(Português/Italiano) Um dia tipicamente jovem na Conferência de Doha

Chiara Zanotelli, enviada especial a Doha (Catar)

(Português)

Ontem, 29 de novembro, foi o Dia das Gerações Jovens e Futuras (Young Future Generation Day), e para celebrar esta data, fugindo às regras e aos protocolos das Nações Unidas, um grupo de adolescentes e jovens teve acesso ao Centro de Convenções onde acontecem as negociações.

Como vem acontecendo todas as manhãs, participamos à Assembleia Constituinte dos Jovens Youngo onde são tomadas por consenso todas as decisões sobre a participação juvenil na Conferência, da eleição do novo ponto focal (o representante dos jovens fora da Assembleia Constituinte) até o texto de apresentação de um porta-voz que fala em nome da juventude durante apenas 2 minutos para os delegados que estão discutindo novas medidas a tomar em relação às mudanças climáticas.

Às 11 da manhã, o presidente da COP18, Abdullah bin Hamad Al’Attiyah, dedicou meia hora para um bate-papo com n;os jovens aqui presentes. Mas o evento mais emocionante aconteceu na Sala dos Encontros Número 2. Rolou o encontro “Perguntas intergeracionais com Mary Robinson ex-presidente da Irlanda, Christiana Figueres, Diretora executiva da Convenção Quadro sobre as Mudanças Climáticas, e com Dessima William,  embaixadora de Granada junto às Nações Unidas. As nossas perguntas foram intercaladas com as demais dessas três corajosas senhoras. Quem coordenou esse encontro foi a representante da Agência Jovem de Notícias, Evelyn Araripe.

Gostaria de propor novamente os diálogos que escutei, na íntegra, de modo que você poderá  avaliar, como se você também estivesse participando do evento aqui em Doha. No final, vou repassar as três perguntas que Mary Robinson, Dessima William e Christian Figueres colocaram a nós jovens. Pegue alguns minutos para responder a essas perguntas você também.

Como podemos ser mais ativos?

Dessima Williams: Vocês têm que lutar pela participação. Mais participação durante as negociações. Vocês devem levar a presença de vocês aqui, a paixão e a preocupação aos delegados de seus países. Vocês têm que indicar aos ministros de seus países que estiveram aqui e estão interessados em explorar, aprofundar, ajudar e aprender ainda mais sobre mudanças climáticas. Vocês têm que buscar o apoio de adultos que acreditam em vocês para reinvidicar uma participação ativa nas delegações de seus países.

Foi dada a vocês a oportunidade de estar aqui. Pois bem, o desafio para nós adultos é transformar esta oportunidade em colaboração concreta nas negociações. É nisso que consiste o aspecto intergeneracional das relações.

Outra coisa importante é que você procurem alguém com quem possam contar e ver o quanto podem avançar com essas pessoas.

Por que as negociações duram tanto tempo assim? E por que há necessidade de tantas negociações para resolver um problema tão urgente com o das mudanças climáticas?

Dessima William: As Conferências internacionais e as negociações que as caracterizam são processos multilaterais e participam delas mais de 190 países e chegar a um acordo não assim tão rápido. Chegar a um acordo quer dizer que temos que nos escutar e entender um ao outro reciprocamente. O mecanismo de Conferências como esta  deve encontrar um modo para resolver este elemento negativo das negociaçõessobre mudanças climáticas porque não se pode discutir em modo abstrato de um problema tão urgente. Compartilho a frustração de vocês jovens.

Eu gostaria que que na mesa de negociação fossem levadas situações mais realistas, que possam ser consideradas e releaboradas em espírito colaborativo e construtivo.

Vocês jovens, que são a nova geração, podem nos ajudar a desenhar a próxima geração de negociações.

Mary Robinson: Se os jovens conseguissem participar das negociações em um maior número creio que isso faria a diferença porque justamente neste momento há uma falta de noção de urgência por parte dos negociadores dos países. Participei de vários encontros entre eles e vejo que suas falas são inúteis e suas palavras vazias.

Temos que fazer aumentar a ambição e o senso de urgência. Estamos exaurindo o tempo que temos. Recomendo aos jovens de ler o relatório do Banco Mundial chamado Turn Down the Heat. Trata-se de um enorme contribuição de uma fonte normalmente muito conservadora e que está trazendo à luz a realidade crua para onde estamos indo.

Os jovens possuem um senso particular de entender o que está acontecendo no mundo e vêem este mundo de forma mais conectada em nível global, graças à internet e às mídias sociais.

Sob o meu ponto de vista, que é o dos direitos humanos e da justiça social, as mudanças climáticas está afetando diretamente os mais pobres. É injusto que as economias baseadas na exploração de combustíveis fósseis não estejam assumindo suas responsabilidades. Temos que enfrentar este problema e os jovens têm o direito de estarem indignados porque este  é uma espécie di Titanic que está se movimentando em direção a 4 graus e do futuro catastrófico para nossos netos. Se não tornamos o mundo seguro neste momento, teremos cerca de 200 milhões de refugiados em todo o planeta por causa das mudanças climáticas.

 

Seguem as perguntas que as três entrevistadas nos fizeram:

Christiana Figueres: O que você faria de forma diferente?

Dessima Williams: Por que vocês resolveram se comprometer com a luta contra o aquecimento global?

Mary Robinson: Por que os jovens de todo o mundo não protestam e dizem ”este é um problema que nos toca de perto, que diz respeito ao nosso futuro!” Por que isso não está acontecendo?

 

(Italiano)

Una giornata tipo di un giovane attivista ad una Conferenza Internazionale + Cinque domande intergenerazionali

Alla fine di questa lunga giornata, troppo stanca per andare al souq a mangiare, ho preferito ripensare agli avvenimenti che l hanno punteggiata. Oggi era la Giornata delle Generazioni Giovani e Future (Young Future Generation Day), e per l‘occasione, eccezionalmente alla regola delle Nazioni Unite che lo vieterebbe, è stato consentito ai minori di accedere al Centro Congressi dove si stanno svolgendo i negoziati. Come ogni mattina abbiamo partecipato allo Spokescouncil, l’Assemblea della Costituente dei Giovani YOUNGO dove vengono assunte per consenso tutte le maggiori decisioni, dall’elezione del nuovo Focal Point (il rappresentante dei giovani fuori dalla Costituente), al testo dell’intervento che uno speaker a nome di tutti gli altri giovani compie, nell’arco di due preziosissimi minuti, davanti ai vari organi costitutivi il meccanismo della Convenzione Quadro sui Cambiamenti Climatici (COP, SBI, AWG-LCA, ADP)  o gli organi di lavoro all’interno del meccanismo del Protocollo di Kyoto (CMP, AWG-KP), al contenuto e alle modalità di svolgimento delle azioni e manifestazioni durante la COP, o ancora, al controllo costante dei progressi compiuti nei vari gruppi di lavoro (mitigazione, diritti umani, finanza, interventi, azioni, foreste, art. 6…).  Alle 11 il Presidente della COP18 S.E. Abdullah bin Hamad Al’Attiyah ci ha dedicato una preziosa metà ora per un briefing con noi giovani. Ma l’evento più emozionante si è svolto nella Sala degli Incontri Numero 2 al piano terra: le domande intergenerazionali con Mary Robinson, ex Presidente dell’Irlanda e fondatrice della Mary Robinson Foundation, Christiana Figueres, Direttore Esecutivo della Convenzione Quadro sui Cambiamenti Climatici e con  Dessima William,  Ambasciatore di Grenada presso le Nazioni Unite. Le nostre domande si sono intrecciate con quelle di queste tre coraggiose e importanti signore.

Voglio riproporvi i dialoghi come li ho ascoltati io, integrali, affinché possiate apprezzarli, come se foste stati anche voi qui a Doha. Alla fine scriverò le tre domande che Mary Robinson, Dessima William e Christian FIgueres ci hanno posto. Prendete qualche minuto oggi per rispondere anche voi.

Parte I

– Come possiamo essere più attivi?

Dessima Williams: Dovete lottare per più partecipazione. Più partecipazione all’interno e durante i negoziati. Dovete portare la vostra presenza qui, la vostra passione e la vostra preoccupazione all’attenzione delle vostre delegazioni nazionali. Dovete indicare ai vostri ministri e ai vostri focal point che siete stati qui e che siete interessati a esplorare, aiutare, imparare di più; dovete dire loro quanto, per questi motivi, vogliate avere una partecipazione a bordo della vostra delegazione. Dovete cercare degli adulti che vi diano forza e creino un ambiente a voi favorevole per raggiungere i vostri obiettivi. Vi è stata data la possibilità di partecipare alla COP, la sfida per noi adulti adesso è quella di trasformare questo in un’opportunità dove possiate  continuare a collaborare nel processo in cui siete interessati. In questo consiste la natura intergenerazionale della relazione. Compito per tutti voi: trovate qualcuno con il quale impegnarvi e vedete quanto potete progredire con loro.

– Perché serve così tanto tempo in una negoziazione. E perché servono così tante negoziazioni per risolvere un problema urgente?

Dessima William: Perché serve così tanto in una negoziazione è una domanda eccitante ma talvolta frustrante. Le Conferenze internazionali e le negoziazioni che le caratterizzano sono processi multilaterali e oltre 190 maggiori entità non possono accordarsi velocemente. Giungere ad un accordo vuol dire che dobbiamo ascoltarci e capirci a vicenda. Tuttavia le negoziazioni si muovono molto lentamente perché purtroppo spesso non c’è un esatto apprezzamento del collegamento tra quello che stiamo negoziando- la sostanza, la ragione- e il processo. L’elemento di urgenza è rimosso, perché la sorte e la vita di quelli per i quali stiamo negoziando, recede, via via che ci si addentra nel linguaggio e nei processi di negoziazione. Il meccanismo della UNFCCC deve trovare un modo per risolvere questo elemento negativo nelle negoziazioni sui cambiamenti climatici, perché non si può discutere in modo esitante e astratto di un problema così urgente e delicato. Vengo da un’ isola dove si sentono gli effetti devastanti dei cambiamenti climatici, condivido la  vostra frustrazione. Vorrei che si spostasse il paradigma in modo tale che, sui tavoli dei negoziati, siano portate idee realistiche, che possano essere considerate e rielaborate in spirito collaborativo e costruttivo. Voi giovani siete la nuova generazione e potete aiutarci a disegnare la prossima generazione di negoziati.

Mary Robinson: Se i giovani riuscissero ad essere presenti ai negoziati con una forte matematica credo che questo farebbe la differenza, perché al momento c’è una mancanza del senso di urgenza. Ho ascoltato in questi giorni i lunghi contributi che riecheggiano nelle stanze dove si stanno svolgendo i negoziati; come molti di questi interventi erano pieni di ornamenti inutili e parole vuote!

Dobbiamo crescere l’ambizione e l’urgenza. Stiamo esaurendo il tempo che abbiamo. Raccomando ai giovani di leggere il report della Banca Mondiale chiamato Turn Down the Heat– un enorme contributo da una fonte normalmente piuttosto conservatrice, che sta portando alla luce la realtà di dove stiamo andando. I giovani colgono la questione, perché hanno un senso particolare per capire quello che sta succedendo nel mondo e vedono quest’ultimo in un modo molto più connesso a livello globale, grazie ad Internet e ai social media. Dal mio punto di vista, che è quello dei diritti umani e della giustizia sociale, il cambiamento climatico sta toccando i poveri, e le piccole isole, coloro che non sono responsabili e che verranno minati nella loro povertà. È ingiusto che le economie basate sui combustibili fossili non stiano assumendo le loro responsabilità, che queste ancora si barrichino dietro le loro ferme posizioni. Dobbiamo affrontare questo problema e i giovani devono diventare agitati e arrabbiati perché questo è il Titanic che si sta muovendo verso l’iceberg dei 4 gradi e del futuro catastrofico per i nostri nipoti. Sono nonna, penso ai miei nipoti che nel 2050 avranno 40 anni e condivideranno il mondo con 9 miliardi di persone, condivideranno il mondo con molti dei vostri figli; se non rendiamo sicuro il mondo  in questo momento, avremo almeno duecento milioni di persone disperse a causa dei cambiamenti climatici (climate displaced people/  climate refugees,). C’è un Trattato Quadro per loro, ma saranno comunque persone disperse a causa del clima, contadini, indigeni, donne che non avranno assicurazioni o un piano B,  che non avranno i soldi per sfamare le proprie famiglie e non avranno più accesso all’acqua potabile.  Questo è il mondo verso il quale stiamo ci stiamo incamminando. Dovete rompere la breccia.

Uno dei problemi secondo me, che posso individuare come non scienziata del clima, consiste nel fatto che l’intero dibattito sui cambiamenti climatici è stato condotto fin dall’inizio, e comprensibilmente, da ambientalisti e scienziati. Adesso le persone credono ancora nell’icona del cambiamento climatico in maniera molto semplice, pensano all’orso polare su una piattaforma di ghiaccio e ai 4° Celsius, nonostante i grandi sforzi compiuti per modificare questa prospettiva. Dobbiamo cambiare icona del cambiamento climatico. L’icona del cambiamento climatico deve essere quella della povera contadina addolorata perché non può più sfamare la propria famiglia. E finché non trasformiamo questo in realtà, politici e ministri continueranno ad andare ai negoziati, mentre nessuno a casa li rende responsabili per quello che decidono lontani, in una sicura conferenza, a Doha. Anche i media non stanno coprendo molto perché non è una conferenza incentrata sulle persone. Voi giovani, qui, non siete seduti ai tavoli dei negoziati, ma siete online; usate i social media, create molto calore attorno al problema dei cambiamenti climatici, perché importa, è il vostro futuro! Vorrei che tutti i ragazzi del mondo guardassero online le negoziazioni lanciando una scarpa alla televisione, perché è troppo lenta. Onestamente questo è quello che deve succedere…e velocemente!

Christiana Figueres; …Mary, forse dovrebbero tirare le scarpe non alla televisione ma a chi propone le immagini in televisione…

Parte II

Ed ecco il compito per tutti voi, rispondete a queste domande come abbiamo fatto noi!

– Christiana Figueres: Che cosa fareste differentemente? (What would you do differently?)

– Dessima Williams: Perché avete deciso di impegnarvi per il problema dei cambiamenti climatici (Why climate change for you?)

– Mary Robinson: Perché non siete arrabbiati? E se lo siete, perché non vi sentiamo di più? Perché i giovani del mondo non si sollevano e dicono “questo è un problema che ci riguarda, riguarda il nostro futuro, noi non tolleriamo più quello che sta capitando? Perché questo non sta succedendo?  Wwhy are’nt you angry and if you are why aren’t we hearing you more; why aren’t the youth of the world getting up and saying ‘this is about u,s this is our future, we no longer tolerate what’s going on?’)

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