Palestra Magna na 9ª Conferência DCA é organizada por adolescentes no formato de talkshow

Texto: Webert da Cruz (DF) e Andressa de Lima (AC) , adolescentes educomunicadores em Brasília | Imagem: Gutierrez de Jesus Silva, educador

A Palestra Magna da 9ª Conferência Nacional DCA, que aconteceu na tarde desta sexta-feira (13), foi organizada pelos adolescentes que compunham a Comissão Organizadora Nacional, fato inédito na história do evento. Realizada no formato de talkshow, foi apresentada pelos adolescentes Thallita de Oliveira (DF), Lucyomar França (MT) e Makciel Castro (CE) e teve como participantes Maria do Rosário Nunes (Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos), Miriam Maria José dos Santos (Presidenta do Conanda) e Wanderlino Nogueira (Cedeca-RIO).

Um adolescente de cada região direcionou perguntas aos três convidados. O adolescente Edmilson Gomes (PA) se destacou ao se manifestar diante do palco, cobrando a efetivação das propostas que estão sendo debatidas na conferência. A fala de Edmilson estava fora do roteiro, mas mobilizou o público ao denunciar as negligências na educação vivida por crianças e adolescentes de seu estado. “Cadê os nossos direitos? Como eu posso ser um jovem que não pode ter um ensino de qualidade?”.

A Ministra dos Direitos Humanos afirmou o compromisso de lutar pela maior qualidade escolar para crianças e adolescentes, provocando igualmente a militância do jovem no estado do Pará. Convocou Edimilson a fazer ações locais, participar de grêmios estudantis como forma de mobilizar a comunidade. “E se na tua escola não tem grêmio estudantil, se os professores não estão mobilizados, se os pais não visitam a escola, tu estás também firmando um compromisso com essa conferência… Tu vai mover aquela comunidade”.

Maria do Rosário evidenciou que a mudança deve começar na base, ouvir a realidade das crianças e adolescentes. “Não basta criarmos representações gerais que utilizam o microfone em grandes solenidades, as autoridades tem que ter cada vez mais humildade de dirigir-se ao seu povo. Não pode existir jogos de empurra entre as autoridades”, afirmou.

Wanderlino questionou de forma crítica a noção de diversidade na Conferência: “Não podemos imaginar um padrão de criança e adolescente. É só o adolescente urbano? O adolescente rural não é visto? Não é considerado? Quando nós falamos do  adolescente que é branco, onde fica o adolescente afrodescendente? E principalmente a população indígena? Tem jovem indígena aqui, vestido a caráter, vindo marcar sua identidade étnica e muitos de nós estamos os reconhecendo como figuras de zoológico”.

Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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