O racismo de lá e o racismo daqui

ferguson

Por Carolina Ellmann | Imagem: EBC

Em um sábado, 09 de agosto, o jovem negro Michael Brown foi assassinado pela polícia do Missouri, nos Estados Unidos. Michael estava desarmado e, segundo testemunhas, não ofereceu nenhuma resistência. Segundo os policiais, ele teria tentado roubar cigarros de um estabelecimento e se comportado de forma “agressiva”.

Infelizmente, o caso do Michael Brown não é um caso isolado. Estamos vivendo um verdadeiro genocídio da juventude negra. Os jovens estão morrendo nas mãos da polícia ou sendo encarcerados arbitrariamente.

Vivemos um momento de criminalização da pobreza. Ser jovem, pobre e negro se torna uma ameaça e vira caso de policia. Dessa instabilidade nasce a lei de segurança (o apartheid na periferia, onde se mata, rouba e o mais importante é que os pobres sejam inimigos entre si), constantemente difundida para a classe média.

De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) e com o relatório divulgado pelo FBI, entre 2005 e 2009, a PM de São Paulo matou mais que todas as polícias dos Estados Unidos juntas. As pessoas ficaram mais indiferentes à exposição da violência praticada pelo Estado e chegam a considerar esses números o retrato de uma boa polícia.

Os negros representam 70% das vítimas de assassinato, segundo a Pesquisa Nacional de Vitimização, que também mostra que em 2009, 6,5% dos negros que sofreram uma agressão tiveram policiais como agressores ou seguranças privados. Com os brancos, este número é menor: 3,7%.

Esses dados, junto com a violenta morte do jovem Michael Brown apenas escancaram o racismo institucional, presente tanto na polícia americana quanto na polícia brasileira.

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