Saiba o motivo ambiental por trás da Diáspora Africana

|Por: Alessandra Cimini, correspondente da AJN Internacional durante a COP  

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A mudança climática é um fenômeno que envolve não apenas problemas ambientais, mas também relacionados a questões sociais. Durante a Conferência do Clima da ONU (COP22), associações da sociedade civil e ONGs organizaram um evento sobre o impacto das alterações climáticas na chamada Diáspora Africana.

Uma dessas organizações é a FORIM, que representa cerca de 700 associações da África Subsaariana, Norte da África, Sul da Ásia, Caribe e Oceano Índico. Fundada em março de 2002 com o apoio do governo francês, reflete o desejo de seus membros de convidar todos os membros da sociedade civil francesa a promover a integração de grupos populacionais de migração internacional, fortalecendo o intercâmbio entre a França e os países de origem e contribuindo para o desenvolvimento das regiões de origem.

Soad Frikech Chaouih, secretário-geral da FORIM, explicou que a Diáspora Africana está ligada à mudança climática. “Só em 2013, 20 milhões de pessoas deixaram o continente por problemas relacionados ao clima, um milhão só no último ano, e o fenômeno está crescendo”.

A FORIM promove as atividades das associações que trabalham nos países de origem e nos países de acolhimento, além de dar voz e apoio às ONGs responsáveis também pela migração interna, combatendo o fenômeno da migração em massa das populações do campo para a cidade nos últimos anos.

Uma destas associações está no Marrocos e se chama Akhiam, cujo presidente é Mohammed Moussaui. Ela desenvolve suas atividades no vale de Imilchil, na Cordilheira do Atlas, a 2300 metros de altitude.

Nesta comunidade, os invernos são rigorosos e os campos cultiváveis são poucos, ameaçados pela erosão do solo e por inundações causadas pelo derretimento de geleiras. Imilchil é uma comunidade agropastoral e, por causa destes problemas, muitos jovens deixam suas terras. Assim começa a diáspora, inevitavelmente.

Akhiam procura combater este problema através da realização de obras no território com a população local, por meio da construção de represas para conter a água e da pesquisa e proteção de sementes nativas que estão desaparecendo, mas que são resistentes ao clima selvagem e impenetrável das montanhas.

A associação mantém ainda uma cooperativa de mulheres que lida com a produção e distribuição de produtos nos mercados vizinhos e conduz atividades de alfabetização para as mulheres que, muitas vezes, nunca foram à escola.

Durante o debate, Adberrazak El Hajri, Diretor de Migrações & Desenvolvimento, explicou que a sinergia entre os países de origem e de acolhimento é muito importante para combater o fenômeno da Diáspora Africana. Muitos africanos que vivem na Europa regressam às suas aldeias de origem apenas em férias, distanciando-se de suas raízes e de sua cultura. “Muito mudou desde 2003. Quando os primeiros migrantes saíram, não havia organizações nem representantes da sociedade capazes de desenvolver uma economia local que pudesse combater o problema da Diáspora”.

A mudança climática está intimamente relacionada com a migração, de muitas maneiras, e é importante explorar essa conexão para dar uma resposta clara a cada contexto. Neste campo, a ação das associações da Diáspora Africana desempenha um papel fundamental. Elas devem ser ouvidas para criar alianças estratégicas e parcerias entre a Europa e a África, de modo a combater o fenômeno dos refugiados climáticos, das migrações e das alterações climáticas.

Agência Jovem de Notícias

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