Participantes da Parada Gay contam o desafio de “saírem do armário” na adolescência

Safira Preciosa

Ana Vitoria Patrício e Mayara Brandão, adolescentes comunicadoras da Agência Jovem de Notícias de SP | Educomunicadora: Elisangela Nunes Cordeiro

No último domingo, 4 de maio, São Paulo realizou a 18ª Parada do Orgulho LGBT, que reuniu milhares de pessoas ao longo do percurso pela Avenida Paulista e Rua da Consolação. Apesar da discussão sobre respeito aos direitos civis da população LGBT estar em pauta com força na mídia tradicional, o Brasil ainda possui muitos adolescentes e jovens que sofrem preconceito.

O período da adolescência é um momento de construção de identidade, de descobertas, inclusive da orientação sexual. É uma passagem dolorosa para meninos efeminados, pois são alvos de preconceito e são estigmatizados desde a infância.

É o caso de Safira Preciosa, travesti de 23 anos, que sentiu na pele as primeiras situações de discriminação, aos 10 anos de idade, na escola. Por esse motivo seus pais optaram por tirá-la dos estudos. O convívio em casa sempre foi conflituoso, pois, segundo ela, a relação com a família foi sempre uma “guerra”. Aos 22 anos saiu de casa por não suportar mais o ciclo de violência que sofria em casa e em sua comunidade. Essa foi a primeira Parada Gay da qual participou e acredita ser “importante esse espaço, uma forma de protestar pela garantia de direitos”.

Já Julio Cezar, de 37 anos, disse que antes de se assumir gay, quase chegou a casar com uma mulher. Ele descobriu ser homossexual aos 18 anos e o processo de afirmação e aceitação pela família foi bem conflituosa.

Thais e Graziele_parada

A roraimense Thais Pereira, de 19 anos, explicou como foi difícil para ela se assumir lésbica, ainda aos 14 anos. Disse que tinha medo de contar as pessoas e pensava muito na sua família, que é religiosa e tradicional. Sempre se achou diferente das outras meninas, pois gostava de futebol e não se interessava por meninos.

Quando ela decidiu se assumir, logo quis contar para sua família, o que, para sua surpresa, foi aceita e apoiada pelo pai. Para sua mãe a situação foi mais difícil, “porque ela tinha esperança que eu casasse, tivesse filhos com um homem”, conta. Hoje, Thais mora com sua companheira Graziele Eloar, também de 23 anos, no interior de São Paulo, com quem pretende se casar. Para Thais, o mais importante na adolescência é “em primeiro lugar, se aceitar para depois contar à família”.

Homofobia na escola

É necessário realizar esforços na esfera da educação, em especial a pública, para enfrentar a homofobia em suas raízes. A escola é o espaço para educar o ser humano para o respeito à diversidade de ser e estar no mundo. Mas, infelizmente, isso ainda não acontece. Segundo a pesquisa Juventudes e Sexualidade, da UNESCO, que envolveu milhares de estudantes brasileiros de ensino fundamental, pais e professores, revelou que os professores não apenas tendem a se silenciar frente à homofobia, como também, muitas vezes, colaboram ativamente na reprodução desse tipo de violência. Outro dado alarmante é que mais de um terço dos pais de alunos não gostaria que homossexuais fossem colegas de escola de seus filhos.

Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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