Pesquisa pretende ouvir jovens a respeito do Ensino Médio na América Latina

O que pensam os adolescentes e jovens latino-americanos a respeito do Ensino Médio?

É o que a Consulta Regional “Educação Secundária na América Latina e no Caribe”, pretende investigar. A pesquisa é uma realização da Campanha Latino Americana pelo Direito à Educação (CLADE). Adolescentes e jovens, de toda a região, que estão nessa etapa escolar ou  que abandonaram os estudos por alguma razão são convidados a participar da consulta respondendo o questionário.

Confiram abaixo algumas das primeiras respostas coletadas pela Consulta.

Estatísticas recentes indicam que cerca de 50% das/dos jovens da América Latina não concluem o Ensino Médio. Em sua opinião, por que isso ocorre?

Tomas Orellana, 16 anos, estudante
“Isso ocorre em geral pela falta de interesse dos jovens, pelo fato de que alguns começam a trabalhar cedo e também porque os colégios não são capazes de inserir tranquilamente no mercado de trabalho os jovens que saem do Ensino Médio. Durante os anos 90, houve uma transformação na educação que levou muitas pessoas a serem excluídas da escola por não verem perspectiva na escola. Por isso considero necessárias novas mudanças, para que os jovens sejam capacitados a conseguir empregos.

Grande parte das escolas de hoje têm jovens com origens sociais diferentes e eu as considere necessárias. Porém, muitos jovens não conseguem trabalho só com o Ensino Médio e têm que entrar na universidade para conseguir um trabalho digno. Se vivêssemos em uma sociedade em que o técnico tivesse mais valor, certamente muitos jovens concluiriam o Ensino Médio”

Moises Lopez Santos, 16 anos, estudante panamense
“A razão, na minha opinião, reside em vários fatores políticos, econômicos, sociais, familiares. Fator político: a incapacidade de muitos líderes do continente de administrar os fundos dos países de forma razoável e apoiarem as pessoas que mais necessitam de recursos e, por consequência, sofrem com a ausência de investimentos.

Fator econômico: muitos países da América Latina tem em comum a inflação e as economias em crise. Fator social: os/as jovens na maioria dos casos não desejam estudar por diversas razões, entre as quais estão a moral individual, a violência social, a perda do respeito e dos valores éticos, além dos fatores já mencionados antes. Fator familiar: a violência em casa afeta a capacidade dos jovens de desenvolverem suas capacidades intelectuais devido à dificuldade de se concentrarem”


Carla Cachis, 16 anos, estudante peruana
“Na sociedade existe muita pobreza. Para os setores mais pobres, as oportunidades de trabalho não aparecem permanentemente. Isso faz com que muitas famílias sejam obrigadas a trabalharem nas ruas ou a trabalharem muitas horas para assegurar sua alimentação diária. Os pais dessas famílias acreditam na máxima de que “quanto mais mãos trabalharem, mais dinheiro teremos”. Por essa razão, muitas crianças trabalham no campo ou nas ruas em vez de irem à escola estudar. Da mesma forma, os filhos homens recebem mais atenção do que as filhas mulheres, que, em muitos casos, são obrigadas a ficar em casa fazendo o trabalho doméstico enquanto os meninos têm a oportunidade de serem educados”

Mais informações no site da Campanha Latino America pelo Direito à Educação.

Fonte: http://www.campanaderechoeducacion.org

 

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