(português/english) Transporte: Soluções do futuro estão no passado

Por Evelyn Araripe, da delegação jovem do Brasil na COP19*

Me lembro de quando eu era criança os momentos em que eu me pegava pensando nos veículos do futuro. Inspirada pelo desenho Os Jetsons e no filme De volta para o Futuro eu já me via no século 21 andando em carros voadores e mega rápidos (e com as portas abrindo para cima!). Mas na tarde dessa quinta-feira, 14 de novembro, em Varsóvia, durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas – COP19, eu descobri que a minha visão de transporte do futuro na infância estava totalmente equivocada.

Especialistas em mobilidade urbana de várias partes do mundo se reuniram com os negociadores dos 193 países, que negociam em Varsóvia um acordo climático global, para mostrar soluções para a agenda da mobilidade urbana a partir de 2020 – ano em que começa a valer o novo acordo global. E, para a minha surpresa (ou não), os transportes do futuro não voam e nem abrem as portas para cima. Aliás, são muito mais simples do que isso e já estão na nossa vida há mais tempo do que os próprios carros. Eles se chamam Bicicleta e Veículo Leve sobre Trilhos (o que na época dos meus avós era chamado de bondinho).

Sim, veículos simples, práticos e limpos, a bicicleta e o VLT figuram entre grandes soluções para reduzir as emissões causadas pelos transportes, que hoje respondem a quase 10% das emissões de gases de efeito estufa no planeta, que impulsionam os efeitos climáticos extremos que resultam em grandes catástrofes ambientais. Os especialistas apontaram que se continuarmos investindo no mesmo modelo de transporte que praticamos hoje, a tendência é de as emissões desse setor se elevarem em 80% até 2030.

Uma das grandes lacunas para que os países criem opções mais limpas e eficientes de transportes está no dinheiro. Os especialistas calculam que é preciso US$1,3 trilhões de investimentos em infraestrutura para o transporte nos países em desenvolvimento para que tenham melhores opções de transporte público, melhores rodovias e melhores sistemas para o uso de bicicletas e melhores calçadas. Por outro lado, apesar da quantia assustadora, Cornie Huizenga, da SLOCAT, foi muito prático ao dizer para os negociadores que “muitas das soluções não precisam de mais dinheiro para serem colocadas em prática, basta usar o mesmo dinheiro que hoje é investido em modelos de transporte menos eficientes em modelos mais eficientes”. Ou seja, se hoje as nossas cidades priorizam o investimento em veículos particulares – como é o caso do Brasil – basta mudar esse olhar e o foco de investimentos, esforços e vontade política.

*A Delegacão Jovem do Brasil na COP19 é composta pelas organizações: Aliança Mundial das ACMsEngajamundo,
Federação Luterana Mundial Viração Educomunicação.

 

English Version:

Transport: Solutions for the future are in the past

By Evelyn Araripe, from Brazilian Youth Delegation at COP19*

I remember when I was a kid the times I found myself thinking about the future vehicles. Inspired by The Jetsons and the movie Back to the Future I’ve found myself driving in the 21st century in flying cars and mega fast (and with the doors opening up!). But on the afternoon of Thursday, November 14th, in Warsaw, during the UN Conference on Climate Change – COP19, I discovered that my vision of the future of transportation in childhood was totally wrong.

Experts in urban mobility from various parts of the world met with negotiators from 193 countries who trade in Warsaw a global climate agreement, to show solutions for the agenda of urban mobility from 2020 – the year that begins enforce the new agreement global. And to my surprise (or not), the transports of the future do not fly nor open the doors up. Incidentally, are much simpler than that and are already in our life longer time than the cars. They are called Bicycle and Bus Rapid Transit – BRT (which at the time of my grandparents was called tram).

Yes, simple vehicles, practical and clean, the bicycle and BRT are causesamong great solutions to reduce emissions from transport, which now account for almost 10% of emissions of greenhouse gases on the planet, that causes extreme weather effects that result in major environmental disasters. The experts pointed out that if we continue investing in the same transport model we practice today, the trend is the emissions from this sector soar by 80% by 2030.

One of the major gaps for countries to create options for cleaner and more efficient transport is in the money. Experts estimate that’s necessary $ 1.3 trillion investment in infrastructure for transportation in developing countries to have better public transportation options, better roads and better systems for the use of bicycles and better sidewalks. On the other hand, despite the daunting amount, Cornie Huizenga, the SLoCaT was very practical to tell to negotiators that “many of the solutions do not need more money to be put into practice, just use the same money which is now invested in models of transport less efficient”. In other words, if today our cities prioritize investment in private vehicles – as is the case in Brazil – just change the look and focus of investments, efforts and political will.

*The Brazilian Youth Delegation at COP19 is composed by the following organizations: Aliança Mundial das ACMsEngajamundoFederação Luterana Mundial and Viração Educomunicação.

Evelyn Araripe
Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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