Preso arbitrariamente pela PM, Everton dá seu depoimento

Por Copa 412 | Imagem: Revista Fórum 

Depois do almoço com colegas de trabalho, Everton Rodrigues notou uma base comunitária móvel da Polícia Militar estacionada na calçada. Como todo bom jornalista portando um smartfone faria, ele fotografou a cena. O integrante do Coletivo Sacode, que participa do C.O.P.A., pretendia postar a foto em redes sociais ironizando o fato de a polícia estar impedindo a passagem de pedestres. Não deu tempo.

Do outro lado da rua, enquanto ainda mexia no celular, o ativista foi abordado por um policial que exigiu revista-lo. Everton milita pela desmilitarização da polícia há tempos. “Eu não levantei as mãos, nem resisti, só perguntei por que eu seria revistado. O PM não pode tocar em mim sem dizer qual é a acusação”, explica.

 Os ânimos esquentaram. Everton foi algemado pelo Cabo Marcos Aurélio Bernardes e levado para dentro da viatura. “O cabo Aurélio, ao me algemar, apertou a mesma sem necessidade. Solicitei diversas vezes ao PM e ao Sargento para soltarem as algemas apertadas. O cabo olhou para mim e disse: ‘Não vou soltar. Eu mando aqui’”, relata Everton. Walber Silva, jornalista da revista Fórum, sacou a ferramenta de trabalho. O vídeo feito com o celular rodou pelas redes. Quase 300 compartilhamentos em duas horas.

No 7ª DP, na zona oeste, mais irregularidades. Após entregar seu RG, o suspeito de andar rápido demais pegou seu telefone para informar amigos onde estava. “Imediatamente o cabo Aurélio confiscou meu telefone. Ele saiu de minha vista, violou minha correspondência pessoal e apagou as 2 fotos que provam que a base militar estava em cima da calçada obstruindo a passagem de pedestres”, Everton ressalta que ninguém poderia fazer isso sem mandado. O Delegado Orivaldo Volpato disse para Everton que não houve erro algum no procedimento. Chegara a hora do depoimento do suspeito. Um policial civil solicitou que Everton se encaminhasse para uma sala no andar de cima. “No pé da escada, perguntei ao policial civil, como seria o procedimento de depoimento das minhas testemunhas. O policial disse: Sobe! (em tom agressivo).

Repeti a pergunta e ele novamente respondeu ‘Sobe’. Repeti dizendo: ‘Preciso saber como ser o depoimento das minhas testemunhas’. E neste momento o policial me olhou e disse: Vai tomar no cu. Isto aconteceu inclusive na presença de diversas pessoas na recepção”, diz o jornalista. Segundo Everton o texto redigido pelo escrivão Yu Cheng Ling foi ditado pelo delegado Orivaldo Volpato. Para fechar a tarde com chave de ouro o delegado dispensou Everton sem registrar sua versão ou a de suas testemunhas. Ou seja, o caso não será levado adiante. Nenhum inquérito nem termo circunstanciado.

A polícia fez o que sempre faz. No entanto, o alvo dessa vez foi uma pessoa que conhecia minimamente seus direitos e teve respaldo de colegas que divulgaram sua detenção arbitraria enquanto ela acontecia.

 

Ver +

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *