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Para além de um único dia, a cultura indígena nas escolas – Agência Jovem de Notícias

Para além de um único dia, a cultura indígena nas escolas

Diego Teófilo, colaborador da AJN do Pará | Fotos: AJN

“Jês, Kariris, Karajás, Tukanos, Caraíbas,
Makus, Nambikwaras, Tupis, Bororós,
Guaranis, Kaiowa, Ñandeva, YemiKruia
Yanomá, Waurá, Kamayurá, Iawalapiti, Suyá,
Txikão, Txu-Karramãe, Xokren, Xikrin, Krahô,
Ramkokamenkrá, Suyá”

Composta por Jorge Bem Jor e Tim Maia, a música Curumim Chama Cunhantã Que Eu Vou Contar (Todo Dia Era Dia De Índio), que inicia este texto, foi lançada em 1981, período em que o país vivia um intenso processo de repressão e censura imposta pela ditadura militar, seguindo em 1985 com a reabertura democrática. O trecho remete a reflexão acerca da diversidade das comunidades indígenas brasileiras e no seu decorrer nos possibilita inúmeras reflexões historiográficas sobre os povos indígenas.

No fragmento da letra desta música observa-se um processo intenso de registro, identificação e grande exaltação das diversas etnias existentes ou que existiram no Brasil. O quanto essa diversidade repercutiu e ainda repercute, influencia pautas ligadas direta ou indiretamente às questões indígenas e, principalmente, nos assuntos a respeito da identidade e cultura, um processo contínuo e acima de tudo intergeracional necessário para que se compreendam historicamente as transformações e deformações “culturais” destes povos ao longo do processo de invasão, dominação e aculturação.

Chamo atenção para tal diversidade pela referência construída simbolicamente sempre que chegamos ao mês de abril, em especial o dia 19, em que é comemorado nacionalmente o Dia do Índio. Como é de costume, algumas escolas se mobilizam e comemoram das mais diversas formas, desde as séries iniciais.

Segundo o estudante do ensino médio, Leonardo Brício Santos de Amador, de 18 anos: “Não costumo ter aulas sobre índios sempre, apenas nas aulas de história, sempre apresentado como causador de tudo”, chama atenção. Seu relato demarca um problema de abordagem histórica colocando o sujeito indígena como causador de problemas. Ele ainda diz que tem dificuldade de entender por que os índios são tão ofensivos para outras pessoas.

As comemorações são alvo de críticas de estudiosos da história indígena, sobretudo em relação às narrativas que os/as professores/as tem acesso, como exemplo, o livro didático que inclusive tem sido limitador e generalizador ao pautar o tema.

Nesse sentido, a professora Circe Bittencourt afirma: “[…] o livro didático é um importante veículo portador de um sistema de valores, de uma ideologia, de uma cultura. Várias pesquisas demonstram como textos e ilustrações de obras didáticas transmitem estereótipos e valores dos grupos dominantes, generalizando temas, como família, criança, etnia, de acordo com os preceitos da sociedade branca burguesa”.

A concepção e a forma com que os livros didáticos são produzidos apresentam grandes problemas, principalmente no que tange à questão do conteúdo expresso nestes materiais, o ato de generalizar a história de alguns segmentos possibilita, de forma negativa, um olhar a partir de uma lógica de negação, o que pode ser associado ao movimento e a invisibilidade indígena nestes manuais.

Mario Felix Irineu, membro da Rede de Jovens Indígenas Comunicador@s do Alto Solimões, chama atenção para o papel do poder público sobre o tema e o quanto se propõem em construir escolas no próprio território indígena: “O poder público tem que nos respeitar, ouvir e atender as demanda da comunidade escolar, em qualquer caso ou situação tem que passar por consulta prévia”, diz.

“No caso da construção de uma escola, tem que ser do estilo indígena, construção do calendário escolar, (data comemorativo de acordo da realidade da comunidade local), ensino de língua materna e a contratação de professor indígena que utilize suas próprias formas ensinar e produzir materiais didáticos na língua materna”, completa.

Tá na Mão: conheça o portal Índio Educa

Índio Educa nasceu em setembro de 2011 com o compromisso de levar até você a verdadeira história e cultura dos povos indígenas através das mais variadas formas, especialmente via internet. O grupo conta com o apoio da ONG THYDÉWÁ, selecionada por um edital fruto da parceria entre BrazilFoundation e Embaixada dos Estados Unidos da América no Brasil, que veio atender ao Plano de Ação Conjunto Brasil – Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica (JAPER). O grupo conta também com a parceria do Pontão de Cultura Viva: Esperança da Terra, parceria entre a ONG Thydêwá e o Ministério da Cultura.

#FicaADica

Confira a matéria “Presentes e invisíveis”, publicada na edição 107, da Revista Viração.

 

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