Por uma cidade solidária, justa e colorida

cidade ideal

Por Gabriel Cruz, jovem comunicador, e Elisangela Cordeiro, de São Paulo

Durante o 1º Seminário Marista de Direitos Humanos e Educação, realizado pela Rede de Solidariedade Marista e o Colégio Marista, no último sábado, dia 6/09, teve a palestra “Cidade para quem? Cidade para todos”, do urbanista e professor da USP João Sette Whitaker. Entre outros assuntos, foi abordada a questão da elitização do espaço urbano, por meio da periferização das classes mais pobres.

De acordo com João, “para se alcançar a igualdade social, é necessário que a elite aceite que os investimentos em infraestrutura e saneamento básico se direcionem para as periferias. É preciso investir por muitos anos”. Ainda na mesma abordagem, afirmou que “o Brasil, ao contrário dos países capitalistas no período da Guerra Fria, adotou o Estado de ‘deixe-estar’ social”.

João apresentou o Padrão da Urbanização Desigual, praticada nos países Subdesenvolvidos (incluindo o Brasil). Na nossa realidade, houve total inversão de prioridades de investimento, visando isolar a elite no centro do espaço urbano e localizar as classes trabalhadoras ao redor do centro (periferia). Com isso, a educação, segurança, saneamento básico e todos os direitos humanos básicos são garantidos para essa minoria, enquanto que na periferia existe a total falta desses direitos.

O professor também pincelou a crise de mobilidade urbana. A pauta ganhou visibilidade em junho de 2013, na atual gestão do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), quando a política de “mudança” de prioridade para o ônibus é polêmica e recebida com agressividade pelos setores conservadores das classes média e alta. Mas avaliou que investimento em ciclofaixas tem sido um caminho para dialogar com essa classe pouco receptiva às transformações das vias de transporte e ganhar apoio deles.

Para encerrar, o urbanista citou um trecho de música de “A cidade ideal”, composta por Chico Buarque/Enriquez e Bardotti, e que diz: “A cidade ideal dum cachorro/ Tem um poste por metro quadrado”. Ao fim, alertou para pensar a cidade de forma não individualista. E alertou que para isso é necessário ouvir as crianças, pois elas querem cidades para compartilhar suas vivências, brincadeiras, encontros e diversão.

Dessa forma, com certeza, teríamos uma cidade solidária, igualitária, justa, colorida, para todxs. Uma cidade feliz.

“Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores

E os pintores e os vendedores

Fossem somente crianças”

(A cidade ideal)

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