Albert Sansano, do Conselho à esquerda

“Políticas educativas antiliberais são necessárias”, diz membro do Conselho Internacional do FME

Albert Sansano, do ConselhoInternacional do FME, à esquerda

Albert Sansano, do Conselho Internacional do FME, à esquerda

Por Tulio Bucchioni e Vania Correia/ Imagem: Vania Correia

Durante o Fórum Mundial de Educação (FME), a Agência Jovem de Notícias se reuniu com o espanhol Albert Sansano, da secretaria executiva do Conselho Internacional do FME. Em uma breve conversa, discutimos o histórico e o futuro do FME, a baixa presença da juventude no fórum em 2014 e a educação em outro mundo possível. Abaixo você confere os principais momentos dessa conversa.

Histórico e futuro do FME

“Dois caminhos se iniciaram. Houve a necessidade de se construir o Fórum Mundial de Educação (FME) como um espaço majoritário, pois o mundo da educação exigia um espaço para se fazer um debate mais aprofundado sobre o tema; tínhamos então uma agenda separada do Fórum Social Mundial. Decidimos depois continuar com o espaço, mas fazendo coincidir as agendas. Foi então que decidimos fazer o Fórum Mundial de Educação intercalando-o com o Fórum Social Mundial”

“Fomos aperfeiçoando o FME. O Fórum Social Mundial não se pronuncia, não há um documento final do FSM, uma declaração própria, com autonomia dos movimentos. O FME opta por finalizar os debates sempre com uma carta ou documento amplo, de forma que seja possível trabalhar com governos locais, estados ou países. A programação da tarde, com os grupos de trabalho (GT), é especialmente para isso: discutir e aprofundar debates, fazer sínteses”

“No futuro os fóruns serão necessários, na Europa, frente às políticas neoliberais, os fóruns são necessários; na África, são necessários; no Brasil, o fantasma do neoliberalismo ainda está em cima. Ou seja, políticas educativas antiliberais são necessárias”

Presença da juventude

“A presença de jovens no FME é um tema que foi discutido no outro fórum. Tentamos melhorar essa presença, mas não conseguimos. O que devemos fazer para que os novos movimentos sociais da juventude se integrem? Tanto o FMS como o FME enfrentam o mesmo problema. Falamos com a UNE (União Nacional dos Estudantes), falamos com a juventude do PT (Partido dos Trabalhadores) e do PC do B (Partido Comunista do Brasil), mas conseguir vinculá-los a uma reunião do comitê organizativo do Fórum era impossível. Dizem que vão, mas não aparecem e não nos falam por que não vêm. Precisamos aprofundar o debate com a juventude e integrá-los melhor, mesmo que isso signifique mudar formatos organizativos. Queremos a juventude aqui”

Educação no outro mundo possível

“Primeiramente, a escola precisa ser profundamente democrática. O controle da escola tem que ser das famílias, dos alunos, dos professores, com eleições democráticas com participação de todos. Os professores trabalham a serviço das famílias e dos alunos. É preciso avançar também no projeto democrático: a escola tem que ser pública, gratuita e laica. Os materiais educativos precisam responder às demandas em que estão inseridas as escolas e instituições de ensino. O currículo [escolar] não pode ser desenhado pelo Ministério da Educação e enviado para as escolas; tem que ser feito pela base. Existe a metáfora do helicóptero: um currículo escolar é igual a um helicóptero. Quando o helicóptero está voando, não sabe exatamente o que se passa na sociedade. O currículo feito pelo Ministério é a mesma coisa”

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