Para discutir e contribuir com o legado social dos eventos esportivos, projeto Cidades da Copa é lançado em SP

Ideia é contribuir para a formulação de ações que promova o esporte educacional como direito; Rejupe-SP passa a integrar a rede, formada por diferentes setores da sociedade civil

Por Carlos Eduardo Ferreira, Livia Costa de Souza, Jenicleide de Barros, Maria Aparecida Santana, Victoria Satiro Martins, adolescentes comunicadores da Rejupe-SP; e Reynaldo Azevedo, adolescente comunicador da Renajoc

Na última quarta-feira, 10 de abril, foi lançado em São Paulo o Cidades da Copa, projeto de mobilização de diferentes setores da sociedade civil, governos e órgãos privados para discutir e criar ações de desenvolvimento social nas 12 cidades-sedes que irão receber os jogos da Copa do Mundo de 2014.

Idealizada pelo Instituto Esporte & Educação, a iniciativa conta com o envolvimento das secretarias municipal de Esportes, Educação, Saúde e Desenvolvimento Social, Rede Esporte pela Mudança Social, UNICEF, Sesc, Atletas pela Cidadania, ONGs, CCR, Instituto Votorantim e federações esportivas.

E claro que a galera da Rejupe São Paulo (Rede de Adolescentes e Jovens pelo Direito ao Esporte Seguro e Inclusivo) não poderia ficar de fora dessa iniciativa, acompanhando e participando das discussões. Inclusive, o núcleo paulista da rede passa a integrar o movimento, contribuindo com a visão da juventude no debate e construção de propostas que colaborem no legado social esportivo.

Presidenta do Instituto Esporte & Educação, a ex-jogadora de vôlei Ana Moser disse à Agência Jovem de Notícias que a participação dos jovens nessa ação irá ajudar a fazer com que outros jovens tenham acesso e possam refletir sobre os assuntos ligados aos eventos esportivos de uma forma que vá além do que eles veem pela televisão.

“Vocês possuem o conhecimento de como fazer chegar aos jovens as informações a respeito do que está acontecendo na preparação dos jogos e ajudarão a desenhar uma visão de futuro e esperamos que essa ação crie uma estrutura de movimento para as pessoas que atuam com o esporte e faça com que saibam a importância de discutir a questão do legado esportivo”, disse Ana Moser.

“Vamos ter atletas do mundo inteiro jogando aqui no Brasil. Mas como é que estão os nossos jovens, nossos espaços de esporte, pra competição, saúde, inclusão, e para o desenvolvimento de crianças e jovens?”, continua.

A ex-jogadora de basquete Hortência, associada da Atletas pela Cidadania, também conversou com a reportagem e falou sobre a importância de envolver todos os brasileiros na cobrança de um legado social. “(Nos eventos esportivos) Não é só torcer, mas o que isso está representa hoje e representará depois. Precisamos ter um entendimento e cobrar os nossos representantes para que algo realmente aconteça. Que vai ter um legado, isso não tenha dúvida. Mas qual será o legado social que vai ficar?”, questiona.

Todos juntos pelo esporte inclusivo

A mesa de lançamento foi composta por diversos representantes das organizações parceiras do projeto, que trouxeram suas expectativas em relação á herança que será deixada pós Copa do Mundo.

Representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Adriana Alvarenga lembra que o esporte é uma prática que deve ser garantida para todos, sem nenhum tipo de distinção. “O esporte representa para milhões de crianças e adolescentes uma linguagem universal. Brincar, ter acesso à prática esportiva inclusiva não deve ser, portanto, um privilégio de algumas crianças e alguns adolescentes, mas um direito assegurado a cada um deles, a todos eles”, disse. A Rejupe é uma iniciativa que conta com o apoio do UNICEF.

Outro participante, o secretário de Esportes do município de São Paulo, Celso Jatene, disse que o projeto Cidades da Copa conversa com o plano de trabalho da prefeitura, que pretende desenvolver atividades que criem a cultura da prática esportiva na rotina das pessoas. “Muitas vezes a gente ouve as pessoas dizerem que é preciso viver o clima da Copa, mas a gente precisa é viver o clima do esporte, implantar a cultura do esporte. A Copa é só um capítulo disso”, disse o secretário.

No evento, Jatene se comprometeu a acompanhar o trabalhado do movimento, deixando as portas da secretaria abertas para o diálogo e construção conjunta de ações. “Nós fazemos questão de deixar bem claro que estamos envolvidos nesse projeto, não somente como secretaria, mas como governo municipal”, afirmou.

Além de São Paulo, o projeto Cidades da Copa também é realizado, neste ano, em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Curitiba. A previsão é que em 2014 as demais cidades-sedes da Copa recebe a iniciativa. Em cada local, o projeto irá realizar três encontros mensais, de dois dias, com os representantes das organizações envolvidas para avaliar a situação da cidade em relação ao esporte, como a estrutura física, para que se possa construir um Plano de Ação de Esporte.

Sobre a Rejupe

A Rede de Adolescentes e Jovens pelo Direito ao Esporte seguro e Inclusivo (Rejupe) é um espaço de participação e integração formado por adolescentes brasileiros com o objetivo de proporcionar a troca de experiências entre adolescentes, jovens e grupos de participação cidadã para consolidar ações de defesa e promoção do direito ao esporte seguro e inclusivo, para todas as crianças e adolescentes do Brasil, assim como iniciativas que incidam diretamente no planejamento e construção de um legado social positivo para os megaeventos esportivos. Em São Paulo, o núcleo tem o apoio da ONG Viração Educomunicação.

 

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