Terra e muito mais: caminhos das políticas públicas para juventude rural

Agência Jovem de Notícias, em Brasília

Segundo dados do IBGE (Censo 2010), cerca de 8 milhões de jovens vivem no meio rural. As dificuldades enfrentadas por esses jo­vens são, em primeiro lugar, a falta de um modelo agrícola voltado para os peque­nos agricultores, como o agricultor familiar e o assentado de reforma agrária; em segundo a dificuldade de acesso à uma educação de qualidade em todos os níveis. Esses foram os desafios levantados durante a tarde de terça-feira, na mesa que teve como título: ‘Os desafios da construção das políticas públicas para a juventude rural’.

Sérgio Botton Barcellos, mestre em  agricultura e sociedade pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falou da importância de enxergar a diversidade dos atores do campo e trouxe como desafio pensar a integração e a participação deles na criação e execução das políticas públicas, em especial os jovens e as mulheres. Essa ideia foi reforçada nas falas de alguns jovens que interviram na plenária, defendendo que o novo modelo precisa ter como público prioritário os jovens e as mulheres, faci­litando-lhes o acesso à terra.

“Uma organização sem jovem é uma organização morta, porque não vai ter desafios, conflitos e projetos inovadores,” afirma o Marcos Rochinski, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf). Ele defendeu que a juventude não pode ser tema transversal, mas sim tema central e eixo estratégico do desenvolvimento. “A juventude está em tudo e não está em nada” se referindo aos espaços dos movimentos sociais e aos projetos políticos. “Isso é o nosso grande desafio, é como diz o hino dos jovens rurais: juventude organizada, sociedade transformada”.

O secretário de Desenvolvimento Territorial (SDT/MDA), Jerônimo Rodrigues, atentou para importância de se fazer um balanço e análise crítica das políticas para o desenvolvimento rural e reforçou que o espaço é “fundamental para que possamos ir remodelando, dentro do que nos permite a diretriz orçamentária anual”. Falou ainda da necessidade de garantir o acesso à informação e à comu­nicação através da criação e legalização de rádios comunitárias nos assentamen­tos e comunidades. Isso é assunto também.

Depois de uma tarde de conversa e muita escuta, é visível que um dos grandes desafios é  universalizar o acesso à escola para as ju­ventudes do campo, com uma educação diferenciada e de qualidade, que envolva os níveis fundamental, médio, superior e o reconhecimento da Pedagogia de Alternância, Pedagogia da Terra, em que os ritmos e conteúdos escolares atendem às necessidades dos jovens agricultores. Para que não tenhamos os altos números de abandono do campo para os grandes centros urbanos.

Elisangela N. Cordeiro

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