(Português/English) Brasil demite pesquisadores de clima e demonstra retrocesso

Evelyn Araripe | Imagem: SAE/PR

pesquisadores clima

Sérgio Margulis era secretário da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e coordenava pesquisa  (english version bellow)

Em março, os brasileiros foram surpreendidos com o anúncio da demissão de pesquisadores de Clima da Presidência da República. Sérgio Margulis e Natalie Unterstell coordenavam o maior estudo já feito no país sobre adaptação às mudanças climáticas. Batizado “Brasil 2040”, o trabalho tinha o objetivo de embasar políticas públicas de adaptação nos setores de energia, infraestrutura, agricultura e recursos hídricos.

Quase uma dezena de grupos de pesquisa do Brasil trabalhou neste estudo, que estava previsto para ser lançado agora, em abril, e que trazia más notícias sobre os impactos climáticos da expansão da energia hidrelétrica no Brasil.

Em pleno ano de COP21, a atitude mostra o quanto o governo brasileiro não está aberto para o debate e não aceitará ser contrariado. O discurso de redução do desmatamento será mantido a todo custo pelos negociadores, que vão insistir que o país já fez o suficiente no quesito redução de emissões. No entanto, o país vive a maior crise hídrica da história, o que coloca em cheque a matriz hidrelétrica predominante no país. No ano passado aumentou o uso de energia termo-elétrica a carvão, o que significou aumento das emissões brasileiras e que só tendem a aumentar. Mas quando o assunto é energia, o Brasil não está disposto a falar em redução de emissões. Para o governo, a redução do desmatamento já basta e não se fala mais nisso.

A demissão dos pesquisadores, a falta de abertura para debater outras maneiras de reduzir emissões além do desmatamento, mostra o quanto será difícil o Brasil assumir algum protagonismo na agenda dos INDCs. Na semana passada, em evento com lideranças femininas, a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, voltou a falar que o Brasil já fez o suficiente. Ela ainda se disse contrária a acordos bilaterais que ocorrem paralelo às negociações na UNFCCC (a exemplo de USA e China) e que os acordos deveriam se concentrar no âmbito da Convenção. Mas, se a ministra acredita tanto no poder da Convenção, porque não liderar? Porque não assumir o protagonismo?

Em ano de COP21, o Brasil está mostrando que será o país das grandes contradições nas negociações de clima.

 

 

 

Brazil resigned climate researchers and demonstrates setback

In March Brazilians were surprised at the announcement of the resignation of Climate researchers of the Presidency. Sergio Margulis and Natalie Unterstell coordinated the largest study ever done in the country on climate change adaptation. Called “Brazil 2040”, the work was meant to ground public policy adaptation in the energy, infrastructure, agriculture and water resources.

Nearly a dozen research groups in Brazil worked in this study, which was set to be released now, in April, and that brought bad news about the climate impacts of the expansion of hydroelectric power in Brazil.

In a COP21’s year, the attitude shows how the Brazilian government is not open for debate and won’t accept be defeated. The deforestation reduction speech will be maintained at all costs by negotiators who will insist that the country has done enough in the issue of emission reductions. However, the country is experiencing the largest water crisis in history, which puts into question the predominant hydroelectric matrix in the country. Last year increased the use of thermal energy coal, which represented an increase of Brazilian emissions and only tend to increase. But when the issue is energy, Brazil is not willing to talk about reducing emissions. For the government, reducing deforestation is enough and the government do not talk about it anymore.

The resignation of the researchers, the lack of openness to discuss other ways to reduce emissions beyond deforestation, shows how much will be difficult to Brazil assume some role in the agenda of INDCs. Last week, at an event with women leaders, the Minister of the Environment, Izabella Teixeira, spoke again that Brazil has done enough. She still said contrary to bilateral negotiations that occur parallel to the UNFCCC (the example of USA and China) and that agreements should focus under the Convention. But if the minister believes so strongly in the power of the Convention, why they do not lead? Why not take the protagonism?

In a COP21’s year, Brazil is showing to be the country of the great contradictions in the climate negotiations.

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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