A relação entre militância e empregabilidade

Por Paulo Tankian e Karen Samyra, da Agência Jovem de Notícias

Nos dias 13 e 14 de setembro, o evento Jovens e Trabalho: Dilemas, Invenções e Caminhos, realizado pelo Sesc Bom Retiro, contou com um painel sobre participação, ativismo e trabalho, no qual organizações e coletivos juvenis compartilharam suas experiências de mobilização.

Além da troca, organizações como o Levante Popular da Juventude e Uneafro discutiram a participação dos jovens no meio político e como as juventudes mudam no decorrer do tempo. O debate trouxe também a questão da cidadania, do empoderamento e reconhecimento das ocupações.

Os participantes alertaram para a importância de discutir sobre as juventudes de forma ampla, com toda a sociedade, e de reconhecer as linguagens criadas pelos jovens brasileiros, assim como suas formas de participação política.

Para Nataly Santiago a relação entre o trabalho e o ativismo precisa ser harmoniosa e positiva, embora não apresente rentabilidade financeira: “Viver de militância não enche barriga, e de fato a militância é um trabalho voluntário, mas é algo que muda nossas vidas… é importante alinhar a militância com o trabalho para que seja uma relação harmoniosa e confortante e não algo cansativo e massante”, conta a representante do Levante Popular.

Uma das principais questões para se discutir dentro deste tema são as vulnerabilidades que as juventudes estão expostas em um contexto sociocultural classista, o que resulta em desigualdades e preconceitos. Muitas dessas vulnerabilidades vêm de políticas públicas pouco eficientes, que não dialogam com a juventude e negligenciam sua diversidade, sua pluralidade.

Participaram também do painel representantes das áreas de educação e de formação de adolescentes e jovens, como Douglas Belchior, professor voluntário do Uneafro Brasil, Rafael Ghirardello, educador no Programa Juventudes, e Lilian L’abate, diretora do Projeto Jovens Urbanos (PJU).

Conheça as organizações participantes

De um modo geral, trazer o jovem para um espaço ou um projeto em que ele se reconheça, tanto na linguagem quanto na participação, enriquece e acrescenta o repertório. Conheça as organizações que participaram do debate!

Projeto Jovens Urbanos: Projeto que apropria o jovem ao bairro ou à cidade em que ele vive, de uma forma ampla, trabalhando temáticas como direito à cidade e direito à mobilidade. Busca promover, na perspectiva da educação integral, a ampliação do repertório sociocultural de jovens que vivem em territórios urbanos vulneráveis.

Programa Juventudes: Programa que atende jovens de 12 a 29 anos e desenvolve projetos que procuram levar em consideração a pluralidade e diversidade do público juvenil.

Uneafro: União de Núcleos de Educação Popular para negras e negros e classe Trabalhadora, movimento de cursinhos comunitários, de luta antirracista, antimachista, anti homofóbica e de lutas por direitos sociais coletivos.

Levante Popular da Juventude: O Levante atua junto aos movimentos da Via Campesina e movimentos urbanos como o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), com a intenção de construir a organização popular juvenil em comunidades, vilas, escolas, assentamentos e acampamentos do Brasil.

Este texto é resultado da cobertura educomunicativa do seminário Jovens e Trabalho: Dilemas, Invenções e Caminhos, realizada por adolescentes e jovens do projeto Agência Jovem de Notícias, em parceria com o Sesc São Paulo. O programa Agência Jovem de Notícias em 2017 é realizado pela Viração Educomunicação, em parceria com o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente São Paulo.

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