O desafio da permanência no campo é tema de debate em Seminário de Juventude Rural

Vânia Correia, da Agência Jovem de Notícias, em Brasília

Cerca de oito milhões de jovens de 15 a 29 anos vivem no campo, eles somam 27% do total da população rural no país. Esse número vem diminuindo ao longo dos últimos anos, devido a emigração de jovens do campo para a cidade, na maioria das vezes, em busca de melhores oportunidades de trabalho, educação, moradia, acesso à tecnologia e à cultura.

Além de representar a possibilidade de melhores condições de vida, a cidade também pode representar um modelo de vida mais atrativo e dinâmico do que o campo. Esses elementos, combinados com uma política ainda insuficiente para juventude rural, configuram um grande desafio para a permanência do jovem no campo e na floresta.

Esse foi o tema debatido na manhã desta terça-feira, durante o 1º Seminário de Juventude Rural e Políticas Públicas, realizado pela Secretária Nacional de Juventude, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Durante o debate, os jovens refletiram que combinar políticas eficazes de acesso à terra com um conjunto de políticas de esporte, educação, cultura, qualidade de vida, é fundamental para que o jovem tenha a opção de permanecer no campo.

A mesa de debate, mediada por Gérson Antonio Barbosa, do Coletivo Nacional da Juventude do Movimento dos Pequenos Agricultores, contou as presenças da coordenadora do Coletivo Nacional da Juventude do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Gleisa Campigotto; a assessora nacional da Juventude da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Érika Galindo; a secretária nacional de Juventude, Severine Macedo; o presidente substituto do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Luciano Brunet.

Érika Galindo, inaugurou as falas defendendo um modelo de sociedade baseado na democratização da terra, valorização das diversidades e produção sustentável. Falou ainda da urgência de uma reforma agrária ampla e eficiente que possa atender o conjunto da sociedade, sem ter que criar critérios de priorização que excluam a juventude. “Temos um grande desafio para que a política de reforma agrária reconheça e atenda ao jovem”.

Gleisa Campigotto, criticou o atual projeto brasileiro para o campo, baseado no monocultivo e pouco incentivo à agricultura familiar. “O monocultivo de grande escala ainda predomina e os alimentos viraram mercadoria para exportação”, denunciou. Para ela esse modelo é o responsável pela expulsão dos jovens do campo. Também defendeu a necessidade e urgência da reforma agrária.

Luciano Brunet, reconheceu que a política de reforma agrária ainda é tímida, mas destacou que o agronegócio já não ocupa o lugar de destaque que tinha anos atrás. “Estamos caminhando para reverter o domínio do agronegócio. Temos a possibilidade de dar um outro olhar para a agricultura familiar”, defendeu.

Severine Macedo, ressaltou a importância de diversificar as políticas voltadas para juventude rural. “O jovem não pode ficar no meio rural só para trabalhar, ele tem que ter direito à cultura, educação e ao lazer”. Falou ainda das ações e articulações realizadas no âmbito da Secretaria de Juventude para ampliar e qualificar a política para o segmento.

 

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