O campo em pauta na 2ª Conferência Nacional de Juventude


Por: Emilia Merlini, da Agência Jovem de Notícias

Na 2ª Conferência Nacional de Juventude, conversamos com jovens da zona rural de nosso país. Thaile Vieira, de 18 anos, é representante do Movimento Sem Terra (MST) e Rudison Ladislau, de 25 anos, representa a APP – Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná, sendo educador em áreas de assentamento. Eles trazem três principais bandeiras para o evento.

A primeira delas é a consolidação de uma Política Nacional de Educação no e do Campo. “Historicamente verificamos que foi negado à população do campo o acesso à educação. Por isso é preciso uma educação de acordo com a vida do camponês, sua cultura e necessidades”, conta Thaile. Segundo a jovem, é preciso também garantir o acesso ao conhecimento universal historicamente produzido.

A Campanha Nacional pela Construção e Contra o Fechamento das Escolas do Campo é outra pauta para a Conferência. Ambos explicam que nos últimos oito anos foram fechadas mais de 24 mil escolas do campo. Acredita-se que medidas como essa podem promover uma negação da cultura camponesa, do seu direito de expressão e de existir.

Sobre o assunto, o professor Sergio Sauer, da Universidade de Brasília (UNB), aborda no livro Terra e Modernidade, que os ideais de liberdade e autonomia, desde Aristóteles, são associados à cidade. “Porém, não é exatamente liberdade e autonomia que muitos encontram quando migram para as cidades”. Essas populações, muitas vezes vão inchar as favelas, perder sua segurança alimentar e encontrar situações precárias de vida e de saneamento básico.

Thaile e Rudison também falam da Campanha Contra o Uso de Agrotóxicos e pela Vida. “O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Em média, um brasileiro consome cerca de seis litros de veneno por ano”, conta Thaile. O movimento propõe a agroecologia* como proposta de produção de alimentos saudáveis e de cuidado com o meio ambiente, com a terra e com a vida.

O Coletivo de Comunicação do MST empunha as mesmas bandeiras e entende, segundo Thaile, o acesso à cultura e à comunicação como um instrumento de formação e de luta, não como uma mercadoria.

É isso aí galera, esse é mais um movimento que contribui para representar a diversidade da juventude brasileira na 2ª Conferência Nacional de Juventude.

* Veja matéria “Sustentáveis de Verdade”, da edição 78 da Revista Viração, sobre agroecologia e permacultura (http://viracao.org/revista.htm) e o documentário “O veneno está na mesa”, sobre o consumo e aplicação de agrotóxicos e disponível no youtube.

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1 Comentário

  • Esse 2ªConferência Nacional de Juventude irá ser uns dos mais polêmicos, na minha opinião, por eu estive breve nesse encontro vi como estava tenso o encontro!espero que a AgenciaJovem da Viração se saia muito bem na cobertura dessa 2ª Conferência e, também os outros membros da viração que estão cobrindo a Confêrencia.

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