Para conhecer e entender a importância do mês do orgulho LGBTQ+

Listamos 6 pontos sobre a história das lutas e conquistas LGBTQ+ para você conhecer e entender a importância de celebrar o orgulho de ser diverso no mês de junho

Por Monise Berno

Já virou tradição: durante o mês de junho, as redes sociais ficam coloridas e muito se fala sobre as lutas e conquistas da comunidade LGBTQ+, no Brasil e no mundo. Apesar de sermos um dos países campeões em violência homofóbica e transfóbica, da epidemia de ISTs e Aids, ainda há muito pra celebrar, mesmo que em 2020 a festa precise ser em casa 😷

Nessa lista selecionamos marcos importantes dessas lutas por direitos que se renova a cada ano, e indicamos quatro leituras para aprender cada vez mais sobre as histórias e conquistas da comunidade LGBTQ+ no Brasil:

1. Por que 28 de junho é o dia do orgulho LGBTQ+?

No dia 28 de junho de 1969, um grupo de oficiais da ‘Divisão Moral Pública‘ invadiu um bar gay no bairro de Greenwich, Nova York, coagindo e repreendendo com violência pessoas que julgavam ter “conduta imoral”. Os eventos que ocorreram no Stonewall Inn levaram às primeiras paradas de orgulho LGBT, como a marcha que aconteceu em 1970, do bairro Greenwich até o Central Park. A data foi considerada o marco inicial das lutas por direitos civis das minorias LGBT e foi reconhecida em todo o mundo. Com o passar dos anos, as mobilizações tornaram junho o mês do Orgulho LGBTQ+.

2. Um pouco da história do movimento LGBTQ+ no Brasil

Os movimentos de luta pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no Brasil a se desenhar nos anos 1970, com pessoas se organizando em reuniões em espaços como bares e clubes. Essas pessoas produziam publicações – jornais, panfletos e boletins – que eram divulgados nestes espaços e abordavam a censura, o preconceito da sociedade e as perseguições do governo – uma das principais publicações era “O Lampião da Esquina”, que trazia textos de oposição à ditadura e discutia causas sociais, além dos temas voltados para a comunidade.

3. A AIDS e os movimentos LGBTQ+ no Brasil
Rainbow color ribbon awareness on human hand on BNW background, clipping path: Symbolic color logo icon for equal rights in love and marriage social equality of LGBT community/ people concept

A eclosão da epidemia de Aids afetou com força a comunidade gay no começo dos anos 1980. Homens gays, pessoas bissexuais, travestis e pessoas transexuais passaram a carregar mais uma marca: o preconceito de serem vetores de uma doença nova, mortal e sem tratamentos efetivos. Diante dessa crise de saúde pública, a luta da comunidade LGBTQ+ agora era para garantir que o sistema de saúde trabalhasse para combater a Aids.

Em 1984, a travesti Brenda Lee criou uma rede de acolhimento para pacientes com Aids que não estavam doentes a ponto de receberem atendimento em hospitais, mas que não tinham condições de se manterem de forma independente: era a Casa das Princesas, depois rebatizada de Casa de Apoio Brenda Lee, que funciona até hoje no bairro da Bela Vista, em São Paulo.

4. Quando surgiram as primeiras paradas do orgulho LGBTQ+?
SAO PAULO, BRAZIL – MAY 04: Participants march in the Eighteenth Gay Pride Parade in Sao Paulo on May 4, 2014 in Sao Paulo, Brazil. Demonstrators protested in favor of the criminalization of homophobia in the country and the promotion of human rights for transsexuals. (Photo by Victor Moriyama/Getty Images)

Foi a partir dos anos 1990 que as lutas do movimento LGBTQ+ começaram a ganhar mais visibilidade no Brasil. Em 1995, um congresso de uma associação LGBTQ+ foi encerrado com uma pequena marcha em Copacabana. No ano seguinte, em São Paulo, um ato reuniu cerca de 500 pessoas na Praça Roosevelt para reivindicar direitos para a comunidade.

A partir destes dois eventos, coletivos começaram a se reunir e a primeira parada LGBTQ+ do Brasil aconteceu em São Paulo, em 1997 e ganhou espaço ao longo dos anos no calendário ativista da cidade – hoje, a parada do orgulho LGBTQ+ de São Paulo é uma das maiores do mundo!

5. Um dia para lembrar das conquistas e repensar as lutas

São décadas de luta. Muitos passos foram dados para que a comunidade LGBTQ+ tenha acesso a direitos básicos: não ter sua orientação sexual considerada crime ou doença, poder se casar, adotar, doar sangue, assumir seu nome social, direito e acesso a tratamentos médicos, direito ao trabalho, à vida e a uma existência digna.

Mesmo com todo esse avanço, o Brasil ainda é um dos países onde mais se agridem e matam homossexuais, travestis e transexuais. Ainda há muito a ser feito. A cada ano, é dever de todas as pessoas relembrar e celebrar todas as conquistas e renovar juntes as energias para continuar na luta pela garantia de direitos e por uma sociedade de paz.

6. Quando as lutas se entrelaçam: vidas pretas LGBT+
Photo credit should read DIBYANGSHU SARKAR/AFP/Getty Images)

No Brasil, uma pesquisa do Grupo Gay da Bahia realizada em 2017 mostrou um aumento de 30% dos homicídios de pessoas LGBT+, quando comparado ao ano anterior. Entre as pessoas assassinadas ou que cometeram suicídio no Brasil no período analisado, 34% eram negras.

Apesar das conquistas alcançadas com a implementação de políticas afirmativas em diversos setores da sociedade, é urgente pensar alternativas para que pessoas pretas LGBT+, que além lutar contra os preconceitos de gênero, precisam enfrentar todos os dias os efeitos destrutivos do racismo estrutural, tenham assegurado acolhimento, aceitação e direito à uma existência segura e livre.

Conteúdo Bônus
Leituras para aprender sobre as histórias e conquistas da comunidade LGBTQ+

Vem conferir essa lista de textos para aprender mais sobre as histórias e conquistas da comunidade LGBTQ+ no Brasil! Três deles pertencem ao ‘Dossiê | O movimento LGBT brasileiro: 40 anos de luta’ (ed. 235) publicado no site da Revista Cult em 2018, e o quarto é o artigo “Em direção a um futuro trans? Contribuição para a história do movimento de travestis e transexuais no Brasil”, escrito por Mário Carvalho e Sérgio Carrara e publicado pela Revista Sexualidad, Salud y Sociedad – Revista Latinoamericana.

Conteúdos para ler e compartilhar!

Este conteúdo foi originalmente publicado no formato de série na página do projeto Pra Brilhar, executado pela Viração Educomunicação, em parceria com o Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, com apoio do Centro de Referência e Defesa de Diversidade e do Grupo Pela Vidda SP.

O Pra Brilhar está com inscrições abertas para seleção da nova turma. Para participar, preencha o formulário até o dia 15 de julho: https://bit.ly/InscricaoPraBrilhar2020

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