Pesquisa revela que a televisão ainda é a principal fonte de informação dos brasileiros

Uma pesquisa nacional sobre os hábitos e práticas culturais da população brasileira foi apresentada no último dia 14, na mesa final do Encontro Internacional Públicos da Cultura, no Sesc Vila Mariana. O coordenador dos estudos, o professor Dr. Gustavo Venturi, da Fundação Perseu Abramo, trouxe os principais dados e algumas reflexões ainda preliminares. A pesquisa apresenta indicativos importantes, capazes de elucidar a relação do brasileiro com a cultura e apontar direções para as políticas culturais.

A pesquisa ouviu 2.400 pessoas a partir dos 16 anos, em 150 municípios brasileiros. A média de idade dos entrevistados é de 39 anos, mais de 30% tem apenas o Ensino Fundamental, 22% o Ensino Médio e 45% tinham ensino técnico ou superior. Mais da metade dos entrevistados estão entre os brasileiros considerados de classe média.

A televisão aberta é a principal fonte de informação para mais de 70% dos brasileiros entrevistados, seguida pela internet com pouco mais de 30%. Os dados demonstram que a força da TV se mantém, mesmo com a popularização da rede mundial de computadores. As relações interpessoais ocupam ainda um lugar significativo no processo de informação, 14% declaram se informar por meio de conversa com conhecidos.

Além disso, assistir televisão também figura entre as principais atividades de entretenimento. Mais da metade dos entrevistados dizem ver TV nas horas livres. Apenas 7% declaram participar de alguma atividade cultural, como ir ao museu, cinema ou show.

Os dados dos estudos mostram ainda que um em cada cinco brasileiros nunca foi ao cinema e um em cada três nunca leu um livro. As razões para tão baixa fruição de bens culturais são diversas, estão diretamente relacionadas à formação do gosto e, consequentemente, ao acesso, “a gente só gosta ou não gosta a partir do que conhecemos”. A dificuldade de acesso restringe a formação de público para atividades culturais, especialmente as mais eruditas.

Venturi chama a atenção para a centralidade do tema mobilidade no acesso à cultura. “Particularmente, entre a juventude, isso tem um peso maior. Não é à toa que as jornadas de junho se iniciaram em torno da questão de mobilidade [preço das tarifas do transporte público] e foi puxada pelos jovens.”

Os dados da pesquisa serão publicados em livro pela Fundação Perseu Abramo, em data ainda não prevista.

Bruno Ferreira
Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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