“Quero me formar em Medicina e ser cirurgiã”

Dedicada aos estudos, a adolescente Luziana Flora descobriu no projeto Geração que Move uma oportunidade de aprender mais sobre seu território

Por Unicef Brasil

Nascida e criada no interior de Pernambuco, Luziana Flora mudou-se para São Paulo há três anos, acompanhando a mãe e o padrasto na busca por oportunidades de trabalho. “A viagem de ônibus até São Paulo foi muito perrengue”, lembra ela. Hoje, com 16 anos, mora no Jardim Primavera, na Zona Sul da capital. O primeiro ano na cidade grande não foi fácil. “Fiquei muito desnorteada”, diz Luziana, que teme até hoje sair sozinha.

Apesar de se sentir desprotegida, hoje ela se sente mais confortável, principalmente pelo apoio afetivo construído na escola. Luziana cursa o segundo ano do ensino médio em escola estadual de sua região. Também participa do grêmio escolar, contribuindo para encontrar soluções a conflitos entre os alunos.

“Sou muito comunicativa, o que me ajuda a me colocar. Tenho conseguido levantar minha voz”, orgulha-se ela. Os estudos ocupam a maior parte do seu tempo: pela manhã está na escola, à tarde cursa administração e à noite estuda inglês virtualmente. Seu projeto de vida é ingressar no ensino superior, formar-se em Medicina e ser uma cirurgiã.

Em meio à pandemia causada pelo coronavírus, Luziana tem-se dedicado ainda mais aos estudos. Ela reclama da exaustão provocada pelo excesso de atividades enviadas pelo colégio e questiona a proposta de ensino a distância. “A escola está querendo que os alunos façam muitas coisas ao mesmo tempo, fica difícil de assimilar. A gente não tem recurso para estudar. Eu, por exemplo, só tenho o celular e os livros, nem computador, nem internet na minha casa eu tenho”, conta a estudante.

Com a rotina focada na educação, Luziana dedica pouco tempo a atividades de cultura e lazer fora de casa. “Eu ia muito ao cinema, mas ultimamente estou priorizando os estudos”. De qualquer maneira, as saídas sempre foram limitadas ao seu bairro e arredores.

“Nunca fui ao Centro. Queria também conhecer o bairro da Liberdade, os museus…”, diz. Esses são planos que organiza hoje com os pais para quando acabar a quarentena. Apesar de vislumbrar maior oferta de atividades numa cidade como São Paulo, Luziana tem dificuldade de acesso a esses espaços. “Existe um monte de coisa para fazer, mas nada é perto”, diz e aponta o transporte público na região como um dos principais desafios. Ela ressalta o projeto Geração que Move como fonte importante para conhecer novas oportunidades ao seu alcance.

Luziana inscreveu-se no projeto – uma iniciativa do UNICEF em parceira com a Fundação Abertis, Arteris e a ONG Viração, em São Paulo – para “aprender coisas novas”. Em especial, tinha a expectativa de desenvolver suas habilidades de expressão audiovisual. “Antes da pandemia, o que eu mais fazia no meu tempo livre era sair por aí gravando imagens, depois eu editava e publicava no YouTube”, conta a jovem. “Alguns vídeos são uma crítica social, outros são pra você pensar”, explica.

Luziana, participante do projeto Geração que Move

Mas as expectativas em relação ao projeto foram superadas: “Eu nunca tinha participado antes de um projeto social. Estou achando muito legal mesmo. É muito bom contribuir para o bairro de que você gosta”, afirma. Luziana conta que, por meio dos encontros promovidos pelo Geração que Move, tem acesso a novos conhecimentos que não são ensinados na escola, principalmente em relação a questões da atualidade. “Quero aprender a lidar com coisas que acontecem na vida e saber me comunicar ainda melhor”.

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