OMS mandou eu escolher esse daqui. Mas como eu sou Ignorante eu escolhi esse daqui

No terceiro e último texto da série sobre saúde no Brasil e o SUS, algumas reflexões sobre a saúde na pandemia, os negacionismos e as possíveis saídas para o futuro.

Por Victor Capellari

Seguro morreu de velho. Esse é um ditado bem antigo e que carrega muita sabedoria. Conseguimos perceber isso na pandemia que nos atingiu.

Neste momento, necessitamos de um sistema de pesquisa e saúde à disposição. Ou você acha que os cientistas que sequenciaram o genoma do coronavírus ou os pesquisadores que criaram respiradores de baixo custo surgiram de um buraco no chão, como que por uma prece?

Como diz o sábio, toda pesquisa é inútil até a gente precisar dela – por isso investimos em educação e inovação.

Infelizmente, esse governo apresenta como patologia um prazer doentio em fazer sempre o contrário daquilo que é recomendado pelos especialistas, ou até mesmo esperado pelo bom senso.

Ainda no início da pandemia, perdemos dois ministros da saúde: os dois com formação na área médica, um deles “durou” apenas um mês antes de ser tirado do cargo, e no lugar ficou um militar “especialista” em logística.

Só que precisamos lembrar que os requisitos de contratação não são altos, afinal o ministro da educação pode mentir no currículo acadêmico, então talvez o esperado de um ministro da saúde seja mesmo recomendar um remédio sem respaldo científico.

imagem mostra um termômetro sobre diversos comprimidos e cápsulas de medicamentos.

Nesse mesmo contexto de desprezo pelo especialista, podemos colocar as últimas polêmicas envolvendo o ministério da saúde (ou talvez até a publicação desse texto já existam outras novas polêmicas):

Antes da Covid-19 pegar todos de surpresa, o maior problema da saúde mundial, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), era a ansiedade e a depressão, que de acordo com especialistas também pode virar uma pandemia.

Imagina agora, que estamos numa pandemia que dissemina medo, causa instabilidade e obriga as pessoas a experimentarem o isolamento de forma compulsória?

Para ser mais assertivo, podemos citar o Secretário-geral da OMS, António Guterres: 

Mesmo quando a pandemia estiver sob controle, luto, ansiedade e depressão continuarão afetando a população.

E no momento atual, que o Ministério da Saúde pretende revisar a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e encerrar programas importantes da Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas?

Importante frisar que com todo mundo ansioso trancado em casa, o uso de drogas, no mínimo lícitas, logicamente iria aumentar.

Ao mesmo tempo que tudo isso ocorre, temos pessoas duvidando da eficiência das máscaras, das empresas que estão fabricando vacinas (podem ser membros dos illuminati) ou até mesmo duvidam da existência do vírus.

Talvez essa seja a prova cabal de que a saúde mental realmente já foi perdida.

Precisamos tomar cuidado com esses sinais de regresso – as máscaras podem representar uma mudança positiva na nossa sociedade, assim como o cinto de segurança que no início também foi atacado, até que as pessoas se acostumaram e perceberam a importância do uso.

Ao mesmo tempo, precisamos nos preparar para os problemas do amanhã, cuidar da saúde mental da população, educar contra as fake news na área de saúde e acima de tudo, escutar quem dedicou a sua vida em estudar um assunto, na hora de tomar decisões nessa área.

Ilustração em fundo vermelho. Homem branco de máscara tomando vacina em um dos braços. mecanismo dispara um martelo com cruz símbolo da saúde sobre um jornal animado com a manchete "fake news" correndo.
Portal Fiocruz / reprodução

Ver +

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *