[REFLEXÃO] Gênero: o fator físico deve se sobrepor às nossas escolhas?

|Por: Igor Francheschi Pires, adolescente comunicador

Em uma sociedade onde se avança a tecnologia de forma espantosa e conflituosa, onde as ciências médicas contribuem desde a mínima dor de cabeça até com pesquisas avançadas contra DSTs, é difícil entender o porquê das ciências sociais não serem levadas a sério, assim como as opiniões baseadas num âmbito coletivo que sempre se propõem a progredir acabarem por serem taxadas como algo secundário.

Essa defasagem, muito por conta dos grandes veículos de comunicação e disseminação cultural, acaba impedindo a área social de concretizar suas pautas. Elas acabam por ficar no ideal particular ou de minorias sociais, como em uma caixa com potencial revolucionário, mas cujos os portadores da chave não a querem abrir e elas ficam num mar de ideias melhores para o mundo, só esperando serem livres para se tornarem realidade.

Isso se reflete em vários temas, mas um que terá enfoque aqui aborda todo o contexto sexual e fisiológico do ser humano: o gênero.

Gênero, tanto na gramática da língua portuguesa como na ciência global, é a separação de seres, indivíduos ou objetos através do masculino/feminino. Mas hoje em dia, o que define alguém ser masculino ou feminino, homem ou mulher, é seu órgão sexual ou sua denominação de si? É algo para ser repensado e que é constantemente debatido em movimentos sociais.

Um exemplo que tomou a grande mídia foi o caso da norte-americana Nicole Maine, 15, que é transgênero (quando a pessoa se identifica com o sexo oposto ao de seu corpo biológico) e que em 2007 foi barrada ao entrar no banheiro feminino de sua escola, Orono School District, sendo destinada, pela própria escola, ao bannheiro dos funcionários.

Há pouco tempo aconteceu um protesto na USP chamado ‘’Dia da Saia’’, que se espalhou por diversas escolas no Brasil. O movimento tinha o intuito de promover a liberdade de expressão ao gênero, indo com o que bem quisessem vestir, sem se adequar aos padrões colocados de moda masculina e moda feminina. Tudo isso ocorreu depois que estudantes do sexo masculino de ambos os locais foram insultados por estarem usando saia.

Movimentos de mudança da concepção de gênero existem, como é o caso do feminismo e suas várias vertentes no mundo. Estão em diversas formas de comunicação, por filmes, curtas, reportagens, matérias, músicas, teatro, desenhos, etc… Como é o caso do filme XXY, onde um jovem nasce com ambos os sexos (mais conhecido como hermafrodita) e os médicos querem fazê-lo ter apenas um órgão sexual, mas os pais não permitem, dando espaço para que o menino decida ao longo da sua vida, por si, o que realmente quer fazer.

Assim, os questionamentos surgem: O fator físico do ser humano deve ser colocado à frente do fator mental e moral? Não seria um regresso ao desenvolvimento seguir algum padrão em coisas que são incabíveis de padronizar? Agindo por pura visão primária física e material, em uma colocação que pode ser considerada opressora, discriminatória e até aprisionadora?

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