(Português/Italiano) Tudo pode acontecer nos corredores da COP19

Cristina Dalla Torre, da Agenzia di Stampa Giovanile

Tudo pode acontecer nos corredores da COP19. Mas o que realmente não esperávamos era sermos lançados a uma mesa redonda improvisada, para falar dos mecanismos de mitigação e adaptação à mudança climática em âmbito europeu, com dois pesquisadores que se mostraram disponíveis para trocar impressões e esclarecimentos sobre questões-chave discutidas aqui na COP19.

Falamos de florestas, do REDD+ e da necessidade de definir uma metodologia eficaz com a qual afrontar os temas que, devido à sua amplitude, envolvem interesses diversos e, muitas vezes, contrastantes.

Um desses temas é o REDD+, que envolve duas importantes questões sobre as quais falar. Em termos práticos, trata-se de um mecanismo de flexibilidade sobre o qual se discutiu longamente e que foi reproposto em 2005. Parte do pressuposto de que 15% das emissões antrópicas vêm das atividades de desmatamento e degradação das florestas; serviria, dessa forma, como incentivo econômico para reduzir essas atividades. Esse mecanismo pode ser considerado o ponto de partida para o planejamento do crescimento econômico nos países em via de desenvolvimento em termos sustentáveis, “mas, primeiro, é preciso refletir sobre os motivadores do desmatamento nesses países”, destaca o especialista.

“Pode-se enfrentar a questão do REDD+ sob três pontos de vista: econômico, metodológico e participativo.” Em termos econômicos, trata-se de um incentivo para o desenvolvimento: busca-se encontrar, até 2020, os 30 bilhões de dólares necessários à sua implementação, com a ajuda da Noruega, UE e USA, seus três maiores financiadores. Em termos metodológicos, significa chegar a um acordo único sobre os limites do desmatamento e suas referências. Para dar início a essas discussões, o IPCC tem um papel fundamental.

No que se refere ao envolvimento dos agentes interessados, o especialista leva em consideração o tema espinhoso das reivindicações dos povos indígenas, destacando a importância de se falar a respeito na COP para sensibilizar os delegados. “Seria importante, em todo caso, falar primeiro em nível nacional, que é o âmbito no qual a ação se revela de forma mais eficaz”. Ainda em relação à participação, falou-se sobre a tomada de consciência a respeito da forte resistência dos países do Anexo 1 e em via de desenvolvimento. De acordo com o especialista, a UE é um agente essencial para quebrar essa barreira e iniciar um diálogo que leve a um acordo a ser discutido em 2015 na COP de Paris.

“Uma coisa importante é evitar o erro de Copenhagen, ou seja, reduzir a expectativa de chegar a um acordo unânime. Ao invés de permanecermos atados a uma abordagem essencialmente top-down, um resultado mais eficiente pode ser obtido por meio do diálogo bilateral entre os países. O trabalho interno nas Nações Unidas é fundamental, mas o estímulo para as ações deve vir com o envolvimento de uma multiplicidade de partes.”

O último assunto foram as florestas do território italiano: “entre o período de 2008 a 2012, a Itália havia estabelecido uma meta de redução de 6,5% das emissões. Tentamos alcançar esse objetivo por meio de créditos florestais e do potencial de seqüestro de carbono que possuem as florestas.” Florestas que, na Itália, cobrem 30% da superfície nacional e que, desde a guerra, crescem em sua expansão. “O mérito não é somente da ação do governo e das administrações regionais, embora hoje se dê mais atenção ao tema”, conclui o especialista .

A palavra , em seguida, passa ao segundo especialista, que compartilha conosco suas impressões sobre o que seriam as principais questões desta COP19. “Certamente, os temas da adaptação e da mitigação são as palavras -chave das negociações, mas a estes se conecta uma rede de sub-temas, como o desenvolvimento da resistência climática, o ‘loss and damage’, a importância da reflexão sobre o papel das mulheres como alavancas de mudança, mas acima de tudo, a igualdade na divisão de responsabilidades ambientais.”

Bate-papos dessa intensidade são únicos e as ideias trazidas por ele nos ajudaram a entender melhor o que está acontecendo aqui na COP19 .

Versione Italiana

Tutto può succedere nei corridoi della COP19

Cristina Dalla Torre, dall’Agenzia di Stampa Giovanile

Ma quello che proprio non ci aspettavamo era di essere catapultati in un’improvvisata tavola rotonda a parlare di meccanismi di mitigazione e adattamento al cambiamento climatico con due ricercatori in ambito europeo, i quali si sono resi disponibili a scambiare con noi le loro impressioni e far chiarezza sulle questioni chiave discusse qui alla COP 19.

Si è parlato di foreste e REDD+ e del bisogno di definire una metodologia efficace con la quale affrontare questi temi che per la loro ampiezza coinvolgono interessi diversi e spesso contrastanti.

Cos’è il REDD+ e chi coinvolge sono due questioni su cui fare chiarezza. In termini pratici si tratta di un meccanismo di flessibilità di cui si è discusso a lungo, e che viene riproposto nel 2005. Si parte dal presupposto che il 15% delle emissioni antropiche provengono dalle attività di deforestazione e degradazione delle foreste; serve dunque un incentivo economico per ridurre queste attività. Questo meccanismo può essere considerato come il punto di partenza per attuare una programmazione dello sviluppo economico nei paesi in via di sviluppo in termini sostenibili, “ma innanzitutto occorre riflettere sui drivers della deforestazione in questi paesi”, sottolinea l’esperto.

“Si può affrontare la questione di REDD+ da tre punti di vista: economico, metodologico e partecipativo.” In termini economici si tratta di un incentivo per lo sviluppo: si sta cercando di trovare entro il 2020 i 30 miliardi di dollari che servono per la sua implementazione, con l’aiuto di Norvegia, UE e USA, i suoi tre maggiori finanziatori.

In termini metodologici significa riuscire ad accordarsi su una definizione univoca del termine deforestazione e su un livello di riferimento. In questo l’IPCC gioca un ruolo fondamentale per dare inizio alla discussione.

Per quanto riguarda il coinvolgimento degli attori interessati, l’esperto prende in considerazione il tema spinoso delle rivendicazioni dei popoli indigeni specificando quanto è certamente importante parlarne nell’ambito della COP per sensibilizzare i delegati. “Sarebbe importante tuttavia parlarne prima a livello nazionale, che è l’ambito in cui l’azione si rivela più efficace”. Sempre relativo al tema partecipativo è la presa di coscienza dell’esistenza di una forte resistenza fra paesi dell’Annex 1 e paesi in via di sviluppo. Secondo l’esperto l’UE costituisce un attore fondamentale per rompere questa barriera e iniziare un dialogo che porti al raggiungimento di un accordo, quello che verrà discusso nel 2015 alla COP21 a Parigi.
“Una cosa importante sarà evitare l’errore di Copenhagen e dunque di ridurre l’aspettativa di raggiungere un accordo omnicomprensivo. Invece di rimanere legati ad un approccio strettamente top-down, un risultato più efficiente può essere invece raggiunto promuovendo rapporti bilaterali tra i paesi. Il lavoro interno alle Nazioni Unite è si fondamentale, ma lo stimolo di azione può avvenire con il coinvolgimento di una molteplicità di parti.”

L’ultimo focus è sulle foreste nel caso italiano: “per il periodo dal 2008 al 2012 l’Italia si era fissata un obiettivo di abbattimento del 6,5% delle emissioni, e si è cercato di raggiungere questo obiettivo anche per mezzo dei crediti forestali e del potenziale di assorbimento del carbonio che possiedono le foreste.” Foreste che in Italia ricoprono il 30% della superficie nazionale e che dal dopoguerra progrediscono nella loro espansione. “Non è tutto merito dell’azione del governo e delle amministrazioni regionali, anche se oggi c’è più attenzione rispetto al tema”, conclude l’esperto.

La parola poi passa alla seconda esperta che condivide con noi le sue impressioni su quali siano le tematiche principali su cui è bene fare attenzione all’interno di questa COP19. “Certamente adaptation e mitigation sono le parole chiave di questi negoziati, ma a queste si collegano una rete di sottotematiche come lo sviluppo della resilienza climatica, il “loss and damage”, l’importanza della riflessione sul ruolo della donna come leva promotrice del cambiamento, ma soprattutto l’equità nella suddivisione delle responsabilità ambientali.”
Chiaccherate di questa intensità sono più uniche che rare e gli spunti emersi ci hanno aiutato a comprendere meglio cosa sta accadendo qui alla COP19.

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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