il 21 novembre, la COP19 ha visto una situazione storica: guidati da alcune delle più grandi ONG ambientali del mondo, centinaia di partecipanti della Conferenza hanno marciato insieme in ritiro dall’evento per non tornare più. La ragione del cosidetto walk out: far capire ai negoziatori dei 193 paesi, che cercano di raggiungere un accordo globale per ridurre le emissioni di gas serra nella terra, che la società è insoddisfatta dei risultati (o mancanza di loro) durante i negoziati.

Il 22 novembre, la conferenza termina dopo due settimane di cicli negoziali. Sono stati 11 stancanti giorni per parlare di obiettivi di riduzione, responsabilità storiche nell’inquinamento del pianeta, come prevenire, come curare, come affrontare le perdite e i danni dei disastri climatici, e come pagare per tutto questo. Per nessuno di questi soggetti è stato nominato, nemmeno, un tentativo iniziale di soluzione. Oltrettutto, paesi come il Giappone, l’Australia, il Canada e la stessa ospitante dell’evento, la Polonia, volentieri hanno preso il ruolo di cattivi negoziatori, andando indietro con gli appuntamenti, rifiutando di cooperare e, nel caso della Polonia, spudoratamente prendendo le industrie più inquinanti come sponsor dell’evento.

Non c’era modo di non arrabbiarsi. Non c’erano più parole per esprimere la frustrazione e incredulità in questo modello di discussione del futuro, che non avanza, e rende lungo il periodo senza grandi soluzioni per noi, i nostri figli e nipoti. Così, senza una parola, la società ha marciato, hanno marciato fuori di questo circo organizzato, per dimostrare anche che le soluzioni stanno venendo da noi, non dei negoziatori che discutono il clima in un impianto di riscaldamento che nasconde il rigido inverno della Polonia.
Ma abbandonare la Conferenza non significa smettere di agire (come molti pensano). Dal momento del walk out di ieri, la società civile si riunisce per ore ed ore nel Convergence Space (Spazio di Convergenza), una grande casa nel centro della città, rilasciata da movimenti di sinistra in Polonia per servire come punto di incontro e di scambi tra i giovani e la società civile. È stato gratificante vedere persone provenienti da tutto il mondo, da diverse culture e lingue diverse discutendo insieme le soluzioni per i prossimi due anni, quando si prevede di raggiungere un accordo definitivo, nella COP21, a Parigi (passando, nel 2014, per la COP20 a Lima).

Con il motto #volveremos (in spagnolo, la lingua del paese che ospiterà la prossima Conferenza), persone di tutto il mondo hanno cominciato a dare il messaggio ai negoziatori: non ci arrendiamo, siamo qui, al di fuori, preparando e rafforzando la nostra presenza nella prossima tornata di negoziati.

Tutto indica che questo 22 e anche 23 novembre, i negoziatori saranno svegli tutta la notte al lavoro, in modo di fare un documento timido per essere trascinato alla COP20. Nel bel mezzo del gioco, mi chiedo: chi sono questi negoziatori? Cosa ne pensanno? Come si sentono? Sarebbe tale mancanza di volontà un riflesso della mancanza di ottimismo e della convinzione che la situazione può migliorare nel pianeta?

Non ho una risposta, ma lascio il video qui sopra come riflessione.

 

 

Evelyn Araripe
Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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