Quando a opinião pública é usada para interesses políticos

|Por: Pedro Gabriel Castardo, Larissa Santos Casado e Daniel Medina, correspondentes da Jornalismo Jr. |Foto: Tânia Rêgo/EBC/FotosPúblicas

A operação Lava-Jato teve grande impacto na economia, na política e principalmente no convívio social dos brasileiros e brasileiras. Com forte repercussão nas redes sociais, a maior operação anticorrupção tem se tornado um verdadeiro palco para os desdobramentos da lava-jato, principalmente com os acontecimentos da ultima semana, que resultou na condenação do Ex Presidente Luis Inácio Lula da Silva, sentenciado pelo juiz Sérgio Moro.

Com o avanço das investigações feitas pela Polícia Federal, escândalos de corrupção abalaram o país. Neste contexto, o papel ético do(a) jornalista é de extrema importância, pois pode influenciar as decisões do poder público e, inclusive, os rumos das investigações judiciais em curso.

O jornalista e cientista político Paulo Roberto Leal, acredita que a operação Lava-Jato acentuou a crise econômica do país. “[A operação] aumentou enormemente a instabilidade do sistema político, que aprofundou a crise econômica, que por sua vez retroalimentou a crise política. Hoje, depois de ter sido elemento relevante na inviabilização do governo Dilma, a operação levou a sociedade a ter a pior visão do sistema político como um todo em décadas”, comenta.

Além disso, o jornalista acredita que apesar de muito importante para a sociedade, o discurso anti-corrupção pode ser perigoso, pois permite transgressões da ética e da legalidade em prol de um ideal. “É óbvio que é necessário combater a corrupção e é bem vindo o conhecimento da sociedade sobre esquemas de relações promíscuas entre empresas e partidos que existem há muitas décadas no país, mas sem dúvida alguma houve excessos (…) por parte de alguns policiais, procuradores e juízes, sobretudo os de Curitiba, e em parceria com setores da mídia, que não devem ser tolerados só porque feitos em nome de combate à corrupção”.

Paulo também critica a forma ilegal em que as informações foram divulgadas, por meio de uma rede seletiva de vazamentos entre operadores da Lava-Jato e segmentos da imprensa. Nesse sentido, a confiança da população no poder público foi profundamente abalada, e muito disso se deve à maneira como a cobertura da grande mídia foi feita.

A instabilidade política e o abuso da imprensa para defender a linha editorial criaram um clima de ódio de uma parcela da população, o que acabou prejudicando os julgamentos e os processos legais. “Clima de caça às bruxas nunca é o melhor para que julgamentos sejam feitos de modo equilibrado. (…) O tempo da justiça não pode ser o tempo nem da mídia, nem da política.”

As implicações claras da Lava-Jato na percepção popular podem ser observadas no resultado de novos processos eleitorais no país, que revelam uma mudança na concepção de figuras políticas e do ato político em si. Beneficiadas por um sentimento de insatisfação generalizada com o sistema que favoreceu os grandes escândalos, muitas figuras públicas conseguiram amplo apoio ao se desvincularem da figura política tradicional.

Dessa maneira, não relacionavam-se com a já desgastada reputação das representações públicas, pelo contrário, impulsionaram campanhas de alto sucesso promovendo “novas formas” de política, com o apoio da mídia. Esse processo traçou um tom de novidade na opinião pública, como evidenciado na eleição do atual prefeito de São Paulo, João Dória, que chegou a se autodenominar “gestor” ao invés de político.

A cobertura política da grande mídia se desdobra, inclusive, no cenário econômico. “Ao aumentar a imprevisibilidade e a instabilidade políticas, além de paralisar setores muito relevantes do PIB brasileiro, como o setor petroleiro, agropecuário e da construção civil, a Operação levou ao aprofundamento da crise econômica”, comenta Paulo.

As crises que abalam o cotidiano do Brasil, e afundam o país em uma recessão econômica há muito não vista, exigem do jornalismo uma postura ética e responsável para que a situação não se agrave e seja tratada de forma imparcial. É inegável que a grande mídia possui grande influência no ambiente político e econômico na sociedade. Dessa forma, a opinião pública se torna uma arma a ser utilizada para fins políticos, muitas vezes usada contra os interesses públicos.

21 anos, estudante de jornalismo, estagiário de comunicação e marketing

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