Foto: Charlota Blunarova/Unsplash

Racismo no mundo da moda e nas passarelas

Ao comprar uma peça de roupa você já se questionou se o que consome está alinhado aos seus ideais?

Por Giovanna Feliciano e Júlia Cavalcante, virajovens de São Paulo (SP).

Parece até coisa de outro século, mas não é. Estilistas, produtores e pessoas ligadas ao universo da moda muitas vezes não querem associar a figura do negro às suas criações. É inadmissível pensar que, mesmo sendo maioria no território brasileiro, o povo preto ainda seja representado por pessoas brancas. Afinal, qual é o sentido em manter um “padrão de beleza” que oprime e exclui? O mundo da moda é extremamente racista e somente através da luta antirracista este cenário mudará.

Diversos coletivos – principalmente protagonizados por mulheres pretas – têm lutado por espaço no mundo da moda. Em entrevista para a Revista Glamour, Natasha Soares, modelo que faz parte do coletivo “Pretos na moda”, diz que: “Não tem como combater o racismo se não colocarmos um rosto na luta”.

Atualmente, podemos dizer (com orgulho) que o mercado vem sendo revolucionado por grandes artistas pretos e indígenas dentro e fora do país – como a artista Indígena We’e ena Tikuna. Formada em artes plásticas, ela desenha e confecciona suas próprias coleções. Em 2019, no São Paulo Fashion Week, foi a primeira marca de moda indígena a desfilar no evento: “Uma coleção que nasceu do racismo, do preconceito, mas a nossa resistência venceu todos os obstáculo”.

We'e'ena Tikuna é uma história de superação em meio ao preconceito e racismo sofrido pelos povos indígenas. (Divulgação/We'e'ena)
Divulgação/We’e’ena Tikuna

Carol Barreto, designer de moda autoral e professora do departamento de Estudos de Gênero e Feminismo na UFBA, conta em entrevista para o “Canal Preto”:

“Tanto minhas pesquisas acadêmicas, como telas que pintei, exposições que eu fiz, instalações, desfiles, performances – todos colocavam o corpo como centro de um debate sobre os marcadores sociais da diferença”.

Carol também diz que em 2000 era uma das poucas criadoras negras pautando sua ancestralidade e sua negritude nas imagens que produzia e, com o passar do tempo, percebeu que “imagem não é o suficiente, mas o processo e as pessoas que compõem a produção dessa imagem”.

Moda e aparência podem sim ser formas de manifestar o ativismo político na luta antirracista. Por isso é importante que, quando for consumir um produto, você entenda o que está por trás dele: quais foram as mãos que fabricaram aquela peça, se estas pessoas foram bem remuneradas, quais corpos desfilaram pelas passarelas para sua divulgação, quantas pessoas pretas estavam envolvidas nesse processo como protagonistas – e não apenas no backstage -, quais conceitos estão atrelados a imagem daquela marca.

A MODA É REFLEXO DAS DISTÂNCIAS SOCIAIS E DA MARGINALIZAÇÃO DOS CORPOS PRETOS.

Somente com a manifestação de insatisfação por parte de quem consome – ou seja, quando mexermos no bolso das pessoas que estão envolvidas nesses processos racistas – teremos alguma mudança significativa.

Tá na mão! – Entrevistas que valem a pena conferir:

Emicida responde: um moletom da Laboratório Fantasma é muito caro?
Futuro da moda: Racismo – com Carol Barreto

Este texto foi um dos conteúdos produzidos e publicados na edição 117 da Revista Viração. Trata-se de um manifesto antirracista construído a muitas mãos – de adolescentes e jovens do Brasil inteiro.

Para acessar o material na íntegra, clique aqui.

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