Mudanças Climáticas e seus efeitos sobre a saúde (Português/Inglês)

Paula Nishizima*, da Agência Jovem de Notícias

saude

“Você já parou para pensar sobre como a nossa saúde é afetada pelas mudanças climáticas?”. Esta pergunta foi feita aos transeuntes da COP20, a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, durante a tarde quente desta terça-feira (02/12) em Lima (Peru).

A responsável pelo questionamento é a jovem estudante de medicina Maria Cisneros Cáceres, de 21 anos. Maria é coordenadora regional da Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina (IFMSA) em seu país (Equador). A organização atua em 116 países com o objetivo de criar lideranças globais na área de saúde por meio de atividades em saúde pública, direitos humanos, saúde reprodutiva e sexual e programas de intercâmbio profissionais e de pesquisa.

Ao tentar chamar a atenção dos participantes da COP20, Maria exemplifica diferentes problemas de saúde que poderiam ser gerados pelas mudanças climáticas: “Digamos que estamos falando de uma moça que vive no Leste Mediterrâneo, onde o clima já é muito quente. O que poderia acontecer lá seria um número maior de pessoas morrendo por ondas de calor. Na Alemanha, poderia haver problemas com alagamentos”.

O Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que eventos extremos relacionados ao clima são mais propensos a acontecer caso a temperatura média da Terra continue aumentando. Podemos considerar que fazem parte destes eventos as ondas de calor, inundações costeiras provocadas pelo aumento do nível do mar e urbanas devido a altos índices de chuva e pouca absorção da água pelo solo.

Outro item citado pelo IPCC diz respeito à segurança alimentar, ou seja, o mantimento da qualidade e quantidade de alimentos produzidos pela indústria. Uma falta de segurança na oferta de alimentos e água poderia ter impactos diretos na saúde.

Tais impactos vão desde os mais óbvios, como a falta de água potável, que poderia levar as populações mais pobres a beber água contaminada e contrair doenças, aos menos imagináveis, como o aumento de temperatura da água do mar, que levaria determinadas populações de peixes a migrarem para outras regiões e provocar escassez de alimento, principalmente para comunidades que dependem da pesca.

“São coisas sobre as quais não paramos para pensar, mas sabemos que estão lá. Só precisamos conectar os fatores para perceber que essas mudanças não acontecem por acaso”, reforça Maria Cisneros.

Adaptação às mudanças no clima

Para a prevenção destes fatores, cidades e governos podem adotar medidas de adaptação às mudanças climáticas previstas por pesquisas científicas. O estudante Malcolm Araos, da Universidade McGill do Canadá, aponta algumas medidas de prevenção encontradas durante sua pesquisa de Mestrado: “A cidade de Nova Iorque, por exemplo, planeja estas medidas à muito tempo e tem buscado respostas mais rápidas em seus sistemas de emergência (como corpo de bombeiros e atendimento emergencial em hospitais) e criado mais espaços verdes. Enquanto que cidades como a Cidade do Cabo, na África do Sul procuram a prevenção à inundações e a diminuição da poluição no ar”.

O principal obstáculo apontado por Malcolm na hora de implementar estas medidas está no campo financeiro e de planejamento. “Geralmente as cidades não buscam se adaptar porque suas instituições não têm capacidade para se engajar em iniciativas deste tipo. São políticas caras de serem criadas”, explica.

O IPCC deixa claro que para desenvolver medidas de adaptação efetiva, é necessário envolver diferentes setores da sociedade (empresas, sociedade civil e governo). Isto pode acontecer por meio do alinhamento entre políticas públicas e incentivos, diálogo com comunidades locais mais vulneráveis e governança preocupada com diferentes níveis de risco.

 

English Version

Climate Change effects on health

“Have you ever thought about the relation between health and climate change?”. This question was made to people who passed by COP20, the UN Conference on Climate Change, during the hot afternoon of this Tuesday (December 2nd) in Lima (Peru).Trying to call COP20 participants’ attention, Maria exemplifies different problems on health that would be generated by climate changes. “Let’s say that we have a girl from Eastern Mediterranean, where climate is currently hot. A bigger number of people would die there from heat strokes. In Germany, people would die by floating”.

Its responsible was the young medicine student Maria Cisneros Cáceres, 21. Maria is a regional coordinator of the International Federation of Medicine Students’ Associations (IFMSA) in her country (Ecuador). IFMSA acts in 116 countries aiming to create global leaders in health through activities in public health, human rights, reproductive and sexual health and professional and research exchange programs.

The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) points that extreme events related to climate are more likely to happen if the earth’s average temperature keeps enhancing. We may consider heat strokes, coastal flooding by sea level rise and urban flooding due to high levels of rain and low water absorbing by the soil.

Other item mentioned by IPCC is related to food security, or else, keeping quantity and quality of food industry production. A lack of security in food and water offer would have direct impacts on health.

This scenario comprehends since the most obvious impacts, such as lack of drinking water, which would take the poorer populations to drink contaminated water and obtain deseases, to the less imaginable ones, such as the enhance of sea water temperature, that would make some fish populations migrate to other regions and provoke food scarcity, specially to fishing comunities.

“These are things about which we don’t think about, but we know they’re there. We only need to connect these factors to realize these changes have a cause”, explains Maria Cisneros.

 

Adapting to climate changes

Cities and governments may adopt adaptation actions to prevent these factors. The student Malcolm Araos, from McGill University in Canada, points some prevention activities found in his Master research: “New York city, for example, plans these actions for a long time and searches for more quick responses in its emergency systems (such as fireman and hospital department) and created more green spaces. Meanwhile, cities like Cape Town, in South Africa look for preventing flooding and air pollution”.

The main obstacle pointed by Malcolm for implementing these initiatives is related to financial and planning issues. “Usually, cities don’t look for adaptation because its institutions don’t have capacity to engage in this kind of initiative. These policies cost a lot to be created”, explains.

 

IPCC clearly points that, for promoting effective adaptation actions, it is necessary to involve different society sectors (private sector, civil society and government). This may happen through public policies and incentives alignment, dialogue with more vulnerable local communities and multi-level risk governance.

*Integrante da delegação brasileira na COP20

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