Para compreender e apoiar a resistência Indígena

Abril é o mês da resistência indígena! Vamos entender por que é importante derrubar mitos sobre essa data e conhecer 5 indígenas para expandir as referências

Hoje é 19 de abril, no Brasil conhecido como o “Dia do Índio”. Para os povos indígenas, a data é carregada de estereótipos que aumentam o preconceito e destroem o sentido das lutas indígenas.

A data faz referência ao primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que aconteceu em 19 de abril de 1940 no México, com a presença de representantes de povos indígenas de vários países das Américas. O “Dia do Índio” foi instituído no Brasil por meio de um decreto do então presidente Getúlio Vargas, em 1943.

O que vem à mente quando você pensa no “Dia do Índio”?

Com certeza, as atividades que todos fizemos na escola, pintando rostos e cantando músicas caricatas são lembranças comuns a todos nós.

A Samela Awiá, jovem comunicadora indígena do povo Sateré Mawé, estudante de biologia, ativista ambiental, comunicadora, colunista, apresentadora, consultora e artesã, explica alguns dos principais pontos para começar a desconstruir ideias estereotipadas sobre os povos indígenas, em um vídeo divulgado na página da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil no Twitter:

O “Dia do Índio” vem sendo ressignificado, e passa a significar um marco da resistência dos nossos povos originários e suas lutas por demarcação de territórios, preservação dos biomas, pela manutenção da sua cultura e pela garantia de direitos básicos como acesso à educação, trabalho e saúde.

Muitos dos preconceitos relacionados à cultura e às vivências dos povos indígenas estão relacionados à falta de conhecimento sobre a diversidade de povos e costumes, e também ao senso comum de que indígena é somente aquele que vive nas aldeias.

Pessoas indígenas existem e convivem em sociedade, habitam cidades, estudam, trabalham, acessam tecnologias, e isso não os faz menos indígenas. Negar a existência delas e cultivar estereótipos é preconceito!

A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre Povos Indígenas e Tribais, de 27 de junho de 1989, estabelece como critério fundamental para ser considerado indígena a consciência como tal, ou seja, a autodeclaração.

Diferentemente do que aprendemos e do que está nos livros da história oficial, o “índio brasileiro” não existe: os povos originários do Brasil somam mais de 300 etnias, todas com seus modos de vida e saberes – juntos, os povos originários do Brasil falam cerca de 274 línguas.

As lutas contra o genocídio indígena, pela demarcação de territórios e proteção dos biomas brasileiros vêm ganhando cada vez mais espaço nas mídias, e algumas vozes se tornam referências para todos os brasileiros.

Ailton Krenak e Sônia Guajajara são dois exemplos de pessoas indígenas que nos fazem desconstruir narrativas preconceituosas e pensar estratégias para um futuro que contemple e valorize os povos indígenas.

Célia Xakriabá, liderança indígena, defensora da cultura e dos direitos dos povos originários, fala sobre o avanço da destruição dos biomas brasileiros e o genocídio dos povos indígenas, provocado pela negligência e pela falta de políticas públicas de preservação dos territórios, desde o Brasil Colônia:

Alguns dos primeiros passos para desconstruir e descolonizar o pensamento homogêneo sobre os povos indígenas é respeitar suas origens, perceber sua diversidade e o valor de seus saberes, presentes no nosso cotidiano sem que percebamos, nos hábitos alimentares e nos saberes sobre a natureza, por exemplo, além de apoiar as lutas para que todos tenham liberdade, justiça e reparação histórica.

Ilustração: Katira – Artwork @ilustrakat / Reprodução Twitter

Conhecer para Expandir

Selecionamos 5 perfis de pessoas indígenas para você conhecer e compartilhar!

1. Tukumã Pataxó (@tukuma_pataxo) 

Formado em Gastronomia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Tukumã Pataxó é comunicador indígena no Mídia Índia – um canal feito por indígenas para indígenas – e diretor de comunicação da Associação de Jovens Indígenas Pataxó (AJIP). Tukumã usa as redes sociais para debater a situação dos povos indígenas no Brasil e para ensinar sobre a história e costumes do seu povo.

2. Kaê Guajajara (@kaeguajajara) 

Kaê é cantora, compositora, atriz, escritora e arte educadora indígena. Está nas redes para divulgar seu trabalho e as lutas dos povos indígenas. Seu conteúdo é sobre arte, cultura e traz debates sobre temas como o etnocídio e a exploração de terras indígenas.

3. Maira Gomez (@cunhaporanga_oficial)

Maira é artista em pinturas com Urucum e Jenipapo, tradicionais na cultura indígena. Em seu perfil no instagram, ela compartilha seu a dia a dia na aldeia, juntamente com seus pais e irmãos mais novos, apresenta sua arte e explica sobre a cultura e o que as pinturas significam.

4. Daiara Tukano (@daiaratukano)

Daiara é professora, artista, ativista pelos direitos humanos e justiça climática, além de comunicadora Em 2015, ela protagonizou um vídeo viral no qual pedia socorro ao povo Guarani Kaiwoa. Atualmente é coordenadora da @RadioYande, a primeira rádio indígena do país.

5. Kunumi MC (@kunumi.mc)

Werá Jeguaka Mirim é rapper, escritor de literatura nativa e ativista que luta pela causa e direitos do seu povo. Muitas das letras do artista são cantadas em guarani.

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