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Opinião | Primavera fascista: O que a gente não aprendeu com 64 – Agência Jovem de Notícias

Opinião | Primavera fascista: O que a gente não aprendeu com 64

Por Redação.

Em 1964, o povo brasileiro passava por um dos momentos mais tenebrosos de sua história recente. A censura, o cerceamento das liberdades individuais e a destruição das instituições democráticas foram as pautas vigentes no período onde mais se torturou e perseguiu jornalistas, artistas, intelectuais e opositores do regime.

Em 2018, o povo brasileiro – ou pelo menos 57.797.073  brasileiros – escolheram, democraticamente, eleger o candidato que mais se assemelha ao que se foi vivido em 64. Com uma falsa roupagem “liberal” e apoiado no mais novo e eficiente marketing eleitoral – lê-se Fake News – o candidato do PSL à presidência elegeu-se nesse domingo (28), ao cargo mais alto da república, com uma vitória histórica sobre o PT, representado pela figura do candidato Fernando Haddad.

O termo “histórica” usado anteriormente para ilustrar o feito do Capitão da reserva e então presidente nunca foi tão bem colocado. Histórica sim, pois representa, depois de anos de ensaios de uma democracia – falha porém existente – um flerte direto com um regime autoritário, o fascismo, e com a extrema direita do mundo.

Cabe a um país com a maioria da população sendo pobre, negra e do sexo feminino “dar-se o luxo” de ter como chefe geral do Estado alguém que apoia explicitamente a tortura, que acredita que direitos iguais entre homens e mulheres são desnecessários e que acha plausível falar sobre negros utilizando ditos escravocratas? As instituições brasileiras estão fortes o suficiente para lidar com tal política de exclusão que atinge diretamente mais da metade dos cidadãos deste país?

O fascismo possui várias faces, várias fases. Essa é sua primavera.

Ato antifascita em Porto Alegre (Imagem: Guilherme Santos/Sul21)

Com um discurso alicerçado na santíssima trindade nacional – militarismo, falso nacionalismo e autoritarismo de cabresto – o “mito”, como é chamado em suas redes sociais, angariou milhares de seguidores fervorosos, que orgulham-se em proclamar as frases racistas, homofóbicas, xenófobas e sexistas do presidente eleito, sob a pecha de chamar de “vitimista” todos aqueles que  ainda sentem o peso e a dor da escravidão, do machismo – personificado nos crimes de feminicídio e de homofobia – e da desigualdade de séculos vividas por essas minorias.

Apoiado também por setores mais “economicistas” da sociedade, que veem no candidato uma saída da crise, Jair Bolsonaro, que foi contra todos os projetos econômicos liberais do país – incluindo a criação do plano real –  usou e abusou do discurso liberal e privatista da economia, o qual lutou a vida inteira contra, depositando a esperança dos seus eleitores no economista Paulo Guedes – investigado pelo Ministério Público Federal por suspeita de crimes contra fundos de pensão.

Ainda no ramo da economia, o militar eleito discursa sobre enfraquecer as relações internacionais e econômicas com países tradicionalmente estratégicos para o Brasil e facilitar o barateamento de estatais para especulação do capital estrangeiro. O que configura-se como incongruente para alguém que se diz tão nacionalista e respeitador da soberania nacional.

Por fim, resta-nos dois caminhos: o primeiro, respeitar o resultado das eleições e torcer para que analistas sociais e econômicos como os do The Economist, Quartz e The Guardian estejam errados sobre suas previsões acerca da política brasileira, e que o deputado de 28 anos de carreira e dois projetos aprovados faça com que seu governo à frente da presidência priorize os valores democráticos e o desenvolvimento social. E o segundo caminho, diga-se de passagem, o mais importante: fazer frente e resistência à todo e qualquer retrocesso ou saudosismo com ideários ditatoriais, impedindo assim, que a cadela do fascismo – que vive solta, e agora eleita – suprima a nossa realidade democrática.

Pois Herzog vive, e vive pulsante em cada um de nós que tem como princípios básicos os compromissos com a verdade, a democracia e a liberdade do povo.

Pela memória dos jornalistas e ativistas perseguidos e torturados pela ditadura, estamos presentes!

– E vigilantes.

*Imagem destacada: AFP 2018 / Michel SCHINCARIOL

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1 Comentário

  • Tem que respeitar!!!, parabéns amiga, muito feliz pelo trabalho que vem desenvolvendo, sucesso!!!.

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