Ocupe a Brasilândia: evento reúne moradores e poder público municipal em diálogo sobre os problemas da comunidade

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Caterine Soffiati e Junio Acrata jovens da Agência de Noticias de São Paulo

Ontem o Comitê do Juventude Viva da região da Brasilândia, organizaram um encontro chamada Ocupe a Brasilândia, a proposta do encontro foi discutir o tempo livre dos jovens, cultura e as demandas da juventude e dos moradores da Brasilândia, Zona Norte de São Paulo.

O encontro iniciou com apresentação do Programa Juventude Viva pelo Coordenador de Juventude da cidade de São Paulo, Gabriel Medina. Ele explicou que o Juventude Viva é um plano de prevenção à violência contra a juventude negra. Sua missão é reduzir a vulnerabilidade dos jovens negros da periferia às situações de violência física e moral.

O plano foi elaborado pela Secretaria Nacional de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência da República e pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. O documento integra o Programa de Metas da Prefeitura de São Paulo.

No Município de São Paulo, o plano está sob a responsabilidade da Coordenação de Políticas para a Juventude da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), em parceria com a Secretaria Municipal da Igualdade Racial (SMPIR).

Para substituir a cultura de violência por uma cultura de promoção de direitos aos jovens do Município, o Plano Juventude Viva se propõe a levar aos territórios mais vulneráveis um conjunto integrado de Políticas Públicas Municipais e Federais que promovam a inclusão social e a garantia de direitos.

Estão previstas ações que envolvem a oferta de equipamentos e serviços públicos, a criação e a valorização dos espaços de convivência em regiões com altos índices de homicídios, o enfrentamento ao racismo institucional e a sensibilização dos agentes públicos para a questão.

As ações serão implementadas prioritariamente nos territórios mais vulneráveis, selecionados com base nos índices de concentração de jovens, mortalidade de jovens negros, óbitos por intervenção legal e índice de Desenvolvimento Humano.

A região da Brasilândia, assim como as outras áreas periféricas de São Paulo, sofre com o descaso dos governantes e a repressão da Polícia Militar e os jovens e adolescentes são os que mais sofrem com isso, pois não há muitas opções de lazer e as que têm estão sucateadas.

Os jovens skatistas presentes falaram da precariedade das pistas de skate, inadequadas às demandas dos jovens. Os moradores da região falaram das praças da região que se encontram abandonadas, sem ações e atividades para comunidade. Uma questão levantada pela comunidade foi à violência policial. Para os moradores é preciso pensar estratégias de diálogo com os responsáveis pela questão do enfrentamento ao extermínio da juventude.

O debate contou com alguns representantes da prefeitura que ouviram as questões da comunidade. Diante dos questionamentos, provocações e sugestões dos jovens presentes, os secretários ficaram a par dos problemas e se comprometeram, juntamente com os jovens, a tomar medidas que melhorem a vida da juventude da Brasilândia. Os secretários foram receptivos às críticas que receberam.

Foi momento também de articulação para os moradores da região. Todos saíram do encontro com a sensação de que a luta só está começando, que é importante estarem articulado para continuar essa caminhada para criar oportunidades de atuação dos jovens, enfrentar o racismo e reduzir a impunidade que tem atingindo em especial a juventude, pobre e negra.

Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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