Rap Dez completa 10 anos e é destaque no Jornal do Brasil

ENTREVISTA – Marcio Baraldi é uma fábrica de personagens. Depois de fazer um relativo sucesso com o roqueiro Roko Loko, em 2011 ele lançou o primeiro livro do Rap Dez. O rapper foi criado para a revista Viração, que é mensal e vendida apenas por assinatura, feita com participação direta de jovens do Brasil inteiro. Neste ano, tanto a revista quanto o personagem completam 10 anos de vida. Com a palavra, o criador.

JBlog >>> Baraldi, por que no Rap Dez as histórias são menos engraçadas como as dos outros personagens? 
Marcio Baraldi – Na verdade o clima e a proposta são diferentes de outros personagens meus. No Roko-Loko ou na MAD, por exemplo, dá pra esculachar mais, cabe esse esculacho, um besteirol, um non-sense. Já no Rap Dez não cabe, pois é um personagem militante, é um quadrinho politizado, a ideia é fazer um “Rap em Quadrinhos”, por isso que o personagem fala tudo em versos rimados.

E o Rap sempre foi uma música mais séria, o intuito do Rap é passar uma mensagem política, então no Rap Dez tem um humor junto com a mensagem politica. Mas é um humor mais contido, que serve pra tornar a mensagem mais espontânea, mais alegre. É a forma a serviço do conteúdo.

No Rap Dez eu falo de assuntos mais sérios; racismo, homofobia, corrupção, drogas, ecologia,problemas político-sociais de toda espécie. É um personagem criado não apenas para divertir, mas para fazer a galera jovem discutir esses problemas todos e desejar um mundo melhor sem eles. Tem públicos que você não alcança com o Rock, mas com o Rap alcança.

JBlog >> Por que o Rap Dez não encontra outros rappers de verdade como nas HQs do Roko-Loko?
MB – A proposta é outra. O espaço de uma página só é limitado e o foco do Rap Dez é falar de problemas da sociedade, e como são muuuuitos problemas não sobra muito espaço pra colocar outros rappers na história. Mas a ideia é boa e, pra ser sincero, ele já contracenou com o Rappin Hood em uma história. Eu estou pra fazer uma HQ com participação do rapper Xis, que tem um personagem chamado “Preto-Bomba”. Acho que vai dar uma liga boa.

JBlog >> O Rap Dez também ganhou boneco e outros produtos da Baraldi Corporation?
MB – Por enquanto, além do livro tem camisetas muito bacanas. Está tudo à venda no meu site.

JBLog >> Como foi a organização do livro? 
MB – Está tudo na ordem cronológica, desde a primeira história solo dele. Na verdade as primeiras histórias eram com a Turma da Vira, uma turma de adolescentes e o Rap Dez era mais um membro da turma. Mas ele logo se destacou, os leitores começaram a escrever que gostavam do personagem, começaram a mandar versos rimados pra eu usar nas histórias e tal. Então ele virou o titular da série e os outros personagens viraram coadjuvantes. Neste livro não estão todas as HQs , é uma coletânea tipo “The Best“, eu faço uma página por mês há dez anos , então ainda tenho muitas HQs para futuros livros dele.

O livro também traz um prefácio bacana do escritor Ferrez e comentários de outras figuras ligadas ao rap nacional como DJ Hum, Xis, Tony C, Rappin Hood e de artistas da HQ nacional como Getulio Delphim, Emir Ribeiro e Fernando Ikoma, além do escritor Osvaldo Bertolino.

Vale lembrar que o Rap Dez é o primeiro personagem rapper dos Quadrinhos mundiais e já existe há dez anos. Você conhece mais algum? É uma proposta inédita nos quadrinhos e coube a um cartunista brasileiro sair na frente. É uma pena que nós não temos um mercado forte de HQs no Brasil, pois se tivéssemos seríamos vanguarda mundial em muita coisa. Quem sabe essas manifestações todas que estão rolando no Brasil, essa nova moçada furiosa, consiga despertar um pouco de patriotismo e auto-estima no povo brasileiro? O dia que o brasileiro der valor para sua própria cultura e história, aí sim a coisa vai ficar boa!

 

Fonte: Jornal do Brasil JBlog Quadrinhos

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