O Tufão Hagutip e os homens de papel (Português/Italiano)

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Marcelo de Medeiros,  de Lima (Peru)* 

Ontem terminou a primeira semana de negociações da COP 20 em Lima e o saldo não é positivo: Os negociadores dos países não encontraram ainda pontos de convergência nos mais variados temas que envolvem as negociações sobre mudanças climáticas e ainda colocam as prioridades nacionais acima da necessidade de encontrar um meio para um acordo realmente global.

Uma música que está fazendo muito sucesso na COP 20 diz que os chefes de Estado e os demais negociadores são como homens de papel que só se interessam por poder e dinheiro e não respeitam a natureza. Aqui em Lima percebemos que infelizmente existem vários homens de papel.

Durante as negociações de sábado pela manhã, os membros da plenária da Plataforma de Durban (que definirá as bases do novo acordo a ser assinado em Paris no próximo ano) souberam de um novo tufão, o Hagutip, que atingiu as Filipinas e deixou vários desabrigados na costa leste do país. E parece que o pior ainda está por vir, pois de acordo com as previsões o atual tufão será pior do que o que devastou o país no ano passado.

As notícias parecem que não sensibilizaram os negociadores da Arábia Saudita que, poucos minutos depois durante as negociações, pediram para retirar do texto base qualquer menção em manter o aumento da temperatura em 2ºC ou 1,5ºC até o fim do século e deixar um texto vago e sem nenhum compromisso concreto para todas as nações. A Austrália durante a semana também deu sua parcela de contribuição para o “entrave” das negociações ao declarar que não oferecerá qualquer incentivo financeiro para o Green Climate Fund (Fundo Verde do Clima) que tem como objetivo arrecadar recursos para financiar projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O processo da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas e seus debates intermináveis sobre detalhes muitas vezes nada construtivos não são compatíveis com a urgência em tomar decisões concretas que o assunto exige. No segundo dia das negociações da Plataforma de Durban os representantes dos países demoraram a tarde toda debatendo se o texto deveria ser revisado parágrafo por parágrafo ou linha por linha! Resultados concretos que é bom, nada!

Para não dizer que não falamos de flores: o Panamá doou um milhão de dólares para o Fundo Verde e deu um tapa na cara em todos os países desenvolvidos e países em desenvolvimento como Brasil, China e Índia que ainda não fizeram contribuições. A atitude já surtiu efeito e a Noruega um dia depois dobrou a sua contribuição chegando a 230 milhões de dólares no total.

Mas infelizmente o que foi discutido nas últimas COPs e o ritmo com que está sendo debatido a COP atual não estão surtindo os efeitos necessários para combater as mudanças climáticas. Nós aqui em Lima estamos a nos perguntar: quantos tufões e outras catástrofes de grandes proporções serão necessárias para que os homens de papel façam alguma coisa realmente concreta?

*Integrante da ONG Engajamundo e delegação brasileira na COP20.

Versione Italiano

Il tifone Hagutip e gli uomini di carta

Marcelo de Medeiros, dell’Engajamundo/Agenzia di Stampa Giovanile

Ieri si è conclusa la prima settimana delle trattative della COP 20 a Lima e il bilancio non è positivo: i negoziatori dei paesi non hanno ancora trovato punti di convergenza su diverse questioni che riguardano le trattative sui cambiamenti climatici, e antepongono ancora le priorità nazionali alla necessità di trovare un accordo veramente globale.

Una canzone che sta avendo molto sucesso alla COP 20 dice che i capi di Stato e gli altri negoziatori sono come uomini di carta, interessati solo al potere e al denaro, senza alcun rispetto per la natura. Qui a Lima ci rendiamo conto che, purtroppo, ci sono diversi uomini di carta.

Durante le trattative di Sabato mattina, i membri della plenaria della Piattaforma di Durban (che definirà i fondamenti del nuovo accordo che sarà firmato il prossimo anno a Parigi) sono venuti a conoscenza di un nuovo tifone, Hagutip, che ha colpito le Filippine e ha lasciato molti senzatetto sulla costa orientale. Sembra che il peggio debba ancora venire, perché secondo le previsioni, l’attuale tifone sarà peggiore di quello che ha devastato il paese lo scorso anno.

La notizia sembra non aver avuto effetti sui negoziatori dell’Arabia Saudita che, pochi minuti dopo, durante le trattative, hanno chiesto di stralciare dal testo base qualsiasi menzione sulla necessità di contenere l’aumento della temperatura entro la fine del secolo tra gli 1,5° C e i 2° C, lasciando un testo vago e senza alcun impegno concreto per le nazioni. Anche l’Australia, durante la settimana, ha dato il suo contributo ad ostacolare le trattative, dichiarando che non offrirà alcun incentivo finanziario per il Green Climate Fund (Fondo Verde del Clima), che ha lo scopo di raccogliere fondi per finanziare progetti di mitigazione ed adattamento al cambiamento climatico.

L’andamento della Convenzione quadro sui cambiamenti climatici e le sue infinite discussioni su particolari spesso per nulla costruttivi non sono compatibili con la necessità urgente di adottare le decisioni concrete che sono necessarie. Nel secondo giorno della Piattaforma di Durban, i rappresentanti dei paesi hanno impiegato tutto il pomeriggio a discutere se il testo dovesse essere rivisto paragrafo per paragrafo o riga per riga! Risultati concreti, niente!

Per non dire che non diamo nessuna buona notizia: Panama ha donato un milione di dollari al Fondo Verde, dando uno schiaffo morale a tutti i paesi sviluppati o in via di sviluppo come il Brasile, la Cina e l’India, che non hanno contribuito. L’atteggiamento ha già avuto un effetto, e la Norvegia, il giorno dopo, ha raddoppiato il suo contributo, raggiungendo in totale 230 milioni di dollari.

Ma purtroppo ciò che è stato discusso nelle COP del passato, e la velocità con cui è in discussione la COP corrente, non portano gli effetti necessari per combattere il cambiamento climatico. Noi che siamo qui a Lima ci chiediamo: quanti tifoni e altre gravi catastrofi saranno necessarie agli uomini di carta per fare qualcosa di veramente concreto?

* Membro dell’ONG Engajamundo e della delegazione brasiliana a COP20

Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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