(Português/Italiano) “Os lobbys podem ter dinheiro, mas nós temos a razão”

Cristina Dalla Torre, do Osservatorio SOStenibile/Agenzia di Stampa Giovanile

Conversamos hoje com Stefano Caserini, professor do Politécnico de Milão e autor de publicações ligadas à temática da mudança climática, entre as quais “Alguém gosta do calor” e “Guia para lendas das alterações climáticas”. Sentados no lounge room fora dos escritórios da UE, em meio ao rumor dos delegados que se dividiam entre eventos paralelos e encontros com jornalistas, tivemos um momento de reflexão ao falar de temas como a mudança climática e as estatégias de comunicação e sensibilização da opinião pública, além da própria COP19.

Em seus livros, você aborda o tema da mudança climática de forma direta e sem cair em tecnicismos. Por que é importante falar de modo claro e simples?

Você leu o artigo de Danilo Taino no “Corriere della Sera” sobre como os cientistas se dividem na COP19? Posso garantir que, no mundo científico, nunca houve tanta convergência de opiniões no que se refere aos efeitos da atividade antrópica sobre a mudança climática. Informar de modo objetivo é importante para chamar a atenção sobre as temáticas e evitar que artigos como o de Taino sejam levados ao pé da letra.

Nos fale mais sobre o blog Climalteranti, que o senhor coordena.

Climalteranti é uma experiência de 30 cientistas que buscam chamar a atenção para o tema da mudança climática e de como é tratada pela imprensa. A informação transparente é a base de uma opinião pública consciente. Há anos, instituí também o prêmio “Alguém gosta do calor”, dedicado ao jornalista que escreve as “melhores” notícias de desinformação.

Uma vez aconteceu de eu receber um convite para o jantar de entrega do prêmio. Um primeiro passo na direção do reconhecimento dos próprios erros.

Qual seria, então, a estratégia comunicativa mais eficaz para “combater” a desinformação?

É preciso atrapalhar a vida de quem trabalha mal. Não temos mais tempo a perder em relação à questão da mudança climática. Os lobbys podem ter o dinheiro, mas nós temos a razão.

E em relação ao alcance de um acordo em nível internacional?

Vou dizer algo que pode parecer utópico, mas o leitmotiv deve ser o de desenvolver a imaginação. Precisamos imaginar o que pode acontecer se não forem tomadas as decisões necessárias para afrontar de modo eficaz o problema da adaptação e mitigação da mudança climática. E fazer compreender, aos jovens participantes, que podem ser parte da mudança de rumos.

E qual é, na sua opinião, a mudança trazida por essa COP19?

Trata-se de discutir a metodologia mais eficaz para integrar o princípio da equidade, pensando no próximo acordo em Paris, em 2015. O resultado desta COP estará mais no nível metodológico e processual do que de conteúdo. Trata-se de estar de acordo sobre o princípio da equidade e fazer bem a lição de casa, para que o que for aprovado seja também ratificado em nível nacional, e se possam evitar casos como o dos Estados Unidos no Protocolo de Kyoto.

E este acordo será alcançado?

Todas as partes estão convencidas de que se deve chegar a um resultado. Precisamos, porém, definir qual é esse resultado. Trata-se de encontrar a medida que permita aos Estados ter confiança um no outro e quebrar a barreira que separa o Anexo 1 dos outros países.

Terminada a entrevista, Stefano Caserini nos observa e pergunta: eu os incomodei? Na realidade, nosso olhar baixo era pela reflexão que a conversa nos havia causado. O que podemos fazer para que essa mudança vá pelo caminho certo? Ao nos despedirmos dele, nossa mente volta a se calar dentro da realidade frenética das negociações da COP19 – e do fato de que chegou o momento de tomar a decisão certa sobre o que fazer. Antes de mergulharmos também nós nessa grande panela, agradecemos Caserini por este momento de intensa reflexão.

 Versione Italiana

Le lobby avranno anche i soldi, ma noi abbiamo ragione”
Cristina Dalla Torre dall’Osservatorio SOStenibile/ Agenzia di Stampa Giovanile

Oggi siamo con Stefano Caserini, professore del politecnico di Milano e autore di pubblicazioni che riguardano le tematiche del cambiamento climatico fra cui “A qualcuno piace caldo” e “Guida alle leggende sul clima che cambia”. Seduti nel lounge room fuori dagli uffici dell’UE, in mezzo ad un brulicare di delegati che si dividono tra i side events e incontri con i giornalisti, ci prendiamo un momento di riflessione per parlare di cambiamento climatico, strategie di comunicazione e sensibilizzazione dell’opinione pubblica, e COP19.

Nei tuoi libri affronti il tema del cambiamento climatico in modo diretto e senza scendere in tecnicismi. Perché è importante parlare in modo chiaro e semplice?

Ti dico solo questo: l’hai letto l’articolo di Danilo Taino sul “Corriere della Sera” su come gli scienziati alla COP19 siano divisi? Posso garantire che nel mondo scientifico non c’è mai stata così tanta convergenza di opinioni per quanto riguarda gli effetti delle attività antropiche sul cambiamento climatico. Informare in modo obiettivo serve per creare un clima di attenzione verso le tematiche e evitare che articoli come quelli di Taino non vengano presi per oro colato.

Parlaci di più a proposito del blog Climalteranti di cui sei coordinatore.

Climalteranti è un’esperienza di 30 scienziati che si occupano di richiamare l’attenzione sui temi del cambiamento climatico e di come questi vengono trattati dalla stampa. Un’informazione trasparente sta alla base di un’opinione pubblica consapevole. Da anni ho istituito anche il premio “A qualcuno piace caldo”, riservato al giornalista che scrive le “migliori” notizie di disinformazione.
Una volta mi è capitato persino di ricevere un invito a cena per consegnare il premio. Un primo passo verso il riconoscimento dei propri errori.

Qual è dunque la strategia comunicativa più efficace per “combattere” la disinformazione?

Occorre fare terra bruciata di quelli che lavorano male. Per i tempi che abbiamo per agire sul clima non c’è tempo da perdere. Le lobby avranno anche i soldi, ma noi abbiamo ragione.

E per quanto riguarda il raggiungimento di un accordo a livello internazionale?

Quello che sto per dire potrà forse sembrare utopico, ma il leitmotiv deve essere quello di sviluppare l’immaginazione, riuscire a immaginare cosa potrebbe succedere se non vengono prese delle decisioni che affrontino in modo efficace il problema dell’adattamento e mitigazione al cambiamento climatico. Far capire ai giovani partecipanti che possono essere parte del cambiamento di rotta.

E qual è secondo te il nodo del cambiamento per questa COP19?

Si tratta di discutere sulla metodologia più efficace per integrare il principio dell’equità nel prossimo accordo di Parigi 2015. Il prodotto di questa COP si situerà a livello piuttosto metodologico e processuale, che contenutistico. Si tratterà di mettersi d’accordo sul principio di equità e fare bene i compiti a casa, affinché ciò che viene approvato qui venga anche ratificato a livello nazionale e si eviti un caso come quello degli Stati Uniti post Protocollo di Kyoto.

E questo accordo si raggiungerà?

Tutte le parti sono convinte che si debba arrivare ad un risultato. Occorre però stabilire quale esso sia. Si tratta di trovare la misura che permetta agli Stati di avere fiducia l’uno nell’altro e abbattere la barriera che separa Annex 1 dagli altri paesi.

Finita l’intervista Stefano Caserini ci guarda e chiede: ma vi ho sconvolti? In realtà il nostro sguardo basso era per la riflessione che la chiacchierata con lui ha stimolato. Cosa possiamo fare noi affinché questo cambiamento prenda la giusta rotta?
Nel salutarlo la nostra mente ritorna a calarsi nella realtà frenetica delle negoziazioni alla COP19, ed è arrivato il momento di prendere la giusta decisione sul da farsi. Prima di buttarci anche noi nel grande pentolone ringraziamo Caserini per questo momento di frizzante riflessione.

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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