SAO PAULO, SP, BRASIL, 03-04-2008, DESIGUALDADE SOCIAL – Vista da favela de Paraisopolis, na zona sul de Sao Paulo, com predios de alto padrao do bairro do Morumbi ao fundo. (Foto: Apu Gomes)

Pensamento Crítico para o combate à Segregação Espacial

De maneira rotineira é comum observar, ao percorrer centros urbanos a diferença entre algumas partes físicas que compõem a estrutura das grandes cidades. É evidente que há uma segregação espacial para os cidadãos que não detém de condições financeiras de habitar em espaços com uma estrutura física básica e, isso sem dúvida se relaciona com o acesso aos espaços de lazer e cultura. Portanto, dissertar sobre essa temática nos emerge buscar reflexões que nos auxiliem no processo de conscientização social.

Por Vitor Cardoso Alves | Edição e revisão: Gislaine Costa de Mendonça

Para debater a segregação racial como característica de violação aos direitos humanos, faz-se necessária a contextualização pré-histórica, por bases historiográficas de situações que introduzem ou iniciam a discussão da referida temática de grande notoriedade social.

Vale também salientar que as referências que alicerçam a discussão desse tema são,em diversos casos, uma possibilidade de despertar o desenvolvimento crítico. Pois, como afirma Nicolescu (2000, p. 150), tratar-se de “aprender a conhecer”, isto é, o senso crítico na análise e compreensão desse nicho enfoca a responsabilidade por parte da sociedade – leitora, o sentimento de analisar, perceber e emitir um posicionamento a partir dos elementos textuais – parte geral do contexto.

SAO PAULO, SP, BRASIL, 03-04-2008, DESIGUALDADE SOCIAL – Vista da favela de Paraisopolis, na zona sul de Sao Paulo, com predios de alto padrao do bairro do Morumbi ao fundo. (Foto: Apu Gomes/OXFAM)

Dessa forma, é importante contextualizar a partir da historicidade, para que se ponha em discussão o momento histórico em que se iniciou a segregação espacial, e, consequentemente, abordar os elementos que possibilitaram a continuidade e intensificação dessa mazela social.

O momento exato em que houve o surgimento da segregação espacial entre indivíduos com condições econômicas distintas é uma tarefa bastante árdua, e que, em tese, não há uma comprovação concreta que afirme o exato momento em que nasce essa mazela social.

No entanto, podemos destacar o início da colonização brasileira como um evento histórico precursor da segregação espacial, ou seja, por muito tempo, ao desenvolver da “modernização” do Brasil, os índios e negros foram tratados pelos portugueses como meros objetos de uso social e dispensável, eram tratadas em diversas situações como ser inferior e, até mesmo, incapazes de ocupar o mesmo espaço físico. 

No que tange aos lugares, por exemplo, a casa do colonizador e a senzala, como também o espaço social – no que se refere a impossibilidade do  índio ou escravo africano ocupar as mesmas posições dos colonizadores – como, na administração portuária. Essas dinâmicas refletem como a segregação, com base no fator econômico e por questões de etnias, influencia  a impossibilidade de ascensão e ocupação dos espaços – físicos e sociais. 

Ainda assim, cabe evidenciar que apesar da diferença histórica entre o período da colonização e seus entraves sociais até o atual século, é nítido perceber que a segregação espacial não teve um fim, mas, uma modificação oriunda do processo de globalização.

Em termos práticos, diz-se que a forma de segregação espacial “mudou” de cara na atual sociedade, ou seja, ao invés de colonizadores, temos pessoas de grande poder aquisitivo econômico e políticas governamentais contra a igualdade social. No papel de índios e escravos, temos pessoas de classe média baixa e alto grau de vulnerabilidade econômica.

Dessa forma, ao abordar a questão histórica sobre a temática, nota-se, também, que o contexto social a qual se submete e eterniza essa mazela teve suas modificações, visto que – em termos teóricos,  e  de acordo com a Constituição Federal de 1988, por meio do artigo 5°, informa que todos devem serem tratados de forma igualitária, sem nenhuma distinção social ou econômica.

Rocinha favela and Zona Sul in Rio de Janeiro – matteo0702/Flickr

Contudo, existe uma realidade pouco debatida no quesito de avanços de políticas públicas que sanem essa problemática social, que assola a sociedade brasileira e, consequentemente, desacelera o progresso social e desenvolvimento sustentável

Por exemplo, as favelas – locais físicos, abrigam grandes escalas demográficas no mesmo local, além de não ter um planejamento urbano como nos bairros desenvolvidos pelo poder público; um cenário com inúmeras situações que violam os direitos humanos e preconiza com a seguridade e bem-estar social dos indivíduos.

A estrutura física precária que caracteriza a moradia de mais 60% da população brasileira revela sem dúvida o surgimento do pensamento crítico, a desigualdade sobre a possibilidade de igualdade social, que ao passar do tempo e ao evidenciar suas características, configura-se não apenas como matéria geral de igualdade social, mas como matéria específica de segregação espacial.

Compreender o histórico e os mecanismos de desigualdade social é fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico como agente de integração e mobilização social para o avanço de políticas públicas anti segregação espacial.

Destaca-se também, que, a segregação espacial por extensão do seu conceito permite que esse possa adentrar e suscitar diversos debates sobre os mais variados tipos de segregação, tais como segregação social no aspecto de ocupação política, segregação espacial em detrimento da construção da história brasileira e demais variantes.

Portanto, ao introduzir sobre essa temática, é esperado como ferramenta de provocação social a compreensão dos mecanismos  de desigualdade e mais importante, a promoção do pensamento crítico de modo a incentivar a comunidade a pensar e debater sobre o assunto, instigá-los a questionar a segregação espacial e fazer parte da resolução da problemática.

Quer saber mais sobre o pensamento crítico e seus direitos?

Consulte a Constituição Federal Brasileira e o trabalho de  Nicolescu, Educação e Transdisciplinaridade (2000).

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